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Análise e Discussão dos Resultados no TCC em 2026: Como Escrever Passo a Passo (com Exemplos)

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Análise e Discussão dos Resultados no TCC em 2026: Como Escrever Passo a Passo (com Exemplos)

Chegar ao capítulo de análise e discussão dos resultados no TCC costuma ser o momento mais temido de toda a jornada acadêmica. Você coletou os dados, escreveu a metodologia, revisou a literatura — e agora precisa transformar números, entrevistas e observações em argumento científico real. É justamente aqui que muita monografia trava. Mas entender a lógica por trás desse capítulo transforma o que parece um abismo em um percurso com etapas claras e previsíveis.

O capítulo de análise e discussão dos resultados não é apenas um relatório do que você encontrou. É o coração intelectual do TCC: onde você mostra que sabe interpretar dados à luz do referencial teórico, reconhece o que esperava e o que surpreendeu, e extrai conclusões que realmente respondem ao problema de pesquisa formulado na introdução do TCC. Sem esse trabalho de interpretação, a pesquisa fica incompleta — você coletou dados mas não produziu conhecimento.

Neste guia você vai encontrar a diferença entre apresentar resultados e discuti-los, como organizar o capítulo (junto ou separado), o que escrever em cada parágrafo e como evitar os erros que derrubam boas pesquisas na banca. Os exemplos ao longo do texto são ilustrativos, criados para demonstrar o padrão de escrita esperado, e não representam dados de pesquisas reais publicadas.

Resposta direta: A análise e discussão dos resultados no TCC é o capítulo onde você apresenta os dados coletados de forma organizada (resultados) e depois os interpreta à luz do referencial teórico, comparando com outros autores e respondendo ao problema de pesquisa (discussão). Pode aparecer em capítulos separados ou integrados, dependendo da abordagem metodológica adotada e das normas da sua instituição.

O que é o Capítulo de Análise e Discussão dos Resultados no TCC?

O capítulo de análise e discussão dos resultados é a parte textual onde você processa o que foi coletado durante a pesquisa. Diferentemente da metodologia — que explica como você pesquisou — este capítulo responde ao o que você encontrou e, mais importante, o que isso significa.

Dentro da estrutura completa do TCC segundo a ABNT NBR 14724, o capítulo de resultados e discussão é um elemento textual obrigatório que vem após a fundamentação teórica e a metodologia. Ele costuma ocupar entre 20% e 35% do corpo do trabalho, variando conforme o tipo de pesquisa adotada.

Três funções essenciais que este capítulo precisa cumprir:

  • Apresentar os dados coletados de forma organizada e compreensível para qualquer leitor da área;
  • Interpretar os achados à luz dos autores e conceitos do referencial teórico que você construiu;
  • Responder ao problema de pesquisa com base em evidências — não em opiniões ou impressões pessoais.

A diferença entre um TCC mediano e um TCC que impressiona a banca está, quase sempre, neste capítulo. Dados bem apresentados com interpretação rasa resultam em nota mediana. Dados apresentados com rigor e interpretados com profundidade mostram maturidade científica real.

Resultados e Discussão: Capítulos Separados ou Juntos?

Diagrama comparativo entre capítulos de resultados e discussão separados ou integrados no TCC
Capítulos separados são mais comuns em pesquisas quantitativas; capítulos integrados prevalecem na abordagem qualitativa.

Essa é uma das dúvidas mais frequentes. A resposta depende de dois fatores: a abordagem metodológica do seu TCC e as diretrizes da sua instituição ou orientador.

Abordagem Formato mais comum Motivo
Quantitativa Capítulos separados Dados numéricos precisam de apresentação objetiva antes da interpretação
Qualitativa Integrados (análise + discussão simultâneas) Temas e categorias emergem com interpretação contínua dos dados
Mista Depende do peso de cada fase Pode ter seção quantitativa separada e análise qualitativa integrada
Estudo de caso Integrados, por categorias ou unidades A análise é inseparável da descrição do caso em si

Se você ainda não consolidou sua abordagem, o artigo sobre pesquisa qualitativa e quantitativa explica as diferenças e ajuda a identificar qual é a mais adequada ao seu problema de pesquisa — o que, por sua vez, determina como você vai estruturar este capítulo.

