Um TCC de Economia pronto para consulta ajuda mais quando mostra a lógica por trás de cada escolha, não só o texto final. Este modelo comentado percorre as seções que a banca espera encontrar num trabalho de Economia — do recorte do tema à conclusão — com um exemplo fictício e ilustrativo em cada etapa, para você adaptar ao seu próprio objeto de estudo.
O que este modelo de TCC de Economia mostra
Um TCC de Economia normalmente segue a estrutura da NBR 14724:2024: elementos pré-textuais (capa, folha de rosto, resumo, sumário), elementos textuais (introdução, referencial teórico, metodologia, resultados, conclusão) e elementos pós-textuais (referências, apêndices). O que muda de um curso para outro é o conteúdo de cada seção — em Economia, isso significa variáveis macro ou microeconômicas, séries históricas e, na maioria dos trabalhos de graduação, dados secundários de fontes públicas em vez de coleta primária cara.
O exemplo fictício usado neste modelo é: “Relação entre a taxa Selic e a concessão de crédito para pequenas e médias empresas no Brasil entre 2015 e 2025”. Todos os números, tabelas e trechos de resultado abaixo são ilustrativos — construídos só para mostrar a lógica de escrita, não dados reais coletados. Ajuste com os números que você efetivamente levantar nas fontes.
Sumário completo: o que entra em cada parte
- Capa e folha de rosto — dados institucionais, título, natureza do trabalho, orientador, conforme o modelo do seu curso.
- Resumo — segundo a NBR 6028:2021, o resumo de trabalhos acadêmicos costuma ficar entre 150 e 500 palavras, com objetivo, método, principal resultado e conclusão em parágrafo único, seguido das palavras-chave.
- Introdução — contextualização do tema, problema de pesquisa, objetivos, justificativa e estrutura do trabalho.
- Referencial teórico — os modelos e a literatura empírica que sustentam a pergunta.
- Metodologia — tipo de pesquisa, fontes de dados, tratamento estatístico.
- Resultados e discussão — o que os dados mostram, interpretado à luz da teoria.
- Conclusão — resposta ao problema, limitações e sugestões de pesquisa futura.
- Referências — toda fonte citada, no padrão NBR 6023:2025.
Tema e recorte: como um TCC de Economia limita o escopo
Um erro comum é escolher um tema amplo demais (“a inflação no Brasil”) sem recorte de tempo, setor ou variável. O recorte reduz o tema a algo pesquisável dentro do prazo de um semestre. No exemplo deste modelo, o recorte é triplo: variável (crédito para PMEs), período (2015–2025) e relação estudada (com a Selic, não com toda a política monetária). Um bom teste é perguntar se o recorte permite responder à pergunta de pesquisa só com as fontes de dados que você já sabe que existem — Banco Central, IBGE ou uma base setorial.
Problema de pesquisa, objetivo e hipótese (exemplo comentado)
O problema de pesquisa de um TCC de Economia costuma ser uma pergunta fechada, testável com os dados disponíveis:
Problema (exemplo fictício): “Em que medida variações na taxa Selic explicam mudanças no volume de crédito concedido a pequenas e médias empresas no Brasil no período 2015–2025?”
Objetivo geral: analisar a relação entre a taxa Selic e o volume de crédito concedido a PMEs no Brasil entre 2015 e 2025.
Objetivos específicos: (1) descrever a trajetória da Selic e do crédito para PMEs no período; (2) verificar a correlação entre as duas séries; (3) discutir possíveis defasagens entre a decisão de juros e o efeito sobre o crédito.
Hipótese (exemplo fictício): elevações da Selic estão associadas, com defasagem, a reduções no volume de crédito concedido a PMEs — coerente com o canal de crédito da política monetária discutido na literatura.
Referencial teórico: as bases que um TCC de Economia costuma citar
O referencial teórico de um TCC de Economia normalmente parte de uma escola ou modelo consolidado antes de entrar na literatura empírica específica do tema. No exemplo deste modelo, isso significa: (1) a teoria dos canais de transmissão da política monetária — como decisões de juros do Banco Central afetam crédito, consumo e investimento —, um tema tratado extensamente na literatura de macroeconomia monetária; (2) o canal do crédito bancário especificamente, que discute como restrições de crédito amplificam o efeito da política monetária sobre empresas menores, mais dependentes de financiamento bancário do que empresas grandes com acesso a mercado de capitais; (3) a literatura brasileira sobre acesso a crédito de PMEs, que costuma vir de working papers e notas técnicas do próprio Banco Central e de artigos em periódicos como a Revista Brasileira de Economia ou a Economia Aplicada.
Um cuidado central aqui: cite apenas artigos que você efetivamente leu. Nunca reproduza uma referência com volume, número e página que você não abriu — se ainda não localizou o artigo original, use uma nota de rodapé ou parágrafo genérico do tipo “a literatura sobre canal de crédito bancário discute…” até confirmar a citação exata.
