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JBI, CASP, AMSTAR 2 ou RoB 2 em 2026: Qual Ferramenta Avalia a Qualidade dos Estudos da Sua Revisão

Existe uma pergunta que decide qual ferramenta de avaliação crítica você deve usar, e ela não é “qual é a melhor”. É o que exatamente você vai avaliar: uma revisão sistemática inteira, um ensaio randomizado, um estudo observacional, uma pesquisa qualitativa. Cada ferramenta tem um objeto definido, e usar a errada é um erro de método que a banca identifica em segundos.

Antes de tudo: isto não é o PRISMA

A confusão mais comum do assunto é entre dois tipos de instrumento que fazem coisas opostas.

Uma diretriz de relato — PRISMA, STROBE, CONSORT, COREQ — diz o que precisa estar escrito no documento que você produz. Ela orienta a sua escrita. O mapa dessas diretrizes está em PRISMA, STROBE, CONSORT ou COREQ e o conceito em o que é uma diretriz de relato.

Uma ferramenta de avaliação crítica — JBI, CASP, AMSTAR 2, RoB 2, ROBINS-I — serve para julgar a qualidade dos estudos que você leu. Ela orienta o seu julgamento sobre a literatura alheia.

As duas coisas convivem no mesmo trabalho e em momentos diferentes: você avalia os estudos incluídos com uma ferramenta crítica e relata a sua revisão seguindo uma diretriz. Escrever “seguiu-se o PRISMA para avaliação da qualidade dos estudos” é trocar as duas — e é uma frase frequente em TCCs.

Quatro instrumentos de medida distintos representando ferramentas de avaliação crítica com objetos diferentes
Instrumentos diferentes medem objetos diferentes — a escolha não é de preferência.

Cada ferramenta tem um objeto

AMSTAR 2 — avalia revisões sistemáticas

Apresentada por Beverley J. Shea e outros dez autores no BMJ em 2017 (358:j4008). O título do artigo já delimita o objeto: uma ferramenta de avaliação crítica para revisões sistemáticas que incluem estudos randomizados ou não randomizados de intervenções em saúde, ou ambos. O objeto é a revisão — não os estudos dentro dela.

RoB 2 — avalia ensaios randomizados

Apresentada por Jonathan A. C. Sterne e colaboradores — 28 autores ao todo — no BMJ em 2019 (366:l4898), como a ferramenta revisada para avaliação de risco de viés em ensaios randomizados. Se os estudos incluídos na sua revisão são ensaios clínicos randomizados, é aqui que você olha.

ROBINS-I — avalia estudos não randomizados de intervenções

Também de Sterne e colaboradores, com 35 autores, no BMJ em 2016 (355:i4919). É a contraparte da RoB 2 para desenhos em que a alocação não foi aleatória — situação muito mais comum nos temas que um TCC brasileiro costuma investigar.

JBI — listas específicas por desenho

O JBI mantém um conjunto de listas de verificação organizadas por desenho de estudo, e não uma ferramenta única. Constam do seu repositório listas para estudos transversais analíticos, caso-controle, relatos de caso, séries de casos, coortes, acurácia de testes diagnósticos, avaliações econômicas, estudos de prevalência e pesquisa qualitativa, entre outros. Cada uma traz a sua própria orientação de citação.

CASP — listas para leitura crítica, com foco didático

O Critical Appraisal Skills Programme mantém listas de verificação igualmente organizadas por tipo de estudo, com uma vocação declaradamente formativa: são desenhadas para ensinar a ler criticamente, com perguntas em linguagem acessível. Por isso são muito usadas em disciplinas de graduação e em TCCs — o que é uma escolha legítima, desde que declarada.

Tabela de decisão

Checklists impressos de avaliação crítica com extensões diferentes ao lado de artigos
Uma revisão com estudos de desenhos variados usa mais de uma lista — e isso é correto, não inconsistente.
Qual ferramenta para qual objeto
O que você vai avaliar Ferramenta indicada Referência de origem
Uma revisão sistemática AMSTAR 2 Shea et al., BMJ, 2017;358:j4008
Ensaio clínico randomizado RoB 2 Sterne et al., BMJ, 2019;366:l4898
Estudo não randomizado de intervenção ROBINS-I Sterne et al., BMJ, 2016;355:i4919
Transversal, coorte, caso-controle, prevalência Lista JBI do desenho correspondente JBI, listas por desenho
Pesquisa qualitativa Lista JBI ou CASP de pesquisa qualitativa JBI / CASP
Leitura crítica formativa, em qualquer desenho CASP CASP, listas por tipo de estudo

Uma consequência prática que costuma gerar dúvida: se a sua revisão incluiu estudos de desenhos diferentes, você vai usar mais de uma ferramenta — e isso é o procedimento correto, não uma incoerência. O que não se pode é aplicar uma lista de coorte a um estudo qualitativo só para manter a tabela uniforme.

O erro da AMSTAR 2

Diagrama distinguindo avaliar a revisão inteira de avaliar cada estudo incluído nela
A caixa e o conteúdo da caixa não se avaliam com o mesmo instrumento.

É o engano mais frequente e o mais fácil de evitar. A AMSTAR 2 avalia revisões sistemáticas. Se você fez uma revisão e quer avaliar a qualidade dos estudos primários que incluiu, a AMSTAR 2 não serve — os itens dela perguntam sobre protocolo prévio, estratégia de busca, seleção em duplicata, ou seja, sobre a condução de uma revisão. Aplicá-la a um estudo transversal produz respostas sem sentido, e quem conhece a ferramenta percebe imediatamente.

