O pré-projeto (também chamado de projeto de pesquisa ou anteprojeto) é o documento que muitos cursos de Pedagogia exigem antes de liberar o aluno para escrever o TCC — e é também o primeiro contato do orientador com a sua ideia. Ver um exemplo completo, seção por seção, é a forma mais rápida de entender o que precisa entrar em cada parte antes de fechar o seu. Cursos diferentes chamam esse documento de nomes diferentes — pré-projeto, projeto de pesquisa, anteprojeto, projeto de TCC —, mas a estrutura exigida pela NBR 15287 é praticamente a mesma em todos: tema delimitado, problema, objetivos, justificativa, referencial preliminar, metodologia, cronograma e referências. Em muitos cursos de Pedagogia, o pré-projeto passa por uma etapa de qualificação antes da defesa final; quando é o caso, você recebe o retorno do orientador e de um segundo avaliador antes de começar a coletar dados em campo — uma vantagem real para quem ainda está inseguro sobre o recorte do tema.
Como este modelo foi construído
O tema fictício deste pré-projeto é o uso de jogos digitais educativos no ensino de matemática nos anos iniciais do ensino fundamental — um recorte comum em TCCs de Pedagogia porque combina campo acessível (a maioria dos alunos consegue autorização de estágio ou de uma escola parceira) com literatura de tecnologia educacional em expansão. A estrutura segue a NBR 15287, a norma da ABNT para projetos de pesquisa. Nada aqui deve ser copiado; adapte o tema para a sua realidade e escreva o seu próprio texto em cada seção.
Tema e delimitação (exemplo comentado)
“O uso de jogos digitais educativos como recurso pedagógico no ensino de matemática nos anos iniciais do ensino fundamental. Delimitação: turmas de 3º ano de uma escola municipal, no conteúdo de operações de adição e subtração, no primeiro semestre de 2026.” A delimitação fecha o recorte em três eixos: quem (a série), o quê (o conteúdo específico) e quando (o período) — sem esses três eixos, o tema fica genérico demais para orientar uma coleta de dados real. Um teste rápido para saber se o tema está delimitado o suficiente: se você consegue responder, em uma frase, onde vai coletar os dados e com quem, o tema está pronto para virar problema de pesquisa; se a resposta ainda é vaga (“em escolas”, “com alunos”), volte e delimite mais.
Problema de pesquisa e questões norteadoras (exemplo comentado)
“Como o uso de jogos digitais educativos, enquanto recurso pedagógico complementar, influencia o engajamento e a compreensão de operações básicas de adição e subtração por estudantes do 3º ano do ensino fundamental?” As questões norteadoras desdobram o problema em partes menores: “quais jogos digitais educativos são utilizados atualmente nas escolas municipais da região?”; “como os estudantes reagem, em termos de engajamento, ao uso desses jogos comparado ao ensino tradicional?”; “quais dificuldades os professores relatam na integração desses recursos à rotina de sala de aula?”.

Objetivos (exemplo comentado)
“Objetivo geral: analisar a influência do uso de jogos digitais educativos no engajamento e na compreensão de operações de adição e subtração por estudantes do 3º ano do ensino fundamental. Objetivos específicos: (1) identificar os jogos digitais educativos utilizados na escola pesquisada; (2) observar o nível de engajamento dos estudantes durante as atividades com jogos digitais, comparado às aulas sem esse recurso; (3) levantar, por meio de entrevista com a professora regente, as dificuldades e potencialidades percebidas na integração desses jogos à rotina pedagógica.” Cada objetivo específico corresponde a uma técnica de coleta que aparecerá na metodologia — não existe objetivo específico “solto”, sem um instrumento que o responda.
Justificativa (exemplo comentado)
“A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) indica a cultura digital como uma das competências gerais da educação básica, o que reforça a relevância de investigar como recursos digitais se integram ao ensino de matemática nos anos iniciais. Para a escola pesquisada, o estudo pode subsidiar decisões sobre a incorporação de jogos digitais ao planejamento pedagógico; para a formação da pesquisadora, aproxima a prática de estágio da reflexão teórica sobre tecnologia educacional.” A justificativa amarra três níveis: a relevância para o campo (a BNCC como norma vigente), para a instituição pesquisada e para a formação do próprio pesquisador. Um erro comum é escrever uma justificativa só com o primeiro nível (“o tema é importante porque a tecnologia está em toda parte”) — a banca de qualificação quer ver os três níveis amarrados ao contexto específico do estudo, não uma afirmação genérica que serviria para qualquer tema de tecnologia educacional.
Referencial teórico preliminar (exemplo comentado)
No pré-projeto, o referencial teórico é preliminar — um esboço das linhas que serão aprofundadas no TCC, não o capítulo completo. Para este tema, três eixos: (1) a BNCC e a competência de cultura digital na educação básica; (2) teorias da aprendizagem aplicadas ao uso de jogos (a gamificação e a aprendizagem baseada em jogos como abordagens pedagógicas); (3) letramento matemático nos anos iniciais, com foco nas operações de adição e subtração. O pré-projeto cita de três a cinco autores por eixo, o suficiente para mostrar que o tema tem literatura de apoio, sem esgotar a revisão — isso fica para o capítulo definitivo do TCC. Uma frase de amarração típica desse trecho: “estudos sobre gamificação na educação básica apontam que o elemento lúdico pode aumentar o engajamento do estudante, mas a literatura também alerta que o jogo, isolado, não substitui a mediação pedagógica do professor — o que reforça a relevância de observar não só o jogo, mas a prática docente ao redor dele”.
