Qual Teste Estatístico Usar no TCC de Psicologia em 2026: Comparação de Grupos, Correlação, Regressão e Tamanho de Efeito

No TCC de Psicologia, o teste estatístico costuma ser escolhido pela pressa, não pela pergunta — abre-se o software, tenta-se uma ANOVA porque soa mais robusta, e só na defesa aparece a pergunta que devia ter vindo primeiro: o seu delineamento sequer permite esse teste? Este guia organiza a escolha do teste pela estrutura do delineamento típico da Psicologia (comparação de grupos, medidas repetidas, associação, predição), mostra os pressupostos que a área realmente verifica e como relatar o resultado no padrão que a banca espera.

A pergunta que decide o teste

Antes de qualquer tabela, três perguntas simples eliminam a maior parte da dúvida: você está comparando grupos, associando variáveis ou prevendo um desfecho? E dentro disso, os mesmos participantes foram medidos mais de uma vez, ou são grupos independentes? A escolha do delineamento em si — experimental, correlacional, quase-experimental — está em como escrever a metodologia do TCC de Psicologia; o que segue aqui é o passo seguinte, quando o delineamento já está definido e falta escolher a análise.

Tabela de decisão: da pergunta ao teste

Sua pergunta é Delineamento Teste paramétrico Alternativa não paramétrica
Dois grupos independentes diferem numa medida (ex.: grupo clínico x controle) Comparação entre grupos Teste t de Student para amostras independentes Mann-Whitney
O mesmo grupo mudou entre dois momentos (ex.: antes e depois de uma intervenção) Medidas repetidas, dois momentos Teste t pareado Wilcoxon
Três ou mais grupos independentes diferem numa medida Comparação entre grupos ANOVA de um fator Kruskal-Wallis
O mesmo grupo foi medido em três ou mais momentos Medidas repetidas ANOVA de medidas repetidas Friedman
Dois fatores agem ao mesmo tempo (ex.: sexo e condição experimental) Fatorial ANOVA fatorial (two-way) —
Duas variáveis contínuas estão associadas (ex.: ansiedade e desempenho) Correlacional Correlação de Pearson Correlação de Spearman
Duas variáveis categóricas estão associadas (ex.: sexo e diagnóstico) Associação categórica Qui-quadrado de independência Teste exato de Fisher (amostras pequenas)
Uma variável contínua prevê outra contínua Preditivo Regressão linear (simples ou múltipla) —
Variáveis preditoras prevêem um desfecho categórico (ex.: desistência sim/não) Preditivo Regressão logística —
A tabela cobre a grande maioria dos delineamentos de TCC de Psicologia; a coluna não paramétrica entra quando a normalidade falha ou a amostra é pequena.

Para a associação entre duas variáveis contínuas, o critério de escolha entre Pearson e Spearman — tipo de relação, distribuição e valores extremos — está detalhado em correlação de Pearson ou Spearman, e o roteiro completo de pressupostos e interpretação de uma regressão está em regressão linear no TCC. A lógica geral de decisão entre paramétrico e não paramétrico, válida para qualquer curso, está em qual teste estatístico usar no TCC; o que muda aqui é o delineamento típico da Psicologia e os cuidados que a área tem com escalas.

Tela de planilha com os escores de uma escala psicológica organizados por participante e grupo, ao lado de um gráfico de caixa comparando dois grupos
Antes de escolher o teste, organize os dados por grupo e por momento: é essa estrutura que aponta a linha certa da tabela.

Antes do teste: os pressupostos que a Psicologia verifica

Um teste paramétrico só é válido quando seus pressupostos se sustentam, e a banca de Psicologia costuma perguntar por eles mesmo quando o texto não menciona:

  • Normalidade — verificada pelo teste de Shapiro-Wilk em amostras pequenas ou médias, ou pela inspeção de um histograma e de um gráfico Q-Q em amostras maiores. Reportar apenas “os dados eram normais” sem o teste ou o critério usado é insuficiente.
  • Homogeneidade de variâncias — o teste de Levene, exigido antes de um teste t ou de uma ANOVA entre grupos independentes; quando ele indica variâncias desiguais, a correção de Welch substitui o teste padrão.
  • Esfericidade — específica da ANOVA de medidas repetidas com três ou mais momentos, verificada pelo teste de Mauchly; quando violada, a correção de Greenhouse-Geisser ajusta os graus de liberdade.
  • Independência das observações — cada participante contribui uma vez para cada célula do delineamento, salvo nos desenhos de medidas repetidas, que tratam essa dependência de propósito.

