O Que é Artigo Científico? Estrutura, Tipos e Como se Diferencia do TCC (2026)
Artigo científico é um texto que apresenta, de forma condensada, os resultados de uma pesquisa original ou uma revisão crítica de literatura, seguindo uma estrutura padronizada — no Brasil, a NBR 6022:2018 — para ser publicado em periódicos, anais de eventos ou repositórios acadêmicos. Diferente de um livro ou de um TCC, ele é objetivo, tem extensão limitada e passa por avaliação de pares antes da publicação.
Se você chegou até aqui depois de ouvir seu orientador pedir “transforme seu TCC em artigo” ou precisa entender o que vai escrever numa disciplina de metodologia, a dúvida é sempre a mesma: qual é a diferença entre um artigo e os outros formatos de trabalho acadêmico, e como ele deve ser estruturado? Este guia responde isso com base na norma vigente da ABNT.
Definição de artigo científico
A própria NBR 6022:2018 define artigo científico como parte de uma publicação periódica que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento. Em termos práticos, é um documento que:
- Comunica um recorte específico de uma pesquisa, não a pesquisa inteira;
- Passa por avaliação de pares (peer review) antes de ser aceito por um periódico;
- Segue formatação e citação padronizadas (no Brasil, normas ABNT; internacionalmente, APA, Vancouver ou as normas próprias do periódico);
- Tem como objetivo divulgar conhecimento para a comunidade científica, e não apenas cumprir uma exigência de curso.
É esse último ponto que mais confunde estudantes: um artigo científico nasce para circular fora da universidade, enquanto o TCC é, antes de tudo, um requisito interno para a obtenção do diploma.
Estrutura segundo a NBR 6022:2018
A norma organiza o artigo em três blocos: elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. A tabela resume o que entra em cada um.
| Bloco | Elementos |
|---|---|
| Pré-textuais | Título e subtítulo (se houver); nome do(s) autor(es) e sua qualificação; resumo na língua do texto (conforme NBR 6028); resumo em língua estrangeira; palavras-chave; data de submissão e aprovação; identificação (DOI ou endereço eletrônico). |
| Textuais | Introdução (delimita o tema e os objetivos); desenvolvimento (metodologia, resultados e discussão); considerações finais (não se chama mais “conclusão” desde a edição de 2018). |
| Pós-textuais | Referências (obrigatório, conforme NBR 6023); glossário; apêndice(s); anexo(s); agradecimentos (opcional, aparece por último). |
Duas mudanças da edição 2018 costumam gerar dúvida em quem estudou pela versão anterior da norma. Primeiro, o título e o resumo em língua estrangeira migraram para os elementos pré-textuais — antes ficavam junto ao corpo do texto. Segundo, o item que antes se chamava “conclusão” passou a se chamar “considerações finais”, reconhecendo que um artigo raramente encerra uma discussão de forma definitiva. Para formatar as referências que fecham o artigo, veja o guia de como citar artigo de periódico pela ABNT.
Vídeo: a estrutura completa do artigo científico segundo a NBR 6022:2018, explicada por biblioteca universitária.
Extensão e formatação prática
A norma não fixa um número exato de páginas — isso varia por periódico —, mas na prática a maioria dos artigos científicos brasileiros fica entre 10 e 20 páginas, bem mais curtos que um TCC ou uma monografia. Fonte Times New Roman ou Arial 12, espaçamento 1,5 no corpo do texto e margens de 3 cm (esquerda/superior) e 2 cm (direita/inferior) são o padrão ABNT geral, embora cada periódico possa ter template próprio no seu site.
Resumo e palavras-chave: exigências da NBR 6028
O resumo é a parte mais lida de um artigo — muitas vezes é tudo que um avaliador ou leitor vê antes de decidir se vale a pena abrir o texto completo. A NBR 6022 remete diretamente à NBR 6028 (que trata de resumos) para definir como ele deve ser escrito:
- Extensão: geralmente entre 150 e 250 palavras, em parágrafo único, sem citações ou abreviações não explicadas.
- Conteúdo: deve conter objetivo, metodologia, resultados principais e considerações finais — nessa ordem lógica, ainda que sem subtítulos internos.
