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Jamovi Passo a Passo em 2026: Como Analisar o Questionário do TCC de Graça

O Jamovi resolve o cenário mais comum do TCC quantitativo brasileiro — um questionário, algumas comparações entre grupos e uma escala para conferir — sem licença, sem código e sem depender do horário do laboratório da faculdade. Este é o caminho completo, do arquivo que o Google Forms devolve até a tabela colada no Word, na ordem em que você vai precisar de cada passo.

Passo 1 — Instalar ou usar na nuvem

O Jamovi é software livre e de código aberto, e a versão de computador é gratuita permanentemente. O download fica em jamovi.org, com versões para Windows, macOS e Linux. Vale saber que o projeto declara mais de 5 milhões de downloads e uso em mais de 300 universidades — o que importa aqui não é o número em si, mas o fato de você não estar adotando uma curiosidade obscura na véspera da entrega.

Se você depende de um computador compartilhado, de um notebook antigo ou do laboratório da faculdade, existe a versão na nuvem: o plano de visitante é gratuito, roda no navegador, não exige instalação nem cartão de crédito. Para um TCC com um questionário de porte normal, ela resolve.

Um detalhe que só aparece depois: o Jamovi roda sobre o R e mostra a sintaxe de R equivalente a cada análise que você faz clicando. Isso significa que o tempo investido aqui não é descartável se você seguir para o mestrado — é a ponte mais suave que existe entre a interface de menus e o código.

Passo 2 — Deixar a planilha em formato importável

Noventa por cento dos travamentos acontecem antes de abrir o programa. O Jamovi lê CSV e XLSX, mas espera um retângulo limpo:

  • Uma única linha de cabeçalho, na primeira linha. Nada de título da pesquisa acima, nada de células mescladas.
  • Uma linha por respondente, uma coluna por pergunta.
  • Nomes de coluna curtos e sem quebra de linha. O Google Forms exporta o enunciado inteiro da pergunta como cabeçalho; renomeie para algo como satisf_geral e guarde o enunciado completo em uma aba à parte.
  • Células vazias para dados faltantes — não escreva “não respondeu”, “NA” nem “0”. Um zero é um valor; um vazio é uma ausência, e o Jamovi trata os dois de forma diferente.
  • Vírgula decimal conferida. Se a planilha usa vírgula e o arquivo é lido com ponto, a coluna numérica entra como texto e nenhuma análise aparece.

Se a coleta ainda está aberta, vale montar o formulário já pensando nesta etapa — o passo a passo está em como fazer um questionário de pesquisa no Google Forms.

Passo 3 — Abrir os dados no Jamovi

No menu de arquivo, escolha abrir e selecione a sua planilha. O Jamovi apresenta duas abas na parte de cima: Data, que é a sua planilha, e Analyses, que é a faixa de análises. Todo o resto do trabalho acontece alternando entre as duas.

A primeira conferência é visual: role até o fim da tabela e confirme o número de linhas. Se você tinha 214 respostas e aparecem 213, alguma linha em branco ou algum cabeçalho duplicado se perdeu na exportação. É melhor descobrir agora do que na hora de escrever o “n” na tabela de resultados.

Colunas de uma planilha marcadas com tipos de medida diferentes: nominal, ordinal e contínua
O tipo de medida atribuído a cada coluna decide quais análises o programa vai oferecer — e é a etapa que quase todo iniciante pula.

Passo 4 — Definir o tipo de medida de cada variável

Este é o passo que ninguém conta e que explica a pergunta “por que a variável não aparece na lista do teste?”. Ao importar, o Jamovi adivinha o tipo de cada coluna, e adivinha errado com frequência. Dê dois cliques no cabeçalho da coluna para abrir o editor de variável e escolha:

  • Nominal — categorias sem ordem: sexo, curso, setor, “sim/não”.
  • Ordinal — categorias com ordem: faixa etária, escolaridade, um item isolado de concordância.
  • Continuous — números de verdade: idade em anos, nota, tempo, faturamento, e também o escore somado de uma escala.
  • ID — identificadores que não entram em análise nenhuma, como o carimbo de data ou o número do participante.

Duas consequências práticas. Primeira: uma variável marcada como nominal não aparece na caixa de variáveis dependentes de um teste t, e é isso que está acontecendo quando a lista parece vazia. Segunda: item Likert isolado é ordinal, escore somado da escala é contínuo — a distinção decide metade das análises de um TCC com questionário, e está discutida em escala Likert no TCC.