Escala do tipo Likert merece uma nota à parte: um único item Likert é ordinal e, tratado isoladamente, pede um teste não paramétrico; o escore somado ou médio de vários itens de uma escala validada é tratado, por convenção da área, como intervalar, o que abre caminho para testes paramétricos — desde que a normalidade do escore total, não do item isolado, se sustente.

Tamanho de efeito: o número que a área cobra além do p

Um resultado significativo (p menor que 0,05) diz que a diferença provavelmente não é acaso; não diz se ela é grande. A Psicologia, mais do que a maioria dos cursos, exige a medida de tamanho de efeito ao lado do p-valor:

  • d de Cohen, para a diferença entre dois grupos (teste t): 0,2 pequeno, 0,5 médio, 0,8 grande, como referência de leitura, nunca como corte rígido.
  • Eta ao quadrado (η²) ou eta parcial ao quadrado, para ANOVA, indicando a proporção de variância explicada pelo fator.
  • r, o próprio coeficiente de correlação, já interpretável como força de associação.
  • R² ou pseudo-R², para regressão, indicando a proporção de variância do desfecho explicada pelo modelo.

Relatar somente “houve diferença significativa (p<0,05)” sem o tamanho de efeito é uma das correções mais frequentes em banca de Psicologia, porque um efeito estatisticamente significativo numa amostra grande pode ser clinicamente irrelevante.

Artigo impresso com uma tabela de resultados destacada, mostrando médias, desvio-padrão, valor de p e tamanho de efeito lado a lado
O tamanho de efeito ao lado do p-valor é o que diferencia significância estatística de relevância prática.

Depois da ANOVA: por que o teste post-hoc é obrigatório

Uma ANOVA significativa com três ou mais grupos só diz que existe diferença em algum lugar entre eles — não diz entre quais grupos. Reportar apenas o resultado da ANOVA e concluir informalmente qual grupo “parece maior” é um dos erros mais corrigidos em banca. O teste post-hoc correto depende da mesma verificação de variâncias já feita antes da ANOVA:

  • Tukey HSD — o mais usado quando as variâncias entre grupos são homogêneas e os grupos têm tamanhos semelhantes; compara todos os pares mantendo o erro tipo I controlado.
  • Bonferroni — mais conservador, ajusta o nível de significância dividindo-o pelo número de comparações; recomendado quando há poucas comparações planejadas a priori.
  • Games-Howell — a escolha correta quando o teste de Levene indicou variâncias desiguais entre os grupos, situação em que o Tukey deixa de ser apropriado.
  • Dunn, com correção de Bonferroni — o equivalente post-hoc do Kruskal-Wallis, para quando a via não paramétrica foi necessária.

O capítulo de resultados precisa nomear qual post-hoc foi usado e por quê — a resposta está sempre no mesmo teste de Levene que já orientou a escolha do teste principal.

Quando os dados violam tudo: alternativas e o que dizer na limitação

Nem toda amostra de TCC de Psicologia — em geral pequena, coletada por conveniência — sustenta os pressupostos de um teste paramétrico, mesmo depois de tentativas de transformação dos dados. Três caminhos são aceitos pela área quando isso acontece:

  1. Migrar para a via não paramétrica correspondente, a solução mais comum e a mais simples de justificar na metodologia.
  2. Usar uma versão robusta do teste, como a ANOVA de Welch para variâncias desiguais, ou testes baseados em médias aparadas (trimmed means), quando disponíveis no software.
  3. Declarar a violação como limitação do estudo, quando nenhuma alternativa está disponível e o teste paramétrico ainda assim é reportado — uma prática aceitável apenas quando explicitada, nunca quando escondida.

O que a banca não aceita é o pressuposto verificado, violado e ignorado no texto sem qualquer menção.

Exemplo de parágrafo de resultados já redigido

“Os escores de ansiedade do grupo experimental (M = 18,4; DP = 5,2) foram comparados aos do grupo controle (M = 23,1; DP = 6,0) por meio de um teste t de Student para amostras independentes, após verificação da normalidade (Shapiro-Wilk, p > 0,05) e da homogeneidade de variâncias (Levene, p > 0,05). A diferença foi estatisticamente significativa, t(58) = 3,12, p = 0,003, com tamanho de efeito grande (d de Cohen = 0,81), indicando que os participantes submetidos à intervenção apresentaram redução relevante nos escores de ansiedade em comparação ao grupo controle.”

