Critérios de Inclusão e Exclusão na Pesquisa em 2026: Como Definir (com Exemplos)

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Critérios de inclusão são as características que um participante, documento ou estudo precisa ter para entrar na pesquisa. Critérios de exclusão são condições que retiram do estudo alguém que já era elegível. Definidos com precisão, eles tornam a amostra reproduzível — e é isso que a banca avalia na seção de metodologia.

Qual a diferença entre os dois?

O erro mais frequente em TCCs é tratar exclusão como o oposto da inclusão. Não é. São dois filtros aplicados em sequência, sobre conjuntos diferentes.

Critério de inclusão Critério de exclusão
Aplica-se a Todo o universo do estudo Apenas a quem já é elegível
Função Define quem pode participar Retira quem, apesar de elegível, comprometeria os dados
Momento Primeiro filtro Segundo filtro
Exemplo Estudantes matriculados no último ano de graduação Estudantes que já haviam concluído outra graduação

Se o critério de inclusão é “estudantes do último ano”, escrever como exclusão “estudantes que não estão no último ano” é redundância pura. Quem não está no último ano nunca entrou na triagem — não precisa ser excluído. Esse é o teste de sobreposição: se o critério de exclusão é a negação literal de um de inclusão, ele deve ser apagado.

Como formular critérios que funcionam

Um bom critério é verificável, objetivo e justificado. Verificável significa que outra pessoa, com a mesma lista, chegaria à mesma amostra.

  1. Use variáveis observáveis. “Ter interesse pelo tema” não é critério; “estar matriculado na disciplina X no semestre Y” é.
  2. Defina limites numéricos exatos. “Adultos jovens” é ambíguo; “18 a 29 anos completos na data da coleta” é operacional.
  3. Justifique cada um. Todo critério precisa responder “por que isso importa para a minha pergunta?”. Critérios sem justificativa são lidos como conveniência disfarçada.
  4. Evite critérios que você não consegue verificar. Se não há como confirmar uma condição declarada pelo participante, ela é fonte de erro, não filtro.
  5. Fixe o momento de aplicação. Critérios aplicados antes da coleta filtram a amostra; aplicados depois, viram descarte de dados e exigem relato explícito.

Esse último ponto é decisivo para a integridade do estudo: excluir participantes depois de ver os resultados, sem critério pré-definido, é manipulação de amostra. A definição do universo e do plano amostral que antecede tudo isso está em delineamento da pesquisa.

Exemplos por tipo de estudo

Tipo de pesquisa Critérios de inclusão Critérios de exclusão
Questionário com estudantes Matriculados no último ano; idade a partir de 18 anos; consentimento assinado Questionários com mais de 10% de itens em branco; respostas com padrão invariante em toda a escala
Entrevistas com profissionais Atuação mínima de dois anos na função; vínculo ativo na instituição estudada Entrevistas interrompidas antes de metade do roteiro; áudio inaudível em trechos centrais
Análise documental Documentos oficiais publicados entre 2020 e 2025; disponíveis em acesso público Documentos com páginas ilegíveis; versões preliminares substituídas por texto consolidado
Revisão de literatura Artigos revisados por pares; português, inglês ou espanhol; texto completo disponível Editoriais, cartas ao editor e resumos de congresso; estudos duplicados entre bases
Estudo de caso em organização Empresa do setor definido, com mais de 50 funcionários; autorização formal de acesso Períodos de operação atípica, como reestruturação societária em curso

Repare que os critérios de exclusão quase sempre tratam de qualidade do dado, não de perfil do sujeito. Essa é a assinatura de uma lista bem construída: o perfil se resolve na inclusão, e a exclusão cuida do que compromete a análise.

Critérios em revisão de literatura

Fluxograma desenhado mostrando registros identificados, triados, elegíveis e incluídos na revisão
O fluxograma de seleção responde antecipadamente à pergunta que toda banca faz: por que só esses artigos?

Em revisões, os critérios cumprem função ainda mais visível, porque a amostra é a própria literatura. A boa prática é apresentá-los junto com bases consultadas, descritores e recorte temporal, e depois relatar o funil numericamente: quantos registros foram identificados, quantos removidos por duplicidade, quantos triados por título e resumo, quantos lidos na íntegra e quantos incluídos.

