O TCC de Agronomia tem o mesmo privilégio do TCC de Ciências Ambientais: boa parte das perguntas da área já tem dado público, oficial e gratuito esperando para ser baixado. O problema é que esses dados estão espalhados por sistemas com nomes parecidos e finalidades diferentes — o levantamento do IBGE não é o boletim da CONAB, o zoneamento de risco não é o boletim agrometeorológico, o registro de um agrotóxico não é o consumo de fertilizantes. Este guia organiza as bases da agronomia brasileira pela pergunta que cada uma responde, mostra onde cada confusão costuma nascer e como declarar a fonte no capítulo de metodologia e nas referências em ABNT.
A regra: a base vem da pergunta, não o contrário
O erro mais comum é abrir um portal, ver uma série bonita e montar o TCC em torno do que ela mostra. O caminho certo é o inverso: escreva a pergunta numa frase com uma cultura ou sistema de produção, um recorte espacial (município, microrregião, estado) e um recorte temporal — “como a produtividade da soja variou no município X entre 2010 e 2024” — e só depois procure a base que cobre os três. A lógica geral de casar pergunta e base, válida para qualquer curso, está em qual base de dados responde à sua pergunta. O que segue é o mapa específico da produção agropecuária no Brasil.
Tabela mestra: da pergunta à base
| Se a sua pergunta é sobre | A base é | O que ela entrega |
|---|---|---|
| Área plantada, produção e produtividade de uma safra | LSPA, do IBGE, e os boletins de safra da CONAB | Estimativas mensais por cultura, com fechamento ao final de cada safra, por estado e município |
| Estrutura fundiária e características dos estabelecimentos | Censo Agropecuário, do IBGE (SIDRA) | Número de estabelecimentos, área, mão de obra, tecnologia e uso da terra, por município, a cada dez anos |
| Preço recebido pelo produtor ou pago pelo insumo | Indicadores de preços do CEPEA/ESALQ | Séries diárias e mensais por praça e produto, com metodologia de coleta publicada |
| Janela de plantio de menor risco climático | ZARC, do MAPA | Datas de plantio recomendadas por cultivar, tipo de solo e município |
| Balanço hídrico e risco agrometeorológico de curto prazo | Agritempo, da Embrapa com o INMET | Boletins agrometeorológicos por município, com deficiência e excedente hídrico |
| Registro e uso permitido de um agrotóxico | AGROFIT, do MAPA | Ingrediente ativo, culturas autorizadas, praga-alvo e classificação toxicológica |
| Cultivar registrada e apta à comercialização | RNC — Registro Nacional de Cultivares, do MAPA | Cultivares registradas por espécie, com obtentor e características declaradas |
| Consumo de fertilizantes | Estatísticas setoriais de entregas ao consumidor final | Volume por estado e por nutriente (N, P₂O₅, K₂O), série anual |
| Classe e aptidão do solo | Levantamentos pedológicos da Embrapa (SiBCS) | Classificação do solo e aptidão agrícola por unidade de mapeamento |
| Expansão da fronteira agrícola e uso da terra | MapBiomas, coleção de agropecuária | Série anual de uso do solo agrícola, com transições entre classes |
| Crédito rural contratado | Anuário Estatístico do Crédito Rural, do Banco Central | Volume por linha de crédito, cultura, porte do produtor e município |
| Exportação e importação de produtos agropecuários | Comex Stat, do MDIC | Volume e valor por produto, país de destino ou origem e período |

Produção de safras: LSPA e CONAB não são a mesma coisa
Esta é a confusão que mais aparece na banca de Agronomia. O LSPA (Levantamento Sistemático da Produção Agrícola), do IBGE, é uma pesquisa mensal por amostragem que estima área plantada, área colhida, produção e rendimento médio das principais culturas, por município, com estimativas revisadas ao longo da safra até o fechamento definitivo. É a série de referência para análises históricas comparáveis entre municípios e entre anos.
O acompanhamento de safra da CONAB usa metodologia própria de captação em campo, publicado em boletins mensais desde o início do plantio até a colheita, com foco em apoiar a política de abastecimento e armazenagem. Os números de CONAB e IBGE convergem na maior parte das vezes, mas não são idênticos, porque a metodologia de coleta e o calendário de fechamento diferem. Um TCC que compara os dois precisa dizer isso — e um TCC que usa só um precisa justificar a escolha pela pergunta: série histórica longa e comparável por município, o LSPA; acompanhamento fino da safra corrente e cenários de oferta, a CONAB.
