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Problema de Pesquisa e Hipóteses do TCC em 2026: Como Formular (com Exemplos por Área)

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Problema de Pesquisa e Hipóteses do TCC em 2026: Como Formular (com Exemplos por Área)

Muitos estudantes entregam o pré-projeto ao orientador com uma descrição de tema onde deveria estar o problema de pesquisa e hipótese do TCC — e aí começa o retrabalho. A diferença entre “vou estudar motivação nas organizações” e “em que medida o modelo de gestão por competências influencia o engajamento de colaboradores operacionais no setor varejista?” é a diferença entre um tema e uma pergunta-problema real. Este guia mostra como fazer essa transformação, identificar hipóteses adequadas ao tipo de pesquisa e alinhar tudo antes de escrever uma única linha do capítulo de metodologia.

As normas da ABNT (especialmente a NBR 15287, que regula projetos de pesquisa) não prescrevem um formato único para o problema, mas estabelecem que ele deve ser expresso de forma clara, precisando a situação a ser estudada. Autores de referência como Gil (2017), Marconi e Lakatos (2022) e Severino (2016) convergem em critérios práticos que este artigo sistematiza com exemplos reais por área.

Resposta rápida: O problema de pesquisa é uma pergunta específica, delimitada e viável que orienta toda a investigação. A hipótese é a resposta provisória a essa pergunta — e só existe quando a pesquisa é explicativa ou descritiva-quantitativa. Pesquisas exploratórias e qualitativas geralmente não usam hipótese; usam suposições ou questões norteadoras em substituição.

O que é o Problema de Pesquisa no TCC

O problema de pesquisa é uma pergunta que expressa uma lacuna real de conhecimento ou uma situação que precisa ser compreendida, explicada ou solucionada dentro de um contexto delimitado. Ele nasce da revisão de literatura: ao identificar o que já se sabe sobre um tema, você percebe o que ainda não foi investigado, o que é contraditório nos achados existentes ou o que demanda confirmação em um contexto específico.

Tecnicamente, o problema é formulado como uma interrogação — o que demarca sua diferença de um objetivo (que é um enunciado de intenção) e de uma hipótese (que é uma proposição afirmativa). Gil (2017, p. 26) define problema como “qualquer questão não resolvida que é objeto de discussão, em qualquer domínio do conhecimento”. Essa definição simples carrega um critério essencial: o problema deve ser não resolvido — ou seja, não pode ser respondido diretamente consultando a literatura sem uma investigação própria.

O problema surge, portanto, após a leitura do referencial teórico, não antes dela. Estudantes que formulam o problema antes de ler a literatura correm o risco de investigar algo já amplamente respondido, sem contribuição nova para a área.

Como Transformar um Tema em Pergunta-Problema Delimitada

O caminho prático envolve três movimentos sucessivos:

1. Delimitar o tema em três eixos

Antes de redigir a pergunta, defina: objeto (o que exatamente você vai estudar), contexto (onde e para quem) e tempo (período ou corte temporal). Sem esses três eixos, a pergunta fica ampla demais para ser respondida num TCC.

Eixo Tema amplo (antes) Tema delimitado (depois)
Objeto Motivação no trabalho Engajamento de colaboradores operacionais
Contexto Empresas em geral Redes varejistas do interior de São Paulo
Tempo Sem recorte temporal 2023–2025

2. Identificar a relação ou lacuna central

A pergunta deve evidenciar o que você quer verificar, descrever ou compreender. Use conectivos como “em que medida”, “qual a relação entre”, “como”, “quais fatores”, “de que forma”. Evite “por que” como abertura quando o estudo não tem condições de estabelecer causalidade — nesses casos, prefira “quais fatores estão associados a”.

3. Testar se a pergunta é respondível com seus recursos

Uma boa pergunta-problema é respondível dentro do prazo, do orçamento e do acesso a dados disponível. Se a resposta exige uma amostra nacional, dados sigilosos de governo ou equipamentos de laboratório que você não possui, redimensione o escopo antes de apresentar ao orientador. Viabilidade não é limitação — é parte do bom desenho metodológico.