Regra prática: quando houver dúvida, converse com seu orientador antes de estruturar os capítulos. A ABNT não determina se devem ser separados ou juntos — essa é uma decisão acadêmica, não técnica.

Como Apresentar os Resultados Passo a Passo

A seção de resultados tem um objetivo claro: mostrar o que você coletou de forma organizada, sem interpretação antecipada. A análise e a comparação com outros autores ficam para a discussão.

Passo 1 — Organize os dados antes de escrever

Separe os dados por categorias, variáveis ou questões de pesquisa. Se o seu TCC tem três objetivos específicos, organize os resultados em três blocos correspondentes. Isso deixa a estrutura lógica evidente para a banca e facilita a leitura.

Passo 2 — Escolha o formato de apresentação adequado

  • Pesquisa quantitativa: tabelas e gráficos numerados com legenda conforme a ABNT NBR 14724. Exemplo de referência no texto: “A Tabela 1 apresenta a distribuição de frequência por faixa etária dos participantes.”
  • Pesquisa qualitativa: categorias temáticas com excertos de entrevistas entre aspas, com identificação do participante (E1, E2, P3 etc.) e referência ao instrumento de coleta.
  • Pesquisa documental: quadros comparativos, sínteses cronológicas ou descritivas organizadas por eixos de análise.

Passo 3 — Descreva sem interpretar

Na seção de resultados, use linguagem objetiva e descritiva: “Os dados indicam que…”, “Foi observado que…”, “A maioria dos respondentes apontou…”. Evite frases como “Isso prova que…” ou “Fica claro que…” — reserve-as para a discussão. A objetividade aqui não é frieza: é rigor científico.

Passo 4 — Conecte cada resultado a um objetivo específico

Cada bloco de resultados deve estar visivelmente vinculado a um dos objetivos específicos do trabalho. Resultados que “sobram” e não se conectam a nenhum objetivo geralmente indicam que o escopo do capítulo foi mal delimitado — e isso chama a atenção negativamente na banca.

Como Escrever a Discussão dos Resultados

A discussão é onde sua voz acadêmica aparece com mais força. Aqui você deixa de ser apenas um relator de dados e passa a ser um pesquisador que raciocina sobre o que encontrou. É também o capítulo que mais impressiona — ou decepciona — uma banca examinadora.

Estrutura sugerida para cada bloco da discussão

  1. Retome o resultado: comece referenciando o achado que vai discutir (“O resultado X revelou que…”, “Observou-se que…”).
  2. Interprete: explique o que esse dado significa no contexto da sua pesquisa (“Isso sugere que…”, “Uma possível explicação é…”, “Esse achado indica…”).
  3. Compare com a literatura: traga um ou dois autores do seu referencial e mostre se o resultado confirma, contradiz ou nuança o que já foi estudado anteriormente.
  4. Contextualize: aponte fatores do contexto estudado que podem explicar o resultado — perfil dos participantes, período temporal, características do campo de pesquisa.
  5. Não ignore resultados inesperados: se algo divergiu do esperado, reconheça e tente explicar. Bancas valorizam essa honestidade intelectual mais do que resultados perfeitamente alinhados às hipóteses.
Atenção à linguagem: Evite o verbo “provar” na discussão. Ciência não prova — ela fornece evidências. Prefira “os dados sugerem”, “os resultados indicam”, “há indícios de que”. Essa distinção mostra maturidade epistemológica e é bem recebida por bancas rigorosas.

Como Conectar os Resultados ao Referencial Teórico

Diagrama de conexão entre os resultados da pesquisa, o referencial teórico e a discussão no TCC
A discussão científica exige diálogo contínuo entre os dados coletados e os autores do referencial teórico.