Esse relato costuma vir em fluxograma. Ele responde antecipadamente à pergunta que toda banca faz — “por que só esses artigos?” — e é o que separa uma revisão sistemática de uma seleção arbitrária de leituras. O procedimento completo está em como fazer revisão bibliográfica passo a passo, e a estratégia de busca que o antecede em pesquisa bibliográfica.

Como redigir na metodologia

Trecho impresso do capítulo de metodologia com os critérios de inclusão destacados
Cada critério vem acompanhado da justificativa e dos números de exclusão: é isso que a banca procura no parágrafo.

A redação é direta e em prosa curta, não em lista solta sem contexto. Um modelo que funciona:

Foram incluídos estudantes matriculados no último ano dos cursos de licenciatura da instituição, com idade igual ou superior a 18 anos, que assinaram o termo de consentimento. Adotou-se esse recorte porque a proximidade da conclusão do curso é o período em que a decisão de permanência já se consolidou, foco desta pesquisa. Foram excluídos os questionários com mais de 10% de itens não respondidos e aqueles com padrão invariante de resposta em toda a escala, por comprometerem a análise de consistência interna. Dos 214 questionários recebidos, 19 foram excluídos por esses critérios, resultando em 195 casos válidos.

Três elementos tornam esse parágrafo forte: cada critério vem com justificativa, os números de exclusão são explícitos e o total final é declarado. A verificação de consistência mencionada ao fim conecta-se ao que se discute em validade e confiabilidade da pesquisa.

Erros que a banca identifica

  • Exclusão como negação da inclusão. Redundância que sinaliza falta de domínio metodológico.
  • Critérios vagos. “Pessoas com bom conhecimento do assunto” não é verificável e não permite replicação.
  • Não relatar quantos foram excluídos. Sem o número, o leitor não avalia possível viés de seleção.
  • Excluir depois de ver os resultados. Compromete a validade e configura problema de conduta.
  • Critérios demais. Cada filtro adicional reduz a amostra; oito critérios de inclusão costumam produzir um grupo pequeno demais para qualquer inferência.
  • Confundir com delimitação do tema. Delimitação define o objeto da pesquisa; critérios definem a composição da amostra. A distinção está em o que é delimitação do tema.

Quando os critérios envolvem seres humanos

Em pesquisas com participantes, a lista de critérios integra o protocolo submetido ao comitê de ética e não pode ser alterada depois da aprovação sem nova solicitação. Critérios que excluem grupos por características protegidas precisam de justificativa científica robusta — excluir por conveniência operacional é problema ético, não apenas metodológico.

O trâmite de submissão e o que precisa constar no protocolo estão descritos em comitê de ética em pesquisa e Plataforma Brasil. Já a operacionalização da coleta com esses filtros aplicados aparece em pesquisa de campo e em grupo focal e entrevista semiestruturada.

Perguntas frequentes

O que são critérios de inclusão e exclusão?

Critérios de inclusão são as características necessárias para entrar na pesquisa; critérios de exclusão são condições que retiram do estudo quem já era elegível. Juntos, definem com precisão quem ou o que compõe a amostra.

Qual a diferença entre critério de exclusão e não atender ao critério de inclusão?

Não atender à inclusão significa nunca ter sido elegível. A exclusão se aplica a quem era elegível mas apresenta condição adicional que impede a participação, como questionário incompleto ou dado inutilizável.

Onde os critérios de inclusão e exclusão aparecem no TCC?

Na metodologia, dentro da descrição de população e amostra, logo após a definição do universo. Em revisões de literatura, aparecem na estratégia de busca, junto com bases, descritores e recorte temporal.

Quantos critérios de inclusão devo definir?

De três a cinco critérios bem justificados costumam bastar em um TCC. Excesso reduz a amostra a tamanho inviável; poucos critérios produzem um grupo heterogêneo demais para sustentar comparações.

Preciso relatar quantos foram excluídos e por quê?

Sim. O número e o motivo de cada exclusão fazem parte da transparência metodológica e permitem avaliar vieses. Em revisões, esse relato costuma vir em fluxograma com identificados, triados, elegíveis e incluídos.

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