Os Quatro Critérios de um Bom Problema de Pesquisa

Com base na literatura metodológica consolidada no Brasil (Marconi & Lakatos, 2022; Prodanov & Freitas, 2013), um problema de pesquisa adequado deve atender a quatro critérios:

  1. Clareza: deve ser compreendido sem ambiguidade por qualquer leitor da área, sem termos vagos como “bem-estar”, “qualidade” ou “eficiência” desacompanhados de definição operacional.
  2. Precisão: delimita o fenômeno, a população, o contexto e, quando cabível, o período. Perguntas imprecisas geram dados inespecíficos que não respondem nada de forma concludente.
  3. Verificabilidade empírica: deve ser possível coletar dados que respondam à pergunta. Problemas puramente filosóficos ou normativos (“a inteligência artificial é ética?”) não são problemas de pesquisa empírica — são questões de ensaio argumentativo.
  4. Relevância: deve justificar o esforço investigativo porque preenche uma lacuna, resolve uma controvérsia da literatura ou tem aplicação prática identificável para a área.

Problema vs. Objetivo vs. Justificativa

Esses três elementos são frequentemente confundidos, mas cada um cumpre uma função distinta no projeto de TCC. Entender essa distinção é pré-requisito para estruturar o capítulo de objetivos gerais e específicos do TCC e a justificativa do TCC de forma coerente.

Elemento Forma gramatical Pergunta que responde Exemplo
Problema Interrogação O que investigar? Qual a relação entre carga horária de trabalho e desempenho acadêmico de universitários noturnos?
Objetivo geral Verbo no infinitivo Para que investigar? Analisar a relação entre carga horária de trabalho e desempenho acadêmico…
Justificativa Afirmação argumentativa Por que vale a pena investigar? A proporção crescente de universitários que trabalham torna urgente compreender os efeitos da jornada noturna no rendimento acadêmico.

Uma regra prática: o objetivo geral deve ser a “tradução” do problema em forma afirmativa, usando o verbo que reflita o nível de profundidade da investigação — descrever, analisar, compreender, explicar, avaliar. Problema e objetivo precisam ter a mesma abrangência; se não tiverem, um dos dois está mal formulado.

O que é Hipótese — e Quando NÃO se usa

A hipótese é uma proposição afirmativa e provisória que responde antecipadamente ao problema de pesquisa, sujeita à verificação empírica. Não é um palpite: é uma resposta sustentada por teoria ou evidências prévias da literatura, que o estudo vai testar. Toda hipótese testável implica variáveis mensuráveis e um método capaz de confirmá-la ou refutá-la.

Quando NÃO formular hipótese

A hipótese é inapropriada em dois tipos comuns de TCC:

  • Pesquisa exploratória: quando há pouca literatura sobre o tema, o objetivo é mapear e gerar conceitos — não testar relações. Formular hipótese seria prematuro porque não há base teórica suficiente para uma proposição sustentada. Use questões norteadoras ou pressupostos em vez disso.
  • Pesquisa qualitativa (fenomenológica, grounded theory, etnográfica, narrativa): nesses delineamentos, o pesquisador parte sem hipótese para não contaminar a abertura interpretativa necessária ao método. Programas de pós-graduação e a CAPES reconhecem essa especificidade. Nesse caso, usam-se suposições iniciais ou simplesmente o problema como fio condutor da investigação.

Para entender melhor quando cada abordagem se aplica, consulte o artigo sobre pesquisa qualitativa e quantitativa, que detalha os critérios de escolha do método.

Quando formular hipótese

A hipótese é obrigatória ou fortemente esperada em:

  • Pesquisas explicativas que investigam causalidade: experimentos, quase-experimentos, análise de regressão.
  • Pesquisas descritivas quantitativas que testam associações: correlação, qui-quadrado, testes t, ANOVA.
  • Estudos de caso com proposições teóricas explícitas, segundo o modelo de Yin (2018).

