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TCC de Estudo de Caso em Empresa (Administração) em 2026: Passo a Passo da Autorização ao Capítulo Escrito

O TCC de Administração feito dentro de uma empresa é o formato mais comum do curso e o que mais atrasa: não pela escrita, mas pela sequência de decisões que precisam acontecer antes dela — conseguir a autorização, escolher o que diagnosticar, coletar sem atrapalhar a operação e transformar tudo isso num capítulo que a banca reconheça como pesquisa, e não como relatório de estágio. Este tutorial percorre o caminho inteiro em oito passos numerados, com os instrumentos de diagnóstico que a Administração usa, os documentos que a empresa vai pedir e o plano B para o caso de a porta fechar no meio do semestre.

Antes de começar: estudo de caso não é relatório de estágio

A diferença está na pergunta. O relatório descreve o que a empresa faz; o estudo de caso responde a uma pergunta sobre por que algo acontece ali e o que isso revela à luz da teoria. Sem pergunta, o trabalho vira uma apresentação institucional com organograma, e a banca de Administração reprova exatamente por isso. O desenho metodológico — caso único ou múltiplo, unidade de análise, validade e triangulação — está em estudo de caso como metodologia segundo Yin; aqui o foco é o roteiro prático de quem já decidiu que o TCC será feito numa organização.

Uma segunda distinção: diagnóstico não é consultoria. O TCC identifica e explica o problema; propor um plano de ação é opcional e, quando aparece, vai nas considerações finais como desdobramento, não como resultado. Muitos cursos aceitam o formato de TCC aplicado com proposta de intervenção; confirme no regulamento qual é o seu caso antes do passo 3.

Passo 1: escolher a empresa pelo acesso, não pelo tamanho

A empresa ideal para o TCC é aquela em que alguém com poder de decisão atende o seu telefone. Uma multinacional onde você conhece um analista é pior do que a distribuidora de vinte funcionários onde você conhece o dono, porque o estudo de caso depende de três acessos que só a direção concede: documentos internos, tempo dos gestores para entrevistas e permissão para observar a rotina.

Faça o teste de viabilidade em uma conversa de quinze minutos com o responsável, antes de escrever o projeto:

  • Existe um problema que a própria empresa reconhece? (Rotatividade, atraso de entrega, queda de margem, estoque parado, retrabalho.) O tema do TCC nasce daí, não da sua preferência.
  • Há registros? Planilhas de vendas, relatórios do sistema de gestão, indicadores de RH, atas de reunião. Sem registro, o diagnóstico fica só na percepção.
  • Quem pode ser entrevistado e quando? Três a seis pessoas de níveis diferentes é o usual; se só o dono aceita falar, o caso é frágil.
  • A empresa aceita aparecer com o nome? Se não, o trabalho usa nome fictício e o setor de atividade, o que é perfeitamente aceito.

Passo 2: formalizar a autorização e o sigilo

A autorização precisa existir por escrito antes da coleta, por três razões: a coordenação do curso pede, o comitê de ética pode pedir, e o gestor que autorizou verbalmente pode ser substituído. O documento é a carta de anuência, assinada por quem tem poder para conceder o acesso, e o modelo com os itens obrigatórios está em carta de anuência para coletar dados no TCC.

Junto com ela, resolva o sigilo. A empresa costuma pedir um termo de confidencialidade cobrindo dados financeiros, nomes de clientes e fornecedores e qualquer informação estratégica. Isso não impede a pesquisa: números podem ser apresentados em índices e variações percentuais, clientes viram categorias e a empresa vira “Empresa Alfa, distribuidora de médio porte do interior de São Paulo”. As regras para usar registros internos sem violar o acordo — e sem violar a LGPD quando houver dados de pessoas — estão em usar dados da empresa no TCC.

Sobre ética: entrevistar colaboradores identificáveis é pesquisa com seres humanos. A Resolução CNS nº 510/2016, que trata das ciências humanas e sociais, lista os casos que dispensam registro no sistema CEP/Conep, mas a interpretação varia entre instituições — pergunte à coordenação do seu curso qual é o procedimento antes de marcar a primeira entrevista, e prepare o termo de consentimento livre e esclarecido de qualquer forma.

Mesa de reunião numa pequena empresa com um gestor e um estudante revisando planilhas impressas e um documento de autorização
A carta de anuência e o termo de confidencialidade vêm antes da primeira planilha aberta.

Passo 3: transformar o problema da empresa em pergunta de pesquisa

O gestor diz “a rotatividade está alta”. Isso é um sintoma, e o TCC precisa de uma pergunta. O caminho é perguntar “alta em relação a quê, desde quando, em que área” até chegar a algo como: quais fatores organizacionais explicam a rotatividade dos operadores de logística da Empresa Alfa entre 2024 e 2025, e como eles se relacionam com as práticas de gestão de pessoas adotadas?