A AMSTAR 2 é a ferramenta certa em um caso específico e cada vez mais comum: quando a sua própria revisão é uma revisão de revisões (overview), e portanto os seus estudos incluídos são revisões sistemáticas. Aí o objeto bate.

A regra geral que evita todos os erros dessa família: abra a ferramenta e leia o objeto declarado no seu título e nas primeiras linhas antes de aplicá-la. Todas as cinco declaram explicitamente o que avaliam.

Ferramentas mudam de versão

Um detalhe que quase nenhum TCC observa e que vale nota: essas ferramentas são revisadas, exatamente como as normas técnicas.

O nome já denuncia em dois casos — AMSTAR 2 e RoB 2 são segundas versões. E o JBI informa em seu próprio material que as ferramentas foram revisadas, remetendo a publicações que detalham a revisão e mantendo a orientação de citação atualizada para cada lista; a lista revisada de estudos transversais analíticos, por exemplo, é citada por uma publicação de 2026 no JBI Evidence Synthesis.

Duas consequências práticas. Primeira: diga qual versão você usou, com a referência correspondente — “aplicou-se a lista do JBI” sem versão nem citação é o mesmo problema descrito em qual versão da norma ABNT o seu TCC deve seguir, transposto para instrumentos metodológicos. Segunda: baixe a ferramenta do site oficial da instituição que a mantém, não de um PDF solto encontrado em uma busca — o arquivo solto pode ser de uma versão anterior, e você não terá como saber.

Como declarar no método

Um modelo que cobre o que se espera:

A avaliação crítica dos estudos incluídos foi realizada com [ferramenta e versão], conforme [referência], aplicada de forma independente por [n] avaliador(es). Para os estudos de desenho [x] utilizou-se [ferramenta correspondente]. As divergências foram resolvidas por [procedimento]. Os resultados da avaliação são apresentados no [quadro/apêndice x] e foram utilizados para [interpretar os achados / ponderar a síntese / conduzir análise de sensibilidade], não tendo sido empregados como critério de exclusão.

Repare no fecho, porque ele carrega a decisão metodológica mais importante: o que você faz com o resultado da avaliação. Avaliar qualidade e não usar o resultado para nada é trabalho perdido; usar o resultado para excluir estudos é uma escolha que precisa ser coerente com o método declarado.

E aqui há uma diferença que importa muito no Brasil. Na revisão integrativa, o método prevê uma etapa própria de avaliação dos estudos, mas a qualidade metodológica não deve funcionar como critério de exclusão — você avalia para interpretar, não para descartar. Numa revisão sistemática clássica, ao contrário, a avaliação de risco de viés frequentemente informa a síntese e pode motivar análises de sensibilidade. A escolha entre os formatos está em qual tipo de revisão de literatura o seu TCC precisa, e o percurso com PRISMA em revisão sistemática de literatura.

Se a triagem anterior foi apoiada por alguma automação, ela também entra no relato — o que declarar está em IA na triagem de artigos da revisão. E os critérios que definiram quem entrou na amostra, em critérios de inclusão e exclusão.

Aplicar a ferramenta é trabalho intelectual; transformar dezenas de julgamentos em um quadro coerente e num capítulo bem escrito, com cada referência metodológica formatada, é trabalho mecânico. Escreva essa parte no Tesify — as referências em ABNT saem prontas e o texto continua 100% seu.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre diretriz de relato e ferramenta de avaliação crítica?

A diretriz de relato, como o PRISMA, diz o que precisa estar escrito no seu documento. A ferramenta crítica, como a RoB 2 ou as listas do JBI, julga a qualidade dos estudos que você leu. Uma orienta a escrita, a outra o julgamento — e ambas podem aparecer no mesmo trabalho.

Posso usar a AMSTAR 2 nos artigos incluídos na minha revisão?

Só se os incluídos forem revisões sistemáticas. A AMSTAR 2 é ferramenta de avaliação de revisões sistemáticas que incluem estudos randomizados ou não randomizados de intervenções em saúde. Se os seus incluídos são estudos primários, a ferramenta é outra.

Qual ferramenta usar para ensaios clínicos randomizados?

A RoB 2 (Sterne et al., BMJ, 2019;366:l4898). Para estudos não randomizados de intervenções, a ROBINS-I (Sterne et al., BMJ, 2016;355:i4919).

O JBI tem uma ferramenta única para tudo?

Não. Mantém listas específicas por desenho — transversais analíticos, caso-controle, relatos e séries de casos, coortes, acurácia diagnóstica, avaliações econômicas, prevalência e pesquisa qualitativa, entre outras. Escolhe-se a lista do desenho de cada estudo.

Preciso avaliar qualidade em uma revisão integrativa?

Há etapa própria de avaliação dos estudos, mas a qualidade metodológica não deve funcionar como critério de exclusão nesse método: avalia-se para interpretar os resultados, não para descartar estudos.

Posso usar CASP em um TCC de graduação?

Pode, e é uma escolha comum, porque as listas do CASP são desenhadas com finalidade formativa e linguagem acessível. O requisito é o mesmo de qualquer ferramenta: declarar qual lista foi usada, com a referência, e mostrar o que se fez com o resultado.

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