Um “TCC pronto” que você pode ler do início ao fim, entender por que cada frase está ali e depois escrever o seu — com os seus dados, na sua instituição — é diferente de um TCC pronto para copiar. O segundo é plágio e reprovação quase certa; o primeiro é a forma mais rápida de entender o que a banca de Enfermagem realmente espera de cada seção. Este artigo é um modelo anotado: um TCC de Enfermagem completo, com dados fictícios claramente identificados, e o comentário do que cada parte precisa conter para passar.
Como este modelo foi construído (e por que nada aqui pode ser copiado)
O estudo fictício abaixo trata de um tema comum em cursos de Enfermagem — a adesão ao curativo de feridas crônicas em pacientes atendidos numa Unidade Básica de Saúde (UBS) — porque é um recorte realista, com campo acessível e comitê de ética exigido, o tipo de desenho que a maioria dos alunos de graduação consegue executar num semestre. A amostra, os números de resultado e as falas de participantes são inventados e existem só para mostrar a estrutura. Se você reconhecer o tema, adapte o problema e o objeto para a sua realidade; nunca copie um parágrafo inteiro para o seu trabalho — um verificador de originalidade encontra isso, e a banca também.
Resumo estruturado (exemplo comentado)
Pela NBR 6028:2021, o resumo de um trabalho acadêmico tem de 150 a 500 palavras, em parágrafo único, sem citações, cobrindo introdução, objetivo, método, resultado principal e conclusão nessa ordem (confira se o regulamento do seu curso fixa um limite menor). Um exemplo:
“As feridas crônicas atingem parcela relevante dos usuários acompanhados na atenção primária, e a baixa adesão ao curativo prolonga o tempo de cicatrização. Objetivo: descrever os fatores associados à adesão ao curativo de feridas crônicas em usuários de uma Unidade Básica de Saúde. Método: estudo descritivo, de abordagem quantitativa, com 42 usuários em acompanhamento, coleta por formulário estruturado e prontuário. Resultados: a adesão foi maior entre os usuários com apoio familiar direto no curativo e menor entre os que dependiam de deslocamento até a unidade. Conclusão: o suporte familiar e a distância até o serviço são fatores centrais para a adesão, e a enfermagem pode atuar sobre ambos com visita domiciliar e educação em saúde.”
Depois do resumo vêm três a cinco palavras-chave pelo DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), nunca termos livres — “Ferimentos e Lesões”, “Cooperação do Paciente”, “Atenção Primária à Saúde”, por exemplo.
Introdução (exemplo comentado)
A introdução do TCC de Enfermagem tem quatro movimentos, nessa ordem: contextualização do tema com dado ou norma real, o problema de pesquisa, a justificativa (por que importa para a enfermagem e para o serviço) e os objetivos. Um trecho de abertura possível:
“O cuidado com feridas crônicas é uma das atividades mais frequentes da consulta de enfermagem na atenção primária, e a literatura da área aponta a adesão do usuário ao tratamento como um dos fatores que mais influenciam o tempo de cicatrização. Ainda assim, os serviços registram informalmente que parte dos usuários interrompe ou atrasa o retorno para o curativo, sem que os motivos estejam sistematizados nos prontuários locais.”
A justificativa liga o achado a um ganho concreto: “conhecer os fatores associados permite à equipe de enfermagem planejar estratégias de busca ativa e educação em saúde direcionadas”. O objetivo geral usa um verbo no infinitivo — descrever, analisar, identificar — nunca “estudar” ou “pesquisar sobre”, que a banca considera vagos.
Referencial teórico (exemplo comentado)
O referencial teórico de um TCC de Enfermagem não é uma lista de definições soltas: ele organiza os conceitos que sustentam o objetivo, geralmente em duas ou três subseções. Para este tema, uma estrutura possível é: (1) fisiologia da cicatrização e classificação das feridas crônicas, (2) o papel da consulta de enfermagem no cuidado à ferida na atenção primária, (3) adesão ao tratamento como conceito — o que a literatura de enfermagem chama de adesão, e quais fatores ela já associa a maior ou menor adesão. Cada subseção termina amarrando o conceito de volta ao objetivo do estudo, não apenas descrevendo a teoria por si.