Tipos de Hipótese

A literatura metodológica distingue os seguintes tipos principais, frequentemente avaliados nas bancas de defesa de TCC:

Tipo O que afirma Exemplo
H1 (alternativa / de pesquisa) Afirma a relação ou diferença esperada Universitários com jornada de trabalho acima de 30h/semana apresentam coeficiente de rendimento acadêmico inferior aos demais.
H0 (nula) Nega a relação; é a hipótese que o teste estatístico avalia diretamente Não há diferença estatisticamente significativa no coeficiente acadêmico entre estudantes com e sem jornada de trabalho elevada.
Hipótese direcional Especifica o sentido da relação (maior/menor, positivo/negativo) Quanto maior a jornada de trabalho semanal, menor o desempenho acadêmico medido pelo CR semestral.
Hipótese não direcional Afirma diferença ou relação sem especificar sentido Existe associação estatisticamente significativa entre jornada de trabalho e desempenho acadêmico.

Em TCCs de graduação, é comum apresentar apenas a H1 (ou a hipótese direcional) sem explicitar formalmente a H0. Ao discutir os resultados estatísticos, porém, a rejeição ou não rejeição da H0 precisa ser mencionada para que a interpretação seja metodologicamente correta.

Variáveis: Identificar e Operacionalizar

A hipótese implica variáveis. Identificá-las corretamente é essencial para desenhar o instrumento de coleta e escolher o teste estatístico mais adequado ao nível de mensuração dos dados.

Tipos de variáveis em TCCs quantitativos

  • Variável independente (VI): o fator que o pesquisador manipula ou considera como causa ou preditor. Exemplo: jornada de trabalho semanal.
  • Variável dependente (VD): o fenômeno que se espera ser influenciado pela VI. Exemplo: coeficiente de rendimento acadêmico semestral.
  • Variáveis de controle: fatores cujo efeito é neutralizado estatisticamente para isolar a relação VI→VD. Exemplo: turno do curso, renda familiar, período cursado.
  • Variáveis moderadoras: afetam a força ou direção da relação VI→VD. Exemplo: a relação entre jornada e desempenho pode ser mais intensa em cursos de alta carga horária semanal.

Operacionalização das variáveis

Operacionalizar uma variável é transformá-la em indicadores mensuráveis. “Engajamento no trabalho” precisa virar a escala de Utrecht (UWES), itens tipo Likert validados para o contexto ou registros comportamentais observáveis — não pode permanecer como conceito abstrato. “Ansiedade” pode ser o PHQ-4, o GAD-7 ou o SRQ-20, dependendo do contexto clínico. Descreva a operacionalização com clareza no capítulo de metodologia; sem isso, a banca questionará a validade de construto da pesquisa.

Alinhamento: Problema → Objetivos → Hipóteses → Método

A coerência interna do TCC — frequentemente denominada consistência lógica pelas bancas examinadoras — exige que cada elemento derive do anterior de forma encadeada. O esquema a seguir resume o alinhamento ideal:

Problema → “Em que medida X influencia Y no contexto Z?”

Objetivo geral → “Analisar a influência de X sobre Y no contexto Z.”

Objetivos específicos → “Descrever X; mensurar Y; identificar fatores moderadores da relação X→Y.”

Hipótese → “X influencia positivamente Y no contexto Z.”

Método → Pesquisa descritiva-quantitativa, survey com escala validada, análise de regressão linear múltipla.

Quando um dos elos se rompe — por exemplo, o objetivo usa o verbo “descrever” mas a hipótese pressupõe causalidade — a banca identifica a inconsistência e solicita reformulação. Para aprofundar a construção da base teórica que sustenta esse alinhamento, consulte o artigo sobre fundamentação teórica e referencial teórico do TCC, que detalha como estruturar o arcabouço conceitual antes de formular as hipóteses.

