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O Que É Tamanho de Efeito em 2026? d de Cohen, Eta Quadrado e Como Relatar no TCC

Tamanho de efeito é a medida padronizada da magnitude de um resultado — o quanto dois grupos realmente diferem, ou o quanto de variação uma variável explica. Diferente do p-valor, ele não depende do tamanho da amostra, e é por isso que virou exigência: relatar apenas a significância esconde a diferença trivial que ficou significativa por causa de um n grande e a diferença importante que não alcançou significância por causa de um n pequeno.

Definição direta

O tamanho de efeito quantifica a magnitude de um fenômeno em uma escala padronizada, independente das unidades originais de medida. Isso permite duas coisas que o p-valor não permite: comparar resultados entre estudos que mediram a mesma coisa de formas diferentes — um com escala de 7 pontos, outro com escala de 9, outro com medida fisiológica — e planejar o tamanho da amostra de um estudo novo a partir dos efeitos encontrados nos anteriores.

A referência prática mais usada sobre o assunto é o primer de Daniel Lakens publicado em Frontiers in Psychology (2013;4:863), que lista exatamente essas três funções: complementar o teste de significância, permitir conclusões meta-analíticas comparando efeitos padronizados entre estudos, e alimentar a análise de poder de uma pesquisa futura.

Por que o p-valor sozinho não basta

O p-valor responde a uma pergunta condicional: quão improvável seria observar um resultado ao menos tão extremo, caso não houvesse efeito na população. Ele não diz nada sobre o tamanho nem sobre a importância prática do achado — a discussão completa sobre o que ele significa e o que ele não significa está em qual teste estatístico usar no TCC.

A consequência é assimétrica e vale a pena memorizar:

  • Com amostra grande, diferenças triviais atravessam o limiar de significância. Um p = 0,01 pode estar descrevendo uma diferença de 0,3 ponto em uma escala de 1 a 5 entre 800 pessoas.
  • Com amostra pequena, diferenças relevantes não alcançam significância. Um p = 0,12 pode estar escondendo uma diferença grande que a amostra não teve poder para detectar.

O tamanho de efeito separa as duas situações, e essa é a razão pela qual bancas de pós-graduação passaram a cobrá-lo. É também o motivo para não interpretar um resultado não significativo como “não existe diferença”.

Balança comparando significância estatística e relevância prática de um resultado
Significância e magnitude são grandezas diferentes. O p-valor pesa uma; o tamanho de efeito pesa a outra.

As duas famílias: d e r

As medidas de tamanho de efeito se organizam em duas famílias, e a escolha entre elas decorre da pergunta de pesquisa.

A família d descreve diferenças padronizadas entre médias. O membro mais conhecido é o d de Cohen, que em desenhos entre sujeitos tem uma leitura muito direta: ele exprime a diferença como proporção do desvio padrão. Um d de 0,5 significa que a diferença entre as médias equivale a meio desvio padrão. O valor vai de zero a infinito.

A família r descreve proporção de variância explicada. Uma correlação de 0,5 indica que 25% da variância — o valor de r ao quadrado — é explicado pela diferença entre os grupos. Nessa família estão o eta quadrado (η²), o eta quadrado parcial (η²p) e o ômega quadrado (ω²), calculados a partir das somas de quadrados do delineamento.

Diagrama em árvore com duas famílias de medidas de tamanho de efeito e suas variantes
A família d responde “quanto os grupos diferem”; a família r responde “quanto da variação é explicada”. São perguntas distintas.

Os limiares de Cohen (e por que são arbitrários)

A interpretação mais difundida classifica os efeitos como pequeno (d = 0,2), médio (d = 0,5) e grande (d = 0,8), com base nos parâmetros sugeridos por Jacob Cohen em 1988. É o que quase todo TCC brasileiro reproduz — e quase sempre sem a ressalva que acompanha a fonte.

A ressalva é a seguinte: esses valores são arbitrários e não devem ser interpretados de forma rígida. Efeitos pequenos podem ter consequências grandes — o exemplo dado por Lakens é o de uma intervenção que produz redução confiável em taxas de suicídio com efeito de d = 0,1. E a única razão que Cohen dá para usar os parâmetros é bastante específica: quando o achado é tão novo que não pode ser comparado a resultados relacionados na literatura.

Ou seja: o melhor jeito de interpretar um d não é consultar a tabelinha, e sim compará-lo aos efeitos já publicados na sua área e explicar a consequência prática. Se dois artigos da sua revisão relatam d entre 0,30 e 0,35 para o mesmo fenômeno e o seu deu 0,33, essa é a interpretação — e ela vale muito mais na arguição do que a palavra “médio”.

Como referência complementar, o artigo de Cohen “A power primer”, publicado no Psychological Bulletin (1992;112(1):155-159), é a fonte curta e citável em que esses parâmetros aparecem sistematizados junto com as tabelas de poder.

Qual medida usar em cada teste

Medida de tamanho de efeito por tipo de análise
Análise Medida usual Observação
Teste t para amostras independentes d de Cohen ou g de Hedges Informe o n de cada grupo; com o t e os n, o valor é recalculável
Teste t pareado d de Cohen para medidas repetidas A fórmula difere da versão entre sujeitos; declare qual usou
ANOVA de um fator Eta quadrado ou ômega quadrado Em um fator, o eta parcial é igual ao eta quadrado
Correlação O próprio r, e r² como variância explicada A correlação já é uma medida de tamanho de efeito
Qui-quadrado Phi ou V de Cramér Escolha conforme o número de categorias da tabela
Regressão linear R² e f² de Cohen O f² é o formato usado em cálculo de poder
Desvios padrão muito diferentes entre grupos Delta de Glass Recomendado justamente nesse cenário

Programas estatísticos entregam essas medidas como caixa de seleção nas telas de teste — no Jamovi, por exemplo, o d de Cohen aparece na própria tela do teste t. O caminho está em Jamovi passo a passo, e a escolha entre os programas disponíveis em SPSS, R, Jamovi ou Excel para analisar dados do TCC.