Uma discussão sem diálogo com o referencial teórico é apenas um relato de experiência. A conexão com os autores que você estudou é o que transforma o TCC em pesquisa científica de fato — e é o critério que mais diferencia trabalhos de nota sete dos de nota dez.

Existem três movimentos básicos para fazer essa conexão com eficácia:

  • Confirmar: “Os achados corroboram o que propõe [Autor, ano], para quem [ideia central da obra]. Os dados desta pesquisa reforçam essa perspectiva ao mostrar [resultado específico].”
  • Contrastar: “Diferentemente do observado por [Autor, ano], os dados desta pesquisa indicam [resultado divergente]. Uma possível explicação é [contexto diferente / população diferente / período temporal distinto].”
  • Ampliar: “Os resultados vão além do proposto por [Autor, ano], ao revelar [aspecto novo ou não contemplado na teoria consultada].”

Não é necessário citar todos os autores do referencial em cada parágrafo. Selecione os mais relevantes para cada achado e construa o argumento com profundidade, em vez de produzir um catálogo de citações superficiais. Qualidade argumentativa vale mais do que quantidade de referências.

Lembre-se: a conexão com o referencial também passa pelo capítulo de metodologia. A técnica que você usou para coletar e analisar os dados já determina quais tipos de comparações teóricas são metodologicamente válidas. Não tente discutir causalidade se sua pesquisa foi descritiva ou exploratória, por exemplo — isso abre brechas na defesa.

Limitações do Estudo: Como Apresentar com Segurança

Toda pesquisa tem limitações. Reconhecê-las não é sinal de fraqueza — é sinal de maturidade científica. A banca espera que você saiba delimitar até onde os seus achados podem ser generalizados, e ficará satisfeita com um pesquisador honesto e crítico em relação ao próprio trabalho.

As limitações mais comuns em TCCs incluem:

  • Amostra restrita: quando o número de participantes é pequeno ou não representativo de uma população mais ampla. O padrão de escrita é algo como: “Os resultados se referem ao contexto específico de [instituição/cidade/período] e não devem ser generalizados sem estudos complementares de maior escala.”
  • Tempo de coleta: dados coletados em um período curto podem não capturar variações sazonais, tendências de médio prazo ou fenômenos contextuais momentâneos.
  • Acesso a fontes: dificuldade em acessar documentos restritos, bases de dados pagos ou participantes com perfil específico.
  • Instrumentos de coleta: questionários autoaplicáveis dependem da honestidade do respondente; entrevistas presenciais podem sofrer viés de desejabilidade social.

Apresente as limitações de forma direta e breve — dois a quatro parágrafos são suficientes. Não transforme a seção em uma lista de desculpas nem em uma crise de autoconfiança: uma frase clara e precisa vale mais do que um parágrafo defensivo.

Erros Mais Comuns Neste Capítulo (e Como Evitar)

Erro frequente Como evitar
Misturar resultados e discussão sem estrutura clara Defina no início de cada seção se está descrevendo dados ou interpretando-os
Repetir tabelas e gráficos em texto sem acrescentar análise Cite o elemento visual e acrescente uma observação que não está na tabela
Introduzir autores novos na discussão que não estavam no referencial Use apenas autores já apresentados na fundamentação teórica
Fazer afirmações absolutas sem suporte nos dados Use linguagem de evidência: “os dados sugerem”, “foi observado que”
Ignorar resultados negativos ou contrários à hipótese Discuta-os explicitamente; bancas valorizam pesquisadores honestos com os próprios dados
Começar a conclusão dentro da discussão Reserve a síntese final, retomada de objetivos e implicações para o capítulo de conclusão

Exemplos Ilustrativos de Análise e Discussão

Os exemplos a seguir são fictícios e têm caráter puramente ilustrativo, criados para demonstrar o padrão de escrita esperado. Não representam dados reais de pesquisas publicadas.