- Verbo na voz ativa e na terceira pessoa: o padrão ABNT recomenda frases afirmativas e concisas, evitando frases longas demais.
- Palavras-chave: normalmente de três a cinco termos, separados por ponto, que representem os conceitos centrais do artigo — eles são o que indexadores como SciELO, Scopus e Google Scholar usam para categorizar o texto em buscas.
- Resumo em língua estrangeira (abstract): obrigatório nos elementos pré-textuais, geralmente em inglês, espelhando fielmente o conteúdo do resumo original — não é uma tradução livre, e sim uma versão equivalente em outro idioma.
Um erro recorrente é escrever o resumo antes de terminar o artigo. Como ele precisa refletir os resultados e as considerações finais reais do trabalho, a prática mais segura é deixá-lo por último, mesmo que apareça primeiro na estrutura final do texto.
Tipos de artigo científico
Nem todo artigo relata um experimento. A literatura acadêmica reconhece pelo menos quatro categorias principais:
- Artigo original (ou empírico): apresenta dados de uma pesquisa de campo, laboratório ou levantamento feito pelo próprio autor.
- Artigo de revisão de literatura: sintetiza e analisa criticamente estudos já publicados sobre um tema, sem coleta de dados própria.
- Artigo teórico: discute ou propõe um modelo, conceito ou marco teórico, sem necessariamente testar dados empíricos.
- Relato de caso ou de experiência: comum nas áreas de saúde e educação, descreve uma situação prática específica e as lições aprendidas com ela.
Saber em qual categoria seu trabalho se encaixa muda diretamente a estrutura do desenvolvimento: um artigo original precisa detalhar metodologia e resultados numéricos; uma revisão de literatura organiza o texto por eixos temáticos ou cronologia dos achados.

Artigo científico x TCC: as diferenças
Essa é a dúvida mais comum entre estudantes de graduação, especialmente quando o professor orientador sugere publicar um recorte do TCC como artigo depois da defesa.
| Critério | Artigo científico | TCC |
|---|---|---|
| Extensão típica | 10 a 20 páginas | 40 a 80 páginas, variando por curso |
| Destino final | Periódico, anais de evento ou repositório | Biblioteca da instituição e banca examinadora |
| Avaliação | Peer review (avaliadores externos, geralmente anônimos) | Banca examinadora, com defesa oral |
| Norma de referência | NBR 6022 | NBR 14724 (trabalhos acadêmicos) |
| Obrigatoriedade | Nunca é obrigatório para se formar | Depende do curso e das DCNs da área |
Na prática, muitos artigos científicos nascem de um TCC: o estudante pega o problema de pesquisa, a metodologia e os resultados já validados na banca e reescreve tudo em um formato mais enxuto, cortando o referencial teórico extenso e adaptando a linguagem para o periódico escolhido. Para entender melhor onde o artigo se encaixa entre os demais formatos acadêmicos, veja a comparação completa entre TCC, monografia, dissertação e tese. Se você já defendeu o TCC e quer transformá-lo em artigo para submissão, o passo a passo em Como Fazer Artigo Científico Passo a Passo (Normas ABNT) detalha essa adaptação.
Quando você vai precisar escrever um artigo na graduação
Três situações são as mais comuns no dia a dia universitário:
- Disciplinas de metodologia científica: muitos cursos pedem um artigo curto como avaliação, simulando o processo de submissão a um periódico.
- Participação em eventos acadêmicos: congressos e semanas científicas costumam aceitar artigos completos ou resumos expandidos, com prazos e templates próprios.
- Publicação após o TCC: quando o orientador identifica potencial de publicação no trabalho de conclusão, sugerindo adaptá-lo para submissão em periódico da área.
Vale notar que a produção de artigos também tem peso institucional: o Brasil publica dezenas de milhares de artigos científicos por ano em bases como SciELO e Scopus, e cada submissão individual passa pelo mesmo funil de revisão por pares descrito neste guia. Para dados atualizados sobre esse volume, veja o panorama de produção científica do Brasil em 2026.