Metodologia: abordagem, tipo de pesquisa e fontes de dados
A maioria dos TCCs de Economia de graduação usa dados secundários — séries públicas já coletadas por instituições oficiais — porque coletar dados primários de empresas ou consumidores exige tempo e recursos que o prazo de um TCC raramente permite. As fontes mais usadas são o Ipeadata, o Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central, o SIDRA do IBGE e, para dados setoriais mais específicos, bases como as do Sebrae ou da Serasa Experian (estas últimas com acesso mais restrito).
Tipo de pesquisa: no exemplo deste modelo, a pesquisa é descritiva e correlacional, com abordagem quantitativa — descreve a trajetória de duas séries temporais e testa a associação estatística entre elas (por exemplo, com um coeficiente de correlação de Pearson ou um modelo de regressão simples, dependendo do que o orientador validar). Trabalhos de Economia também podem adotar abordagem qualitativa (estudo de caso de uma política pública, análise documental de um plano de desenvolvimento regional) — o ponto é que o tipo de pesquisa precisa ser coerente com a pergunta e justificado, não escolhido por padrão.
Quando o trabalho usa séries temporais, vale mencionar na metodologia os cuidados econométricos básicos que a banca costuma perguntar na defesa: verificar se as séries são estacionárias antes de estimar uma regressão (para evitar o problema conhecido como regressão espúria, em que duas séries parecem correlacionadas só por tendência comum) e declarar a frequência dos dados (mensal, trimestral) e a fonte de cada série. Não é preciso dominar econometria avançada para um TCC de graduação, mas declarar esses cuidados mostra rigor metodológico.
Se o TCC envolver entrevistas ou questionários com pessoas identificáveis (por exemplo, gestores de PMEs), pode ser necessário submeter o projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa via Plataforma Brasil — confirme a exigência com o seu orientador antes de iniciar a coleta, porque isso depende do desenho específico do estudo.
Resultados: trecho ilustrativo

Este trecho é fictício — construído só para mostrar como um resultado de Economia costuma ser redigido, combinando número, tabela e interpretação:
“No período analisado (dados ilustrativos), o volume de crédito concedido a PMEs apresentou trajetória inversa à da Selic em quatro dos cinco ciclos de alta identificados, com defasagem média estimada em torno de dois trimestres. A correlação entre as séries, calculada para o exemplo, foi negativa e estatisticamente significativa ao nível de 5%. Esse padrão é consistente com a hipótese de que elevações de juros restringem o crédito ofertado a empresas menores antes de afetar o crédito a grandes empresas, que têm acesso alternativo ao mercado de capitais.”
Repare na estrutura: descrição do padrão observado, o número-chave (com ressalva de que é ilustrativo), e a interpretação ligada de volta à hipótese e ao referencial teórico. É essa amarração — dado, teste estatístico e teoria — que diferencia um capítulo de resultados de uma simples lista de números.
Conclusão: trecho ilustrativo
“Os resultados deste TCC (fictícios) sugerem que a política monetária afeta de forma diferenciada o crédito a pequenas e médias empresas, com defasagem relevante para o planejamento financeiro desse grupo. As limitações do estudo incluem o uso de dados agregados nacionais, que não captam diferenças regionais ou setoriais, e o curto período de alguns ciclos de Selic analisados. Pesquisas futuras poderiam desagregar os dados por região ou setor econômico, ou incorporar variáveis de controle adicionais, como o nível de inadimplência.”
Uma boa conclusão de Economia nunca promete mais do que os dados sustentam — reconhece limitações (dados agregados, período curto, variáveis omitidas) e aponta caminhos concretos para uma pesquisa futura, em vez de generalizações vagas.
Referências: como citar segundo a NBR 6023:2025

Referências de artigos, working papers e séries de dados seguem a NBR 6023:2025 (3ª edição): autor em caixa alta, título, veículo, volume/número quando aplicável, ano; cada referência separada da seguinte por uma linha em branco de espaço simples — não pelo espaçamento duplo às vezes usado por engano ao longo do texto. Séries de dados públicas (Ipeadata, SGS/BCB, SIDRA/IBGE) são citadas como fonte institucional, com o nome da instituição, o nome da série e a data de acesso.
Erros que a banca costuma apontar em TCCs de Economia
- Confundir correlação com causalidade — afirmar que a Selic “causou” a queda no crédito sem discutir outras variáveis que também mudaram no período.
- Usar uma série de dados sem citar a fonte institucional e a data de acesso, o que impede a banca de replicar o número.
- Referencial teórico genérico demais, sem ligação clara com a pergunta de pesquisa específica do trabalho.
- Reproduzir uma referência bibliográfica (autor, revista, volume, página) que o estudante não abriu — um dos erros mais graves porque compromete a integridade do trabalho.
- Estimar uma regressão com séries não estacionárias sem mencionar esse cