Resposta direta: a ABNT não define número mínimo nem máximo de referências. Nenhuma norma fixa essa quantidade. Mas dizer só isso não ajuda quem precisa saber se 18 é pouco ou se 60 é exagero — então medimos. Analisamos a lista de referências completa de 119 artigos científicos com afiliação brasileira publicados em 2024: a mediana foi de 35 referências, com metade dos trabalhos entre 28 e 45. Abaixo, o que esses números significam para o seu caso e o critério que vale mais do que qualquer contagem.
O que a norma realmente diz
A NBR 6023 trata da forma das referências: quais elementos são essenciais, em que ordem aparecem, como se apresenta cada tipo de documento. Ela é silenciosa quanto à quantidade — e o mesmo vale para as demais normas de trabalhos acadêmicos.
Portanto, quando alguém afirma que “a ABNT exige no mínimo 20 referências”, está inventando. Se existe exigência numérica no seu caso, ela vem de outra fonte: o regulamento do seu curso, o manual de normalização da instituição ou o seu orientador. Esse é o primeiro documento a consultar, e o único que efetivamente decide.
Há, porém, uma distinção da norma que importa aqui e que muita gente ignora: referências são as obras citadas no texto — e apenas elas. Uma lista de obras lidas mas não citadas é bibliografia consultada, item opcional e separado. Misturar as duas coisas para engordar a lista é um dos erros mais fáceis de detectar.
Os números medidos
Para oferecer uma âncora empírica em vez de um palpite, extraímos o número de entradas da lista de referências de 119 artigos científicos de acesso aberto com afiliação brasileira, publicados em 2024, contando diretamente na estrutura do texto completo de cada um (medição de 17 de agosto de 2026).
| Medida | Valor |
|---|---|
| Mínimo | 5 |
| 1.º quartil | 28 |
| Mediana | 35 |
| 3.º quartil | 45 |
| Máximo | 118 |
| Média | 39,3 |

A distribuição completa:
| Faixa | Artigos | Proporção |
|---|---|---|
| Menos de 20 | 11 | 9% |
| 20 a 29 | 24 | 20% |
| 30 a 39 | 41 | 34% |
| 40 a 59 | 28 | 24% |
| 60 a 99 | 13 | 11% |
| 100 ou mais | 2 | 2% |
Como transferir isso para o seu TCC — com honestidade. Um artigo científico não é um TCC: costuma ser mais curto no texto e mais concentrado no argumento, enquanto um TCC é mais longo, porém frequentemente com literatura mais restrita e mais didática. Não use a mediana de 35 como meta.
O que os números de fato autorizam concluir é a ordem de grandeza: trabalhos científicos brasileiros citam dezenas de fontes, tipicamente entre 28 e 45. Uma monografia com 8 referências está claramente abaixo do patamar de um texto acadêmico; uma com 200 provavelmente inclui obras que não foram lidas nem citadas. Para um TCC de graduação, faixas entre 20 e 40 são comuns e defensáveis — desde que cada entrada corresponda a uma citação real.
Uma nota metodológica que vale a pena registrar, porque ilustra um cuidado geral: uma primeira tentativa de medição usou o contador de referências indexadas da própria base e devolveu mediana de 23. Contando as entradas diretamente no texto completo, a mediana subiu para 35. O contador automático subestimava em cerca de um terço, porque só enxerga as referências que o sistema conseguiu resolver. Foi o mesmo tipo de armadilha encontrado ao medir quanto da literatura brasileira é de acesso aberto — e a lição se repete: confira o número por um segundo caminho antes de publicá-lo.
O que determina o número no seu caso
Quatro fatores, em ordem de peso:
1. O tipo de trabalho. Um TCC de graduação, uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado operam em patamares diferentes, e a escala acompanha a extensão — assunto tratado em quantas páginas deve ter um TCC e em quantas páginas tem uma dissertação de mestrado.
2. O tipo de pesquisa. É o fator que mais muda o número. Em uma revisão sistemática, os estudos incluídos são o objeto de análise e todos entram na lista, somados à literatura metodológica — passar de 60 entradas é rotina. Já um estudo empírico com coleta própria sobre o mesmo tema cita bem menos, porque o peso está nos dados.
3. A área. Em Humanas e Direito, a argumentação se constrói sobre textos, e as listas tendem a ser maiores. Em Exatas e Engenharias, um trabalho pode se sustentar em menos fontes e mais resultados próprios.