Metodologia (exemplo comentado)
A metodologia responde, nesta ordem, ao tipo de pesquisa, ao local e período, à população e amostra, ao instrumento de coleta, ao procedimento de coleta e à análise dos dados — fechando com os aspectos éticos.
“Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado em uma Unidade Básica de Saúde do município de [cidade], entre março e maio de 2026. A população foi constituída por usuários em acompanhamento para curativo de feridas crônicas cadastrados na unidade no período; a amostra, por conveniência, incluiu 42 usuários que compareceram às consultas de enfermagem no período de coleta, mediante os critérios de inclusão (idade igual ou superior a 18 anos, mínimo de três consultas de curativo registradas) e de exclusão (usuários com déficit cognitivo sem acompanhante, recusa em participar). A coleta foi feita por formulário estruturado aplicado pela pesquisadora durante a consulta de enfermagem e por consulta ao prontuário eletrônico para dados de frequência. Os dados foram tabulados em planilha eletrônica e analisados por estatística descritiva (frequência absoluta e relativa). O estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, sob o parecer nº [número fictício], conforme a Resolução CNS nº 466/2012, e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).”
Note que cada frase da metodologia responde a uma pergunta que a banca vai fazer na defesa: quantos, onde, como, por quê esse instrumento, e sob qual aprovação ética.

Resultados (exemplo comentado, com tabela fictícia)
Os resultados descrevem o achado sem interpretá-lo — a interpretação fica para a discussão. Uma tabela rotulada como fictícia:
Tabela 1 (dados fictícios) — Adesão ao curativo segundo apoio familiar
Com apoio familiar direto (n=24): adesão regular em 19 casos (79%).
Sem apoio familiar direto (n=18): adesão regular em 7 casos (39%).
“Dos 42 usuários acompanhados, 24 (57%) contavam com apoio familiar direto no curativo em domicílio. Entre esses, a adesão regular às consultas foi registrada em 19 casos (79%); entre os 18 usuários sem esse apoio, em 7 casos (39%). A distância até a unidade acima de 2 km foi relatada por 15 usuários (36%), e destes, 9 (60%) apresentaram ao menos uma falta não justificada no período.” Todo número no texto aparece também organizado em tabela, e a tabela recebe título acima, fonte abaixo (elaboração própria) e é citada no corpo antes de aparecer.

Discussão (exemplo comentado)
A discussão volta ao referencial teórico e situa o achado frente a ele, sem inventar uma causa que os dados não provam: “O maior percentual de adesão entre usuários com apoio familiar direto é compatível com a literatura de enfermagem que aponta a rede de apoio como fator facilitador da continuidade do cuidado a feridas crônicas, embora o desenho descritivo deste estudo não permita afirmar uma relação de causa e efeito entre as duas variáveis.” Essa última cláusula — reconhecer o limite do próprio desenho — é o que separa uma discussão aprovada de uma reprovada por “forçar a conclusão”.
Considerações finais (exemplo comentado)
As considerações finais retomam o objetivo, resumem o achado principal, indicam a aplicação prática para o serviço e assumem as limitações — nunca introduzem um dado novo. “Este estudo descreveu os fatores associados à adesão ao curativo de feridas crônicas numa Unidade Básica de Saúde e identificou o apoio familiar e a distância até o serviço como elementos centrais. Para a prática, os achados sugerem que a equipe de enfermagem priorize a visita domiciliar para usuários sem rede de apoio próxima e sem meio de deslocamento. Como limitação, destaca-se o tamanho amostral restrito a uma unidade, que impede a generalização para outros territórios.”
Referências (exemplo de formatação)
Pela NBR 6023 (3ª edição, 2025), as referências são elaboradas em espaço simples, alinhadas à margem esquerda do texto e separadas entre si por uma linha em branco de espaço simples, em ordem alfabética na lista final. Modelos de entrada (dados genéricos, a substituir pelos da obra real que você consultou): de livro — SOBRENOME, Nome. Título do livro: subtítulo. Edição. Cidade: Editora, ano. E de artigo — SOBRENOME, A. B.; SOBRENOME, C. D. Título do artigo. Nome do Periódico, cidade, v. X, n. Y, p. inicial-final, ano.