Estrutura fundiária: o que só o Censo Agropecuário responde
Perguntas sobre quantos estabelecimentos existem, qual o tamanho médio da propriedade, quantas pessoas trabalham na atividade, qual a proporção de agricultura familiar e qual o grau de mecanização de uma região não têm resposta em nenhuma série mensal — elas exigem o Censo Agropecuário, do IBGE, disponível pelo SIDRA, feito a cada dez anos aproximadamente. É a base certa para caracterização estrutural do recorte espacial do seu TCC, mesmo quando a análise principal usa outra fonte para a variável de interesse. A extração de uma tabela do SIDRA, passo a passo, está em como extrair uma tabela do SIDRA.

Preços agropecuários: CEPEA/ESALQ
Quando o TCC compara rentabilidade, avalia o efeito de uma política de preços mínimos ou constrói uma série para análise econométrica, a fonte de referência é o conjunto de indicadores de preços do CEPEA/ESALQ (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP). Os indicadores cobrem dezenas de produtos — grãos, café, açúcar, boi gordo, leite, entre outros — com metodologia de coleta publicada por praça de negociação, o que permite ao TCC declarar exatamente qual indicador foi usado e por quê. A diferença entre este indicador e o preço mínimo definido pela política agrícola federal precisa ser explicada quando o trabalho usa os dois: um é o preço de mercado observado; o outro é um piso de política pública.
Clima e risco: ZARC e Agritempo
Duas bases resolvem duas perguntas diferentes sobre clima na agronomia. O ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), do MAPA, indica, para cada cultura, tipo de solo e município, as datas de plantio com menor risco de perda por evento climático adverso — é a base de referência para o crédito e o seguro rural, e para TCCs sobre aptidão de plantio por época. O Agritempo, mantido pela Embrapa em parceria com o INMET, entrega boletins agrometeorológicos de curto prazo — balanço hídrico, deficiência e excedente hídrico, por município — úteis para acompanhar uma safra em curso ou explicar uma quebra pontual de produtividade. Um TCC sobre risco de plantio usa o ZARC; um TCC sobre o que aconteceu numa safra específica usa o Agritempo, e um trabalho pode perfeitamente usar os dois em seções diferentes do capítulo de resultados.
Insumos: registro de agrotóxicos e de cultivares
Para TCCs sobre uso de defensivos, a base é o AGROFIT, sistema do MAPA que reúne os produtos registrados no Brasil, com o ingrediente ativo, as culturas para as quais o produto é autorizado, a praga ou doença-alvo, a dose recomendada e a classificação toxicológica e ambiental. É a fonte para verificar se o uso relatado num estudo de caso está dentro do registrado, e não apenas para listar produtos. Para TCCs sobre melhoramento genético ou escolha de cultivar, o RNC (Registro Nacional de Cultivares), também do MAPA, lista as cultivares registradas por espécie, com o obtentor e as características declaradas — a base que permite verificar se uma cultivar mencionada num estudo está de fato registrada para uso comercial no país.
Solos, uso da terra e crédito rural
Para caracterizar o solo da área de estudo, os levantamentos pedológicos da Embrapa, organizados segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS), fornecem a classe e a aptidão agrícola por unidade de mapeamento, com mapas em diferentes escalas conforme a região. Para a dinâmica de expansão da fronteira agrícola ou a conversão de pastagem em lavoura, a coleção de agropecuária do MapBiomas — a mesma iniciativa citada em estudos ambientais, mas com um recorte de classes específico para a produção — entrega a série anual comparável entre anos, com a mesma ressalva de sempre declarar a versão e a coleção usadas. Para financiamento, o Anuário Estatístico do Crédito Rural, do Banco Central, detalha o volume contratado por linha, cultura, porte do produtor e município, útil em TCCs sobre acesso ao crédito na agricultura familiar.
Como declarar a fonte na metodologia e nas referências
Uma base citada sem rastro é o defeito mais comum destes trabalhos. A metodologia precisa dizer, para cada base usada:
- Nome completo da base e do órgão responsável, com a sigla apresentada na primeira menção.
- Produto, safra ou edição utilizada — os números do LSPA e da CONAB são revisados ao longo da safra, e sem a edição consultada ninguém reproduz o seu resultado.
- Recorte extraído — cultura, unidade territorial, período e o filtro exato aplicado.