A pergunta define a teoria. Rotatividade chama a literatura de gestão de pessoas (clima, comprometimento, práticas de RH); atraso de entrega chama gestão de operações (lead time, capacidade, gargalos); queda de margem chama finanças e custos; perda de clientes chama marketing e qualidade de serviço. O erro comum é escolher a teoria antes do problema e depois forçar o caso a caber nela. A ordem correta — problema, pergunta, teoria, método — e a estrutura geral dos capítulos estão em como fazer o TCC de Administração.

Passo 4: escolher os instrumentos de diagnóstico

A Administração tem um repertório próprio de ferramentas de diagnóstico, e a banca espera ver pelo menos duas delas aplicadas com dados reais, não preenchidas de forma genérica. Cada uma serve a um tipo de problema:

Ferramenta Para que serve no caso Dado que exige Erro típico
Análise SWOT Situar o problema no ambiente interno e externo Entrevistas com gestores, dados de mercado Quadro genérico que serviria para qualquer empresa
Cinco forças de Porter Diagnosticar pressão competitiva e margem Dados do setor, fornecedores, clientes Aplicar sem nenhum dado do setor
Mapeamento de processos (fluxograma) Localizar gargalo, retrabalho, espera Observação direta, tempos medidos Desenhar o processo como deveria ser, não como é
Diagrama de Ishikawa Organizar causas de um problema de qualidade ou operação Sessão com a equipe, registros de ocorrência Causas listadas sem evidência
Matriz GUT ou 5W2H Priorizar problemas e estruturar a proposta Resultado do diagnóstico Usar como diagnóstico em vez de como priorização
Indicadores (KPIs) em série Medir o problema ao longo do tempo Relatórios do sistema, planilhas Um único mês, sem série histórica
Pesquisa de clima ou satisfação Medir percepção de colaboradores ou clientes Questionário com escala validada Criar itens próprios sem pré-teste
As ferramentas de diagnóstico da Administração, o problema a que cada uma responde e o erro que a banca mais aponta.

A regra de combinação: um instrumento de contexto, um de medição e um de causa. Para o caso da rotatividade, por exemplo: SWOT da área de gestão de pessoas (contexto), série mensal de desligamentos e admissões por turno em dezoito meses (medição) e entrevistas semiestruturadas com supervisores e operadores, organizadas num diagrama de causa e efeito (causa). Três fontes diferentes sobre o mesmo problema é o que Yin chama de triangulação, e é ela que separa o estudo de caso da opinião.

Passo 5: coletar sem atrapalhar a operação

A empresa autorizou, mas não vai parar para o seu TCC. Planeje a coleta em ordem de custo para ela:

  1. Documentos primeiro. Peça de uma vez todos os relatórios, planilhas e registros do período, com uma lista escrita do que precisa. Cada ida atrás de “só mais um dado” gasta a boa vontade que você vai precisar para as entrevistas.
  2. Observação em seguida. Um ou dois turnos acompanhando o processo, com diário de campo datado: o que acontece, quanto tempo leva, onde a fila se forma. É aqui que o fluxograma deixa de ser teórico.
  3. Entrevistas por último. Com os documentos e a observação em mãos, o roteiro fica específico (“o relatório mostra que os desligamentos concentram-se no turno da noite; o que acontece ali?”) e a entrevista rende em trinta minutos. O roteiro e a condução estão em entrevista semiestruturada e grupo focal no TCC.
  4. Questionário só se houver escala validada e população suficiente. Numa empresa de trinta pessoas, uma pesquisa de clima tem trinta respondentes no máximo — funciona como retrato descritivo, não como teste estatístico. Diga isso na metodologia em vez de fingir inferência.

Registre tudo com data, fonte e forma de acesso. A tabela de fontes — documento, período, quem forneceu, em que formato — entra no capítulo de metodologia e é a evidência de que o caso foi pesquisado, não imaginado.

Fluxograma de processo desenhado num quadro branco ao lado de gráficos de indicadores impressos e um caderno de campo
Contexto, medição e causa: três instrumentos sobre o mesmo problema é o que faz o caso ficar de pé.

Passo 6: escrever o capítulo do caso

O capítulo de resultados de um estudo de caso empresarial tem uma arquitetura que funciona quase sempre, nesta ordem:

  1. Caracterização da empresa em uma página: setor, porte, tempo de atividade, estrutura, o suficiente para o leitor situar o caso — sem histórico de fundação nem missão e valores copiados do site.
  2. Descrição do problema com dados: a série histórica, o indicador, a comparação com a referência do setor quando houver. É aqui que o gráfico entra, e cada gráfico tem fonte declarada.
  3. Diagnóstico: os instrumentos aplicados, um por seção, com o que cada um revelou. O fluxograma real, o quadro SWOT preenchido com evidência, as categorias das entrevistas com trechos curtos e identificação por código (Supervisor 1, Operador 3).
  4. Síntese: o que os três instrumentos, juntos, dizem sobre a pergunta. Onde convergem, onde divergem, o que ficou sem resposta.

A discussão — o confronto entre o que o caso mostrou e o que a teoria previa — é um capítulo à parte, e o roteiro específico da área, com os movimentos que a banca de Administração procura, está em como escrever a discussão do TCC de Administração.