Ainda no editor de variável, use o campo de rótulos para trocar códigos por nomes legíveis: se o setor está gravado como 1, 2 e 3, escreva Administrativo, Operacional e Comercial ali. As tabelas de saída passam a sair prontas, e você economiza uma hora de digitação no Word.

Passo 5 — Descritivas, frequências e normalidade

Na aba Analyses, o primeiro botão é Exploration, e dentro dele Descriptives. Mova as variáveis para a caixa da direita e você já tem média, mediana, desvio padrão, mínimo e máximo.

Três recursos dessa mesma tela resolvem grande parte do capítulo de resultados:

  1. Frequency tables. Marque a caixa e as variáveis nominais e ordinais saem em tabela de frequência com percentual — exatamente o formato da caracterização da amostra.
  2. Split by. Colocando o grupo nesta caixa, todas as descritivas saem separadas por grupo de uma vez. É o atalho para a tabela comparativa que você teria montado à mão.
  3. Statistics e Plots. No painel Statistics está o teste de Shapiro-Wilk; no painel Plots estão o histograma, o boxplot e o gráfico Q-Q. É a verificação de pressuposto inteira em dois cliques, e a leitura correta desse resultado — que é invertida em relação ao que a intuição sugere — está em teste de normalidade no TCC.

Faça essa etapa antes de qualquer teste. O conteúdo do que sai daqui — o que cada medida significa e como apresentá-la — está detalhado em análise de dados quantitativos no TCC.

Passo 6 — Rodar o teste da sua pergunta

A faixa de análises está organizada por família, e cada botão abre exatamente o teste que o nome indica. O mapa mínimo para um TCC:

Onde fica cada teste na faixa de análises do Jamovi
Sua pergunta Menu Análise
Duas variáveis categóricas se associam? Frequencies Contingency Tables — Independent Samples (qui-quadrado)
Dois grupos independentes diferem? T-Tests Independent Samples T-Test
Houve mudança nas mesmas pessoas? T-Tests Paired Samples T-Test
Três ou mais grupos diferem? ANOVA One-Way ANOVA
Mesma pergunta sem supor normalidade ANOVA One-Way ANOVA (Non-parametric) — Kruskal-Wallis
Duas variáveis numéricas variam juntas? Regression Correlation Matrix
Quanto uma variável prevê outra? Regression Linear Regression

Dois hábitos que valem por um capítulo inteiro. Nas telas de teste t, marque a opção de effect size e a de estatísticas descritivas: você passa a ter, na mesma tabela, o resultado do teste e os números que precisa citar no texto. E, nas telas que oferecem a versão não paramétrica como caixa de seleção — o teste t traz o Mann-Whitney ali mesmo —, marque as duas e compare antes de decidir.

O programa não escolhe o teste por você. Se a decisão ainda está em aberto, a árvore completa por tipo de variável e número de grupos está em qual teste estatístico usar no TCC.

Passo 7 — Alfa de Cronbach da sua escala

Se o seu instrumento é uma escala com vários itens, a consistência interna é praticamente obrigatória. No menu Factor, escolha Reliability Analysis e mova para a caixa apenas os itens daquela escala — não a amostra inteira de perguntas do questionário.

Marque, no painel de estatísticas por item, o alfa se o item for excluído e a correlação item-total. São as duas colunas que dizem se algum item está puxando a escala para baixo. E, ainda nessa tela, use a opção de reverse scaled items para os itens redigidos na negativa: um item invertido que ficou sem recodificação é a causa mais comum de um alfa inexplicavelmente ruim.

Se o instrumento tem subescalas, rode uma análise por subescala. Um alfa único calculado sobre trinta itens que medem três coisas diferentes não responde a pergunta nenhuma. O que fazer com o número que sair está em validade e confiabilidade da pesquisa.

Tabela de resultados sendo transferida do programa estatístico para o documento do TCC
As tabelas saem formatadas e podem ir direto para o documento — mas a numeração e a fonte ainda precisam ser ajustadas às normas do curso.

Passo 8 — Levar as tabelas para o Word

Clique com o botão direito sobre qualquer tabela ou gráfico no painel de resultados e use a opção de copiar. A tabela chega ao Word como tabela editável, não como imagem — o que importa, porque uma tabela colada como figura não pode ser corrigida depois e costuma sair borrada na impressão.

O que o programa entrega ainda não é uma tabela ABNT: falta o título acima, a fonte abaixo, a numeração sequencial e o ajuste de bordas. Esse acabamento está descrito em como fazer tabelas e quadros nas normas ABNT no Word. Uma boa prática é colar todas as tabelas de uma vez, numerá-las na sequência em que serão citadas no texto e só depois escrever os parágrafos que as comentam.