Correções de viés: g de Hedges e ômega quadrado

Estimativas de efeito populacional calculadas a partir de amostras superestimam o efeito verdadeiro. Existem correções para isso, e conhecê-las rende meia página de rigor no seu capítulo:

  • Na família d, a correção do d de Cohen é o g de Hedges. A diferença entre os dois é muito pequena, especialmente em amostras acima de 20 casos, mas relatar o g é preferível e igualmente fácil — os programas calculam ambos.
  • Na família r, a correção do eta quadrado é o ômega quadrado. Pelo mesmo motivo, ele é a escolha mais conservadora quando disponível.

Há ainda procedimentos de bootstrap para calcular o d quando os dados não são normais, que produzem estimativa pontual menos enviesada. Se a sua variável não passou na verificação de pressupostos — assunto tratado em teste de normalidade no TCC —, vale saber que existe essa alternativa antes de simplesmente omitir o tamanho de efeito.

A armadilha do eta quadrado parcial

Vale um alerta específico, porque ele aparece em muitos trabalhos brasileiros. Pesquisadores relatam predominantemente o eta quadrado parcial pela razão mais simples possível: é o que o SPSS imprime por padrão. Lakens observa que o η²p ser frequentemente reportado em ANOVAs de um fator — desenho em que o eta parcial é igual ao eta quadrado — indica dependência excessiva das medidas tal como os programas as fornecem.

A consequência prática é dupla. Em ANOVA de um fator, escrever “eta quadrado parcial” quando bastaria “eta quadrado” é apenas ruído. Em desenhos com mais de um fator, os dois valores divergem, porque o eta parcial remove dos denominadores a variância dos outros fatores — e aí comparar o seu η²p com o η² de outro estudo produz uma comparação inválida. Declare qual dos dois você está relatando.

Como relatar no texto do TCC

O padrão de relato pede, na mesma frase: o teste aplicado, a estatística, os graus de liberdade quando houver, o p-valor, o nível de significância adotado e o tamanho de efeito. Dois modelos:

“A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa (t(148) = 2,74; p = 0,007), com tamanho de efeito pequeno a moderado (g de Hedges = 0,45), magnitude compatível com a relatada em estudos anteriores sobre o mesmo construto.”

“Não se observou diferença estatisticamente significativa entre os turnos (F(2, 117) = 1,86; p = 0,160). O tamanho de efeito foi pequeno (ω² = 0,014), o que sugere que a ausência de significância não decorre apenas de limitação amostral.”

Repare no segundo exemplo: relatar o tamanho de efeito em um resultado não significativo é justamente onde ele mais informa. E lembre-se de que informar o n de cada grupo e o valor de t permite que qualquer leitor — inclusive um futuro trabalho de meta-análise — recalcule o d e o g a partir do seu artigo.

A redação do capítulo em torno desses números, com a conexão ao referencial teórico, segue o padrão descrito em análise e discussão dos resultados no TCC. Se o problema é transformar a tabela de saída em texto corrido coerente com a metodologia que você declarou, o Tesify ajuda a estruturar o capítulo a partir do seu próprio material, com referências ABNT automáticas e autoverificação de originalidade.

Perguntas frequentes

O que é tamanho de efeito?

É a medida padronizada da magnitude de um resultado: o quanto dois grupos diferem, ou o quanto de variação uma variável explica. Diferente do p-valor, não depende do tamanho da amostra, e por isso permite comparar achados entre estudos diferentes.

Qual a diferença entre p-valor e tamanho de efeito?

O p-valor indica quão improvável seria o resultado observado caso não houvesse efeito na população; o tamanho de efeito indica a magnitude do efeito. Com amostra grande, diferenças triviais ficam significativas; com amostra pequena, diferenças relevantes podem não alcançar significância. Só relatando os dois o leitor consegue avaliar o achado.

O que significa d de Cohen igual a 0,5?

Em desenhos entre sujeitos, o d pode ser lido como proporção do desvio padrão: um d de 0,5 significa que a diferença entre as médias equivale a meio desvio padrão. Pelos parâmetros de Cohen isso seria um efeito médio, mas esses valores são arbitrários e não devem ser aplicados rigidamente.

Os limiares 0,2, 0,5 e 0,8 são regras oficiais?

Não. São parâmetros sugeridos por Cohen em 1988, e a literatura registra que esses valores são arbitrários e não devem ser interpretados de forma rígida. A justificativa para usá-los é apenas uma: quando o achado é tão novo que não pode ser comparado a resultados relacionados na literatura.

Devo usar d de Cohen ou g de Hedges?

O g de Hedges é a correção de viés do d de Cohen. A diferença entre os dois é muito pequena, sobretudo em amostras acima de 20 casos, mas relatar o g é preferível e igualmente fácil, já que os programas calculam ambos.

Preciso relatar tamanho de efeito no TCC de graduação?

Sempre que o trabalho aplicar um teste de hipótese, sim. Relatar apenas o p-valor esconde tanto a diferença trivial que ficou significativa por causa do n grande quanto a diferença relevante que não alcançou significância por causa do n pequeno.

Tamanho de efeito serve para calcular o tamanho da amostra?

Serve, e é justamente uma das suas três funções principais. Em uma análise de poder a priori, você informa o efeito que espera encontrar, o nível de significância e o poder desejado, e obtém o n necessário. O mínimo de poder geralmente aceito é 0,80.

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