Metodologia (exemplo comentado)
“A pesquisa terá abordagem qualitativa, de natureza aplicada, com procedimento de estudo de caso. A coleta de dados será feita por observação participante de quatro aulas de matemática com uso de jogos digitais educativos, registradas em diário de campo, e por entrevista semiestruturada com a professora regente da turma. A análise dos dados seguirá a técnica de análise de conteúdo. A pesquisa será realizada em uma escola municipal de ensino fundamental, mediante autorização da direção, consentimento dos responsáveis e assentimento das crianças observadas, mantendo o anonimato dos participantes.” Note que a metodologia do pré-projeto já responde às mesmas perguntas que o capítulo definitivo vai detalhar: tipo de pesquisa, instrumento, local, período estimado e cuidado ético — só que num nível de detalhe menor, porque a coleta ainda não aconteceu.
Cronograma (exemplo comentado)
O cronograma do pré-projeto costuma ir até a entrega final, organizado por mês ou por etapa: revisão de literatura (meses 1–2), solicitação de autorização e pré-teste dos instrumentos (mês 3), coleta de dados em campo (meses 4–5), análise dos dados e redação dos resultados (mês 6), redação da discussão e considerações finais (mês 7), revisão geral e formatação final (mês 8). Um cronograma realista para um semestre letivo evita prometer, na qualificação, um prazo que a coleta de campo não permite cumprir — especialmente quando depende da autorização de uma escola, que pode levar semanas até ser respondida pela direção ou pela secretaria municipal de educação.

Referências preliminares (exemplo de formatação)
As referências do pré-projeto seguem a NBR 6023, mesmo formato do TCC final — só o volume é menor, cobrindo apenas os autores já citados no referencial preliminar. Exemplo real de documento oficial: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Modelo de artigo (dados genéricos, a substituir pelos do artigo real que você leu): SOBRENOME, A. B.; SOBRENOME, C. D. Título do artigo. Nome do Periódico, cidade, v. X, n. Y, p. inicial-final, ano.
O que muda se o seu TCC for revisão de literatura ou relato de experiência
O pré-projeto acima prevê um estudo de campo, mas a mesma lógica de seção vale para outros formatos. Se o TCC for uma revisão de literatura, a metodologia do pré-projeto descreve as bases de dados que serão consultadas (Scielo, Google Acadêmico, BDTD), os descritores de busca e o período, em vez de escola e turma; o cronograma reserva mais tempo para a fase de leitura e menos para “coleta”. Se for um relato de experiência de estágio, a metodologia descreve o cenário e o período da vivência, e o pré-projeto costuma ser mais curto, já que parte da experiência já está em andamento quando o projeto é submetido à banca de qualificação.
Erros que fazem a banca de qualificação devolver um pré-projeto parecido com este
Quatro erros aparecem com frequência. Primeiro, um problema de pesquisa amplo demais para um TCC de graduação (“o impacto da tecnologia na educação”), sem delimitação de série, conteúdo e período. Segundo, objetivos específicos que não têm instrumento correspondente na metodologia — a banca pergunta “como você vai responder a este objetivo?” e o aluno não sabe. Terceiro, um cronograma que ignora o tempo real de autorização de uma escola, que pode levar semanas. Quarto — o mais comum entre quem usa um modelo pronto sem adaptar — um referencial preliminar com autores e citações copiados de outro trabalho, sem relação real com o tema proposto; isso aparece na entrevista de qualificação, quando o aluno não consegue explicar o que o autor citado realmente disse. Um quinto ponto, menos um erro e mais um hábito recomendável: leve o pré-projeto pronto para a primeira reunião com o orientador, mesmo sabendo que vai mudar — chegar com uma versão completa, ainda que imperfeita, rende uma orientação muito mais produtiva do que chegar só com uma ideia solta de tema.
Checklist antes de adaptar este modelo para o seu tema
Antes de usar esta estrutura com o seu próprio tema, confira: o problema de pesquisa está delimitado por série, conteúdo e período; cada objetivo específico tem um instrumento de coleta correspondente na metodologia; o cronograma reserva tempo realista para autorização e imprevistos de campo; e nenhuma frase deste modelo foi copiada literalmente — o pré-projeto precisa refletir a sua própria leitura inicial do tema, não a deste exemplo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre pré-projeto e o TCC final?
O pré-projeto é a proposta de pesquisa, escrita antes da coleta de dados, no tempo verbal futuro. O TCC final relata o que foi efetivamente feito, no tempo verbal passado, e inclui os capítulos de resultados, discussão e considerações finais que o pré-projeto ainda não tem.
O pré-projeto de Pedagogia precisa de aprovação do comitê de ética?
Pesquisas com crianças em ambiente escolar frequentemente exigem aprovação de Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), conforme a Resolução CNS nº 510/2016, além da autorização da escola, do consentimento dos responsáveis e do assentimento das próprias crianças — verifique a exigência específica do seu curso antes de submeter o pré-projeto.
Posso copiar este modelo e só trocar o tema?
Não. Cada seção precisa refletir a sua leitura real do tema escolhido — um referencial preliminar ou uma metodologia copiados sem adaptação aparecem na entrevista de qualificação, quando o orientador pergunta detalhes que só quem escreveu de fato sabe responder.
Para aprofundar cada seção, veja também como escrever a metodologia do TCC de Pedagogia, a diferença entre um relato de experiência e outros formatos de TCC, os temas de TCC para Pedagogia para escolher o seu recorte, um exemplo genérico de projeto de pesquisa pela NBR 15287 e um modelo de cronograma de TCC semana a semana.