O que muda se o seu TCC for revisão de literatura ou relato de experiência
O modelo acima é de campo, mas a mesma lógica de seção comentada vale para os outros dois formatos mais comuns em Enfermagem. Numa revisão de literatura ou revisão sistemática, a metodologia troca população e amostra por bases de dados, descritores e período de busca, e os resultados trocam a tabela de frequência por um fluxograma de seleção dos estudos (identificados, triados, incluídos) e um quadro-síntese dos achados de cada artigo. Num relato de experiência — comum em estágios e em disciplinas de prática — a metodologia descreve o cenário e o período da vivência em vez de uma amostra estatística, e os resultados narram a experiência em ordem cronológica, sempre amarrada ao referencial teórico, nunca como um diário pessoal solto.
Erros que fazem a banca devolver um TCC parecido com este
Cinco erros aparecem com frequência em trabalhos estruturados dessa forma. Primeiro, um objetivo geral com verbo vago (“estudar”, “abordar”) que não permite saber o que, de fato, foi medido. Segundo, uma metodologia que não informa o número exato da amostra ou o período de coleta, forçando a banca a perguntar na defesa o que já devia estar escrito. Terceiro, uma discussão que afirma uma relação de causa quando o desenho do estudo (descritivo, transversal) só permite descrever associação. Quarto, tabelas sem fonte ou sem título, elementos que a NBR 14724 e as normas de apresentação tabular do IBGE, às quais ela remete, tratam como parte da apresentação obrigatória, não como detalhe estético. Quinto — e o mais comum entre quem tenta “acelerar” com um modelo pronto — parágrafos copiados quase literalmente de um exemplo como este, sem adaptação real aos dados do próprio estudo; o verificador de originalidade da instituição e o olho treinado do orientador identificam esse padrão com facilidade.
Checklist antes de adaptar este modelo para o seu tema
Antes de usar esta estrutura com os seus próprios dados, confira: o objetivo geral tem um verbo no infinitivo compatível com o tipo de estudo; a metodologia responde onde, quando, quantos e sob qual aprovação ética; toda tabela tem título, fonte e é citada no texto antes de aparecer; a discussão nunca afirma mais do que o desenho do estudo permite; e nenhuma frase deste modelo foi copiada literalmente — cada seção do seu TCC precisa nascer dos seus dados, não dos dados fictícios daqui.
Escrever cada seção do zero, mantendo a estrutura certa e as normas ABNT em dia, é o ponto em que a maioria dos estudantes trava. O Tesify ajuda a redigir o TCC de Enfermagem seção por seção com essa mesma lógica — estrutura clara, referências ABNT automáticas e verificação de originalidade antes da entrega — sem que a IA escreva no seu lugar.
Perguntas frequentes
Posso copiar um TCC pronto da internet?
Não. Copiar um TCC pronto de repositório ou de banco de trabalhos configura plágio e pode levar a reprovação e processo disciplinar. Use um modelo comentado como este para entender a estrutura e escreva o seu com dados reais do seu próprio estudo.
Quantas páginas tem um TCC de Enfermagem completo?
Não existe um número fixo em norma nacional: a extensão depende do regulamento do curso, do tipo de estudo e da exigência do orientador. Consulte o manual de TCC da sua instituição.
O modelo deste artigo pode ser copiado e entregue?
Não. Os dados, a amostra e os resultados deste modelo são fictícios e existem só para ilustrar a estrutura. Um verificador de similaridade identifica textos copiados, e a banca reconhece um TCC genérico.
Para aprofundar cada seção, veja também a estrutura completa do TCC de Enfermagem capítulo por capítulo, os temas de TCC de Enfermagem para escolher o seu recorte, como formular objetivos e justificativa, quais escalas e instrumentos validados usar na coleta e como definir população e amostra com recorte clínico.