Uma inconsistência muito comum: o problema é qualitativo (“como os professores percebem…”) mas o objetivo usa verbos quantitativos (“mensurar”, “verificar a correlação”). Problema e método precisam ser da mesma natureza epistemológica. Se você está em nível de pós-graduação, o guia sobre como definir objetivos e perguntas de investigação na tese detalha esses critérios no contexto de dissertações e teses europeias.

Diagrama de alinhamento metodológico mostrando a cadeia lógica entre problema de pesquisa, objetivo, hipótese e método no TCC
Cadeia de coerência interna do TCC: cada elemento deve derivar do anterior de forma encadeada para garantir a consistência lógica avaliada pela banca.

Exemplos de Problema de Pesquisa e Hipótese por Área

Os exemplos abaixo seguem o padrão de formulação recomendado pela ABNT NBR 15287 e foram estruturados para ilustrar a diversidade de abordagens metodológicas por área. São modelos estruturais — não atribuem dados numéricos a estudos reais específicos.

Administração

Problema: De que forma a adoção de modelos de trabalho híbrido afeta o índice de retenção de talentos em empresas de tecnologia de médio porte no Brasil?

Hipótese: Empresas que adotam modelos de trabalho híbrido estruturado apresentam maior taxa de retenção de talentos em comparação a empresas com regimes presenciais obrigatórios.

Método indicado: Survey quantitativo com análise de regressão logística; amostra intencional de colaboradores de empresas do setor.

Saúde

Problema: Qual a associação entre adesão à terapia medicamentosa anti-hipertensiva e controle pressórico em pacientes acompanhados pela Atenção Básica em municípios do interior do Nordeste?

Hipótese: Pacientes com alta adesão ao tratamento farmacológico apresentam valores pressóricos dentro das metas terapêuticas com maior frequência do que pacientes com baixa adesão.

Método indicado: Estudo transversal quantitativo; aplicação do questionário de Morisky (MMAS-8) para mensuração da adesão; teste qui-quadrado e razão de prevalências.

Educação (exemplo qualitativo — sem hipótese)

Problema: Como professores do Ensino Fundamental I constroem sentidos sobre o uso de dispositivos digitais em suas práticas pedagógicas em escolas públicas do município de Recife?

Suposição inicial (em vez de hipótese): As significações são permeadas tanto pela apropriação instrumental das tecnologias quanto por resistências de ordem institucional e formativa.

Método indicado: Pesquisa qualitativa fenomenológica; entrevistas em profundidade; análise de conteúdo temática.

Engenharia

Problema: Em que medida a substituição de 20% do agregado graúdo convencional por resíduo de construção civil (RCC) reciclado afeta a resistência à compressão do concreto estrutural?

Hipótese: A substituição de até 20% do agregado graúdo por RCC reciclado não reduz a resistência à compressão do concreto abaixo dos limites normativos estabelecidos pela ABNT NBR 6118.

Método indicado: Pesquisa experimental laboratorial; ensaios de compressão axial; análise de variância (ANOVA) com pós-teste de Tukey.

Direito

Problema: A aplicação do princípio da insignificância pelos tribunais superiores brasileiros nos crimes contra a ordem tributária diverge dos critérios objetivos fixados pelo Supremo Tribunal Federal?

Proposição argumentativa (em vez de hipótese empírica): Há inconsistência nos critérios de aplicação do princípio da insignificância em crimes tributários entre as turmas do STJ e os precedentes vinculantes do STF, gerando instabilidade jurisprudencial.

Método indicado: Pesquisa documental e jurisprudencial; análise de conteúdo de acórdãos; abordagem qualitativa.

Atenção para Direito: muitos TCCs jurídicos são teórico-dogmáticos e não formulam hipótese no sentido empírico. Trabalham com tese ou proposição argumentativa sustentada pela análise normativa, doutrinária e jurisprudencial. Confirme o padrão adotado pelo seu programa antes de usar a terminologia “hipótese”.