4. A maturidade do tema. Um tema clássico tem literatura abundante; um tema emergente pode simplesmente ter pouca coisa publicada. Neste caso, poucas referências não são fraqueza — desde que você demonstre que buscou bem, o que se comprova documentando a estratégia de busca, como descrito em como montar a string de busca com DeCS e MeSH.
O critério que substitui a contagem

Em vez de perguntar “quantas tenho?”, faça três perguntas melhores:
- A correspondência está exata? Toda obra citada no texto está na lista, e toda entrada da lista é citada em algum ponto do texto. É a verificação mais objetiva que existe e a que mais reprova quando falha.
- Os autores incontornáveis do tema estão presentes? Toda área tem trabalhos que qualquer avaliador espera ver. A ausência de um deles pesa muito mais do que uma lista curta.
- Há literatura recente? Se as referências param em 2015, a pergunta óbvia é o que aconteceu no campo desde então.
É esse trabalho de mapeamento — e não a contagem — que produz naturalmente o número certo. O percurso está em como fazer revisão bibliográfica passo a passo.
Erros que a banca nota antes do número
- Entradas nunca citadas no texto. O erro mais comum de quem tenta engordar a lista, e trivial de verificar.
- Excesso de fontes não acadêmicas. Blogs, sites de resumo e conteúdo comercial não sustentam argumento. Sites institucionais e documentos oficiais, sim.
- Citação de segunda mão em série. Muitos “apud” indicam que a obra original não foi lida.
- Referências incompletas ou fora do padrão, o que é problema de forma e não de quantidade — os modelos por tipo estão em como citar livro e como citar artigo de periódico.
- Lista inteiramente em português em um tema com literatura internacional relevante.
Repare no padrão: nenhum desses defeitos é sobre quantidade. Uma lista de 22 referências corretas, atuais, todas citadas e com os autores centrais do campo é melhor do que uma de 60 com metade delas nunca mencionada no texto. É por isso que a pergunta inicial, embora natural, é a menos útil que se pode fazer sobre as referências de um trabalho.
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Perguntas frequentes
Quantas referências deve ter um TCC?
A ABNT não estabelece número mínimo nem máximo. Como âncora empírica, medimos a lista de referências de 119 artigos científicos com afiliação brasileira publicados em 2024: a mediana foi de 35 referências, com metade dos trabalhos entre 28 e 45. Para um TCC de graduação, faixas entre 20 e 40 referências são comuns, mas o número correto é o que cobre a literatura necessária para responder ao seu objetivo — e o regulamento do seu curso prevalece sobre qualquer média.
A ABNT exige um número mínimo de referências?
Não. A NBR 6023 trata da forma das referências — quais elementos incluir e em que ordem — e não da quantidade. Nenhuma norma da ABNT fixa número de fontes. Quando existe exigência numérica, ela vem do regulamento do curso ou do orientador, não da norma.
Qual a diferença entre referências e bibliografia?
Referências são as obras efetivamente citadas no texto — e apenas elas. Bibliografia consultada é uma lista opcional e separada, com obras que embasaram a leitura mas não foram citadas. Na prática, o que a maioria dos cursos exige é a lista de referências, e incluir nela obras não citadas é um erro frequente.
Ter poucas referências reprova?
O que compromete o trabalho não é o número em si, e sim uma revisão que deixa de fora obras centrais do tema. Uma banca percebe a ausência de um autor incontornável muito mais facilmente do que conta as entradas da lista. Poucas referências costumam ser sintoma de busca insuficiente, não a causa do problema.
Referências antigas contam?
Sim, e algumas são obrigatórias. Obras clássicas e fundadoras do campo devem ser citadas na fonte original, independentemente do ano. O que se espera é equilíbrio: os clássicos que sustentam o conceito e a literatura recente que mostra o estado atual da discussão. Uma lista inteira com mais de vinte anos sinaliza que a busca ficou desatualizada.
Uma revisão sistemática precisa de mais referências?
Sim, quase sempre. Em uma revisão sistemática os estudos incluídos são o próprio objeto de análise e todos entram nas referências, somando-se à literatura metodológica e teórica. É comum que essas listas passem de 60 entradas, enquanto um estudo empírico sobre o mesmo tema teria bem menos.