Passo 9 — Salvar o arquivo que a banca pode pedir

Salve o projeto no formato próprio do Jamovi, o arquivo .omv. Ele guarda dados, análises e resultados em um único arquivo compartilhável e reproduzível — abrir o arquivo é reabrir todas as análises exatamente como estavam, com as opções que você marcou.

Isso tem uma consequência prática direta na defesa. Se um membro da banca perguntar qual era o desvio padrão de um subgrupo que não entrou na tabela, você reabre o arquivo e responde em vinte segundos. Guarde também uma cópia da planilha original, intocada, separada do arquivo de trabalho.

Como declarar o Jamovi na metodologia

A banca espera uma frase objetiva com programa, versão, testes aplicados e nível de significância:

“Os dados foram tabulados em planilha eletrônica e analisados no Jamovi (versão 2.x). Empregou-se estatística descritiva para a caracterização da amostra; a normalidade das distribuições foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk e a consistência interna da escala pelo alfa de Cronbach. Para a comparação entre os dois grupos aplicou-se o teste de Mann-Whitney, adotando-se nível de significância de 5%.”

Confira o número da versão na tela de informações do próprio programa antes de escrever — é o tipo de detalhe que um arguidor confere. E não há nenhuma desvantagem em declarar um software gratuito: o que se avalia é a adequação do teste à pergunta e a correção da interpretação, não a marca do programa, como discutido no comparativo SPSS, R, Jamovi ou Excel para analisar dados do TCC.

Erros que travam o iniciante

  • Importar a planilha com o cabeçalho na terceira linha. O programa lê a linha 1 como nomes de coluna, e o resto vira lixo.
  • Deixar a coluna numérica como texto por causa da vírgula decimal. O sintoma é a variável não aparecer nas análises numéricas.
  • Preencher os faltantes com zero. A média sai errada e ninguém percebe.
  • Rodar o alfa sobre o questionário inteiro em vez de sobre a escala.
  • Esquecer de recodificar os itens invertidos antes de somar o escore.
  • Fechar o programa sem salvar o .omv, guardando apenas as tabelas coladas no Word. Se a banca pedir um número que não está no texto, ele desapareceu.
  • Escolher o teste dentro do programa, clicando até algo dar significativo. A decisão do teste é anterior e vem do desenho da pesquisa.

Com as tabelas prontas, sobra a parte que o software não faz: transformar os números em capítulo escrito, coerente com o que a metodologia prometeu e amarrado ao referencial teórico. É onde o Tesify entra, ajudando a estruturar o texto do TCC a partir do seu próprio material, com referências ABNT automáticas e autoverificação de originalidade. Os cálculos continuam sendo seus.

Perguntas frequentes

O Jamovi é realmente gratuito?

Sim. O Jamovi é software livre e de código aberto, e a versão de computador é gratuita permanentemente. Há também uma versão na nuvem cujo plano de visitante é gratuito, sem instalação e sem cartão de crédito, útil quando você depende de um computador compartilhado.

A banca aceita análise feita no Jamovi?

Sim. O que se avalia é a adequação do teste à pergunta de pesquisa e a correção da interpretação, não a marca do programa. Basta informar na metodologia qual software e qual versão foram utilizados.

Como importar as respostas do Google Forms no Jamovi?

Baixe as respostas como planilha, salve em CSV ou XLSX com uma única linha de cabeçalho e uma linha por respondente, e abra o arquivo pelo menu do Jamovi. Depois verifique o tipo de medida de cada coluna antes de rodar qualquer análise.

Onde fica o alfa de Cronbach no Jamovi?

No menu Factor, em Reliability Analysis. Você move os itens da escala para a caixa de itens e marca as opções por item, incluindo o alfa se o item for excluído e a correlação item-total.

O Jamovi faz teste de normalidade?

Faz. Em Exploration e depois Descriptives, o painel Statistics traz o teste de Shapiro-Wilk e o painel Plots traz histograma, boxplot e gráfico Q-Q, que são a inspeção visual complementar.

Preciso salvar alguma coisa além do arquivo do Word?

Sim. Salve o arquivo .omv do Jamovi, que guarda dados, análises e resultados em um único arquivo reproduzível. Se a banca pedir um valor que não está no texto, ele é reaberto em segundos.

Dá para migrar do Jamovi para o R depois?

Dá, e essa é uma das razões para começar por ele: o Jamovi roda sobre o R e mostra a sintaxe equivalente a cada análise feita por menus, o que torna a transição menos abrupta se você seguir para o mestrado.

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