Erros Comuns ao Formular o Problema de Pesquisa e as Hipóteses

  1. Confundir tema com problema: “A saúde mental de universitários” é tema. “Qual a associação entre frequência de uso de redes sociais e sintomas de ansiedade em estudantes de graduação de universidades federais?” é problema.
  2. Problema excessivamente amplo: perguntas que precisariam de uma pesquisa nacional com equipe multidisciplinar para serem respondidas não cabem num TCC de graduação. Delimite o contexto e a população de forma realista.
  3. Hipótese sem suporte teórico: a hipótese não é uma “aposta” — deve ser derivada de teoria consolidada ou de achados empíricos encontrados na revisão de literatura. Uma hipótese sem fundamento teórico não tem base para ser testada.
  4. Hipótese onde deveria haver questão norteadora: formular hipótese em pesquisa qualitativa exploratória contradiz o próprio pressuposto epistemológico do método e costuma ser questionado pela banca.
  5. Variáveis sem operacionalização: dizer “saúde mental” como variável sem definir qual instrumento de mensuração será utilizado inviabiliza o desenho do instrumento de coleta e a análise dos dados.
  6. Desalinhamento entre problema e objetivo: o verbo do objetivo geral deve espelhar o nível de investigação proposto pelo problema — descrever, analisar, compreender e explicar não são sinônimos e implicam delineamentos metodológicos distintos.
  7. HARKing (reformulação pós-coleta): ajustar o problema ou a hipótese depois de ver os dados para que “encaixe” nos resultados obtidos configura um viés metodológico grave — e desonesto. Se houver necessidade real de reformulação, explique o motivo com transparência no capítulo de metodologia.

FAQ — Problema de Pesquisa e Hipóteses no TCC

Todo TCC precisa ter hipótese?

Não. Pesquisas exploratórias, qualitativas e algumas descritivas não exigem hipótese formal. Nesses casos, questões norteadoras ou suposições iniciais substituem a hipótese. O tipo de pesquisa — e não uma regra universal — é que determina se hipótese é pertinente ou não. Confirme com seu orientador qual a expectativa do programa.

Qual a diferença entre problema de pesquisa e questão de pesquisa?

Os termos são frequentemente usados como sinônimos na literatura brasileira. “Problema de pesquisa” é a terminologia mais comum na tradição de Gil, Marconi e Lakatos; “questão de pesquisa” é a tradução mais direta do inglês “research question”, frequente em metodologias de origem anglófona. Ambos designam a pergunta central que orienta a investigação.

Posso ter mais de uma hipótese no TCC?

Sim. Quando o problema envolve múltiplas relações ou variáveis, é comum formular hipóteses secundárias (H1a, H1b, H2…). Cada hipótese deve ser testável com os dados que você vai coletar. Em TCCs de graduação, recomenda-se não ultrapassar três a quatro hipóteses para manter o escopo gerenciável dentro do prazo disponível.

O que acontece se a hipótese for refutada?

A refutação de uma hipótese é um resultado legítimo e relevante — não é fracasso do TCC. Significa que os dados não confirmaram a relação esperada naquele contexto específico, o que em si contribui para o conhecimento científico. Discuta as possíveis razões (limitações metodológicas, particularidades da amostra, interação com variáveis não controladas) e as implicações para pesquisas futuras.

Quantas linhas deve ter o problema de pesquisa?

Não há norma ABNT para número de linhas. O problema pode ser uma única pergunta bem delimitada (três a cinco linhas) ou um parágrafo de contextualização seguido da pergunta central. O que importa é clareza e precisão, não extensão. Perguntas muito longas frequentemente escondem dois ou mais problemas embutidos — sinal de que o escopo precisa ser revisto.

O problema de pesquisa pode ser reformulado após a coleta de dados?

Em pesquisas qualitativas, é metodologicamente aceitável que o problema seja refinado ao longo da investigação, pois o desenho é emergente por natureza. Em pesquisas quantitativas com hipóteses, reformular o problema após a coleta para que “encaixe” nos dados obtidos configura o viés conhecido como HARKing (Hypothesizing After Results are Known) — uma prática antiética que compromete a validade científica do trabalho.

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