Passo a passo para transformar pesquisa em artigo
- Escolha o periódico ou evento antes de escrever. Cada publicação tem template, limite de páginas e normas de citação próprias — algumas usam ABNT, outras APA ou Vancouver.
- Delimite um recorte específico. Um artigo não cabe uma pesquisa inteira; escolha um objetivo, uma pergunta de pesquisa e um conjunto de resultados.
- Escreva o resumo por último. Ele precisa sintetizar objetivo, método, resultado e conclusão em um único parágrafo — geralmente 150 a 250 palavras, como detalhado na seção anterior.
- Organize o desenvolvimento em metodologia, resultados e discussão. Evite misturar dados brutos com interpretação; separe o que foi encontrado do que isso significa.
- Feche com considerações finais, não uma conclusão fechada. Aponte limitações do estudo e sugestões para pesquisas futuras.
- Formate as referências pela norma exigida. Se o destino for uma revista brasileira em ABNT, siga a NBR 6023 à risca — pequenos erros de pontuação são motivo comum de devolução na revisão.
Ferramentas como o Tesify ajudam nessa etapa de organização — geram estrutura, formatam citações automaticamente em ABNT e ajudam a manter a coerência entre introdução, desenvolvimento e considerações finais, sem substituir a análise dos seus próprios dados.
Erros comuns na hora de escrever
- Copiar a estrutura do TCC sem cortar nada: um artigo não é um resumo do TCC, é um recorte reescrito e enxuto.
- Ignorar o template do periódico: formatação fora do padrão é motivo frequente de rejeição na primeira triagem (desk review), antes mesmo da avaliação de conteúdo.
- Misturar resultados com discussão: bancas e avaliadores esperam ver primeiro o dado, depois a interpretação — não os dois embaralhados no mesmo parágrafo.
- Esquecer o resumo em língua estrangeira: exigido pela NBR 6022 nos elementos pré-textuais e cobrado por praticamente todos os periódicos nacionais.
- Citar sem seguir a norma pedida: confundir ABNT com APA no mesmo texto é um erro recorrente em quem publica pela primeira vez. Para revisar a formatação exata das citações, veja o guia de citação ABNT.
Perguntas frequentes
Artigo científico é a mesma coisa que TCC?
Não. O TCC é um requisito interno de curso, avaliado por banca, seguindo a NBR 14724. O artigo científico é um texto mais curto, destinado à publicação em periódicos ou eventos, avaliado por pares externos e estruturado conforme a NBR 6022.
Quantas páginas tem um artigo científico?
Não há um número fixo na NBR 6022; a extensão é definida por cada periódico ou evento. Na prática, a maioria dos artigos científicos brasileiros fica entre 10 e 20 páginas, bem mais curto que um TCC ou uma monografia.
É obrigatório publicar um artigo científico na graduação?
Não. Publicação de artigo não é exigência para colar grau na maioria dos cursos de graduação no Brasil. Alguns programas de iniciação científica ou de pós-graduação, no entanto, condicionam bolsas ou a defesa a produção de ao menos um artigo.
O que muda entre a NBR 6022 antiga e a versão de 2018?
A edição de 2018 moveu o título e o resumo em língua estrangeira para os elementos pré-textuais e renomeou o antigo item “conclusão” para “considerações finais” nos elementos textuais, além de incluir agradecimentos como elemento pós-textual opcional.
Posso transformar meu TCC em artigo depois da defesa?
Sim, e é uma prática comum. O processo envolve escolher um periódico, delimitar um recorte específico do TCC, reduzir a extensão e reformatar conforme a NBR 6022 e o template exigido pela publicação escolhida.
Quer organizar seu artigo ou TCC com mais agilidade?
Se você está no meio da escrita e precisa formatar citações, organizar capítulos ou manter a coerência entre introdução e considerações finais, o Tesify pode acelerar essa etapa mantendo tudo dentro das normas ABNT — sem substituir a análise que só você pode fazer sobre os seus dados.
Pare de sofrer com o TCC
Monte o sumário, escreva por capítulos e deixe as referências em ABNT prontas — com a sua própria voz. Comece grátis, sem cartão.
Abrir meu editor grátisVer como funciona