O relato segue o formato consagrado pela 7ª edição das normas APA, adotado por convenção na maioria dos programas de Psicologia no Brasil para a apresentação de estatísticas, mesmo quando o restante do documento segue a ABNT nas referências e na formatação geral.

Sete erros que a banca de Psicologia aponta

  1. Escolher o teste pelo nome, não pela estrutura do delineamento — ANOVA para dois grupos independentes, quando um teste t já resolveria.
  2. Não verificar nenhum pressuposto, ou mencionar “dados normais” sem o teste que sustenta a afirmação.
  3. Tratar item Likert isolado como intervalar sem justificar, quando o escore somado da escala é que permite essa convenção.
  4. Omitir o tamanho de efeito, relatando apenas significância.
  5. Confundir correlação com causalidade num delineamento correlacional.
  6. Rodar múltiplos testes t em vez de uma ANOVA, inflando o erro tipo I sem correção.
  7. Não declarar o software e a versão usados na análise, o que impede a reprodução do resultado.
  8. Reportar uma ANOVA significativa sem o post-hoc, deixando para o leitor adivinhar entre quais grupos a diferença apareceu.

O software usado na análise também precisa constar no capítulo de metodologia, com a versão. Pacotes estatísticos de uso livre, como o Jamovi e o JASP, tornaram-se comuns em TCCs de Psicologia por reproduzirem a saída no mesmo formato do relato em APA, mas o SPSS continua sendo o mais citado nos programas de pós-graduação da área — a escolha do programa não altera o teste correto, apenas a forma de obter e formatar a mesma saída.

Da tabela de saída ao capítulo de resultados

Escolhido o teste e verificados os pressupostos, o que separa a tabela de saída do software do capítulo de resultados pronto é a redação: transformar números em frases que respondem à pergunta de pesquisa, no formato que a área espera. É nessa etapa que o Tesify ajuda: a partir do delineamento, do teste escolhido e dos valores que você obteve, o editor organiza o capítulo de resultados na sequência e no estilo de relato da Psicologia, mantém a terminologia estatística consistente e gera as referências em ABNT. A escolha do teste, a análise e a interpretação continuam sendo suas. Escrever o capítulo de resultados do meu TCC de Psicologia no Tesify.

Perguntas frequentes

Como sei se devo usar um teste paramétrico ou não paramétrico?

Verificando a normalidade da distribuição (teste de Shapiro-Wilk) e o tamanho da amostra. Com normalidade sustentada e amostra suficiente, o teste paramétrico é preferido por ter mais poder estatístico. Quando a normalidade falha, a amostra é pequena, ou a variável é ordinal por natureza, a alternativa não paramétrica correspondente é o caminho correto.

Posso tratar uma escala Likert como variável contínua?

O escore somado ou médio de vários itens de uma escala validada costuma ser tratado como intervalar por convenção da área, o que permite testes paramétricos, desde que a normalidade do escore total se sustente. Um item Likert isolado, por outro lado, é ordinal e pede tratamento não paramétrico.

Por que preciso relatar o tamanho de efeito além do p-valor?

Porque o p-valor indica apenas se a diferença é estatisticamente improvável de ser acaso, não o quanto ela é grande ou relevante na prática. O tamanho de efeito (d de Cohen, eta ao quadrado, r ou R²) informa a magnitude do resultado e é exigido pela maioria dos programas de Psicologia ao lado da significância.

Qual teste uso para comparar o mesmo grupo antes e depois de uma intervenção?

O teste t pareado, se a diferença entre os pares de medidas for aproximadamente normal, ou o teste de Wilcoxon, quando esse pressuposto não se sustenta ou a amostra é pequena. Para três ou mais momentos de medida no mesmo grupo, a ANOVA de medidas repetidas ou o teste de Friedman substituem essas opções.

Como relato os resultados estatísticos no padrão que a Psicologia espera?

Seguindo o formato consagrado pela 7ª edição das normas APA para a estatística — teste usado, estatística do teste com graus de liberdade, valor de p e tamanho de efeito — mesmo quando o restante do TCC segue a ABNT nas referências e na formatação geral, prática comum nos programas de Psicologia no Brasil.

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