- Data do acesso, obrigatória na referência de fonte eletrônica em ABNT.
- Tratamento aplicado — conversão de unidades, agregação por safra, junção com outra base pela chave do código de município.
Na lista de referências, a base entra como documento eletrônico, com autor institucional em caixa alta, título da base ou do produto, ano, endereço e data de acesso. Números apresentados em tabela seguem as regras de arredondamento e de sinais convencionais descritas em como apresentar números e tabelas estatísticas na ABNT, e um gráfico ou mapa reproduzido do portal leva fonte própria, conforme como citar a fonte de imagem, figura e tabela na ABNT.
Seis erros que a banca aponta em TCC de Agronomia com dados secundários
- Misturar números de LSPA e CONAB numa mesma série sem declarar a diferença de metodologia.
- Base sem edição nem data de acesso, o que torna o número irreproduzível na safra seguinte.
- Citar o ZARC como se fosse previsão do tempo, quando na verdade é um zoneamento de risco de longo prazo.
- Mencionar um agrotóxico sem verificar o registro no AGROFIT para a cultura estudada.
- Usar preço de uma praça do CEPEA/ESALQ sem dizer qual, quando produtos têm cotações regionais diferentes.
- Descrever série sem responder à pergunta — páginas de tabelas de produção que nunca voltam ao problema da introdução.
Se o seu TCC combina esses dados secundários com trabalho de campo — coleta de solo, ensaio a campo, amostragem de planta —, o capítulo de metodologia precisa descrever as duas etapas com o mesmo rigor, incluindo o esforço amostral e as autorizações da parte experimental, cujo roteiro está em fontes de dados para o TCC de Ciências Ambientais, que trata do mesmo tipo de decisão para o recorte ambiental.
Dos dados ao capítulo
Com a base escolhida e a planilha organizada por safra, cultura e recorte espacial, o que separa o TCC de Agronomia pronto do TCC travado é a redação da metodologia e da discussão — declarar a extração com precisão suficiente para outra pessoa repetir, e transformar a série de produção ou preço em argumento sobre a pergunta de pesquisa. É nessa etapa que o Tesify ajuda: a partir da base, da safra e do recorte que você aplicou, o editor organiza a seção de fontes de dados na sequência que a banca espera, mantém as siglas consistentes ao longo do texto e gera as referências das bases em ABNT, com data de acesso. A escolha da base, a coleta de campo e a interpretação continuam sendo suas. Escrever o meu TCC de Agronomia no Tesify.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o LSPA do IBGE e o boletim de safra da CONAB?
O LSPA é uma pesquisa mensal por amostragem do IBGE, com estimativas revisadas por município até o fechamento da safra, referência para séries históricas comparáveis. O boletim da CONAB usa metodologia própria de captação em campo, com foco em apoiar a política de abastecimento. Os números costumam convergir, mas não são idênticos, e um TCC que usa um dos dois precisa justificar a escolha pela pergunta de pesquisa.
O ZARC serve para prever o clima da safra atual?
Não. O ZARC indica janelas de plantio de menor risco climático por cultura, cultivar, tipo de solo e município, com base em séries históricas — é um zoneamento de risco de longo prazo, usado para crédito e seguro rural. Para acompanhar o que está acontecendo numa safra em curso, a base correta é o Agritempo, com seus boletins agrometeorológicos de curto prazo.
Como sei se um agrotóxico citado no meu TCC está registrado para a cultura estudada?
Consultando o AGROFIT, do MAPA, que lista cada produto registrado com as culturas para as quais ele é autorizado, a praga-alvo e a classificação toxicológica. Isso permite verificar se o uso relatado num estudo de caso está dentro do que é legalmente permitido para aquela cultura.
Posso usar o Censo Agropecuário e o LSPA na mesma seção?
Pode e costuma ser produtivo: o Censo caracteriza a estrutura fundiária e tecnológica do recorte espacial a cada dez anos, e o LSPA acompanha a produção ano a ano. Um TCC que caracteriza a região com o Censo e analisa a evolução da produção com o LSPA está usando cada base para a pergunta certa.
Como cito uma base de dados agropecuária nas referências em ABNT?
Como documento eletrônico, com o autor institucional em caixa alta, o título da base ou do produto, o ano, o endereço eletrônico e a data de acesso. No corpo do texto, a citação é pelo autor institucional e ano, e a metodologia informa a edição ou safra consultada e o recorte extraído.