Passo 7: a proposta de intervenção, se o curso pedir

Quando o regulamento prevê TCC aplicado, a proposta vem depois da discussão e responde apenas ao que o diagnóstico encontrou. Um plano 5W2H com três a cinco ações, cada uma ligada a uma causa identificada, com responsável, prazo e indicador de acompanhamento, é o formato mais aceito. O que não cabe: propor um sistema de gestão integrada para uma empresa que não tem nem planilha de estoque, ou uma ação que não decorre de nenhum dado do capítulo anterior. A proposta é julgada pela coerência com o diagnóstico, não pela ambição.

Passo 8: o plano B quando a empresa fecha a porta

Acontece com frequência: o gestor que autorizou sai, a empresa entra em período de auditoria, ou os dados prometidos nunca chegam. O plano B precisa existir no projeto, e há três saídas que preservam o semestre:

  • Reduzir o escopo ao que já foi coletado. Se as entrevistas foram feitas e os documentos não vieram, o caso vira qualitativo e descritivo, com a limitação declarada. Um caso menor com método honesto vale mais que um caso grande com dados inventados.
  • Migrar para fontes públicas. Empresas de capital aberto publicam demonstrações financeiras, relatórios de sustentabilidade e formulário de referência; o caso passa a ser documental, sobre uma empresa que você não precisa visitar.
  • Trocar de empresa dentro do mesmo problema. A pergunta sobre rotatividade em operação logística serve para qualquer distribuidora; a teoria e o roteiro de entrevista já prontos migram com você.

Em todos os casos, avise o orientador na semana em que o problema aparecer, não na véspera da entrega. Mudança de campo com dois meses de antecedência é rotina; com duas semanas é reprovação.

Checklist antes de entregar

  • Carta de anuência assinada e termo de confidencialidade arquivados; nome da empresa tratado conforme o acordo.
  • Pergunta de pesquisa formulada sobre o problema da empresa, não sobre o tema da preferência do autor.
  • Pelo menos dois instrumentos de diagnóstico aplicados com dado real; um de contexto, um de medição, um de causa.
  • Tabela de fontes com documento, período e forma de acesso no capítulo de metodologia.
  • Capítulo do caso na sequência caracterização, problema com dados, diagnóstico, síntese.
  • Proposta de intervenção, se houver, ligada causa a causa ao diagnóstico.
  • Plano B registrado no projeto e orientador informado de qualquer mudança de campo.

Escreva o capítulo do caso com os dados já organizados

Com a carta assinada, os instrumentos aplicados e a tabela de fontes montada, o que falta é transformar planilhas, diário de campo e transcrições em capítulo. O Tesify Editor IA ajuda a redigir o estudo de caso seção por seção — caracterização, problema com dados, diagnóstico por instrumento e síntese —, mantendo a sua voz e ajustando o texto às normas ABNT enquanto você escreve. A leitura dos dados e as conclusões sobre a empresa continuam sendo suas.

Escrever o capítulo do meu estudo de caso no Tesify

Perguntas frequentes

Posso fazer o TCC na empresa onde trabalho?

Pode, e é a situação mais comum em Administração. A condição é declarar o vínculo na metodologia, obter a carta de anuência da direção mesmo sendo funcionário e tratar a própria posição como uma limitação — o pesquisador que faz parte da rotina tende a naturalizar o que um observador externo notaria.

A empresa precisa aparecer com o nome verdadeiro no TCC?

Não. Nome fictício com descrição do setor, porte e região é aceito por praticamente todos os cursos e costuma ser exigido pelas empresas. O que não pode faltar é a caracterização suficiente para o leitor entender o contexto do caso.

Quantas entrevistas um estudo de caso em empresa precisa ter?

Não há número fixo; o critério é cobrir os níveis envolvidos no problema — direção, supervisão e operação — e chegar ao ponto em que as respostas começam a se repetir. Três a seis entrevistas costumam bastar numa empresa pequena ou média, desde que combinadas com documentos e observação.

Estudo de caso em empresa precisa passar pelo comitê de ética?

Depende da instituição e do desenho. Entrevistas com pessoas identificáveis configuram pesquisa com seres humanos; a Resolução CNS nº 510/2016 prevê situações que dispensam registro, mas a aplicação varia. Consulte a coordenação do curso antes da coleta e use o termo de consentimento em qualquer cenário.

Posso usar SWOT como única ferramenta de diagnóstico?

Não é recomendável. A SWOT situa o problema, mas não o mede nem explica suas causas. A banca espera ao menos um instrumento de medição — indicadores em série ou questionário — e um de causa — entrevistas, diagrama de Ishikawa ou mapeamento de processo — combinados com ela.

O que fazer se a empresa desistir no meio do TCC?

Avisar o orientador imediatamente e acionar o plano B previsto no projeto: reduzir o escopo ao que já foi coletado, migrar para fontes públicas de uma empresa de capital aberto ou trocar de empresa mantendo a pergunta, a teoria e os instrumentos já preparados.

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