Exemplo 1 — Pesquisa quantitativa (Administração / satisfação no trabalho)

Trecho de resultado: “A Tabela 2 apresenta os índices de satisfação dos colaboradores por departamento. O setor de Atendimento ao Cliente registrou o menor índice médio (3,1 em escala de 1 a 5), enquanto o setor de Tecnologia da Informação apresentou a maior pontuação (4,2).”

Trecho de discussão correspondente: “A diferença observada entre os setores pode estar relacionada ao nível de exposição a demandas emocionais contínuas — fenômeno descrito por Maslach e Leiter (1997) como fator desencadeador de esgotamento ocupacional. Esse resultado está alinhado com estudos sobre satisfação em funções de linha de frente, que apontam a intensidade do contato com o público como variável crítica para o bem-estar no trabalho. Ressalta-se, no entanto, que o contexto desta pesquisa — uma empresa de médio porte do setor varejista — pode limitar a generalização desses achados para organizações de diferentes configurações.”

Exemplo 2 — Pesquisa qualitativa (Educação / ensino remoto)

Trecho de análise integrada com discussão: “Ao serem questionados sobre as principais dificuldades enfrentadas no ensino remoto, os docentes participantes relataram, de forma recorrente, a impossibilidade de monitorar o engajamento dos estudantes em tempo real. A professora E3 ilustrou esse ponto: ‘Você fala, fala, e não sabe se alguém está do outro lado.’ Essa percepção dialoga com o conceito de presença pedagógica proposto por Garrison, Anderson e Archer (2000), para quem o feedback imediato é condição central para a aprendizagem colaborativa em ambientes virtuais. A ausência de sinais não-verbais — presença física, expressões faciais, movimentação na sala — privou os professores de informações que normalmente orientam o ritmo e a profundidade da aula.”

Perguntas Frequentes sobre Análise e Discussão dos Resultados no TCC

Quantas páginas deve ter o capítulo de resultados e discussão no TCC?

Não há um número fixo determinado pela ABNT. Em geral, esse capítulo representa entre 20% e 35% do corpo textual do TCC. Em um trabalho com 40 páginas de desenvolvimento, é razoável esperar entre 8 e 14 páginas de resultados e discussão. O que a banca avalia é a qualidade da análise, não o volume de páginas.

Posso usar a primeira pessoa na discussão dos resultados?

Depende da norma interna da sua instituição. A ABNT não proíbe o uso da primeira pessoa, mas muitos programas de graduação exigem a impessoalidade — “observou-se que”, “verificou-se que”. Verifique com seu orientador antes de escolher a voz narrativa e mantenha a mesma escolha ao longo de todo o TCC para garantir consistência.

A discussão é o mesmo que a conclusão no TCC?

Não. A discussão interpreta os resultados à luz do referencial teórico, ainda dentro do escopo dos dados coletados. A conclusão retoma os objetivos do trabalho, sintetiza as principais respostas ao problema de pesquisa e aponta desdobramentos futuros. São capítulos com funções distintas e, na maioria dos TCCs, aparecem separados.

Posso incluir na discussão autores que não citei no referencial teórico?

Tecnicamente sim, desde que a referência conste na lista final do TCC. No entanto, do ponto de vista argumentativo, isso pode enfraquecer a coerência do trabalho. O ideal é que o referencial teórico já contemple os autores mais relevantes para a discussão. Se surgiu um autor crucial durante a análise, considere incluí-lo também na fundamentação teórica para manter a consistência interna do trabalho.

O que fazer se os resultados contrariaram minha hipótese?

Discuta honestamente o que os dados mostram. Resultados que contradizem a hipótese são cientificamente válidos e frequentemente mais relevantes para a literatura do que os que a confirmam. Na discussão, explique possíveis razões para a divergência — limitações da amostra, características específicas do contexto ou lacunas na hipótese inicial. Bancas valorizam pesquisadores que sabem reconhecer o que os dados realmente dizem, mesmo quando não era o que se esperava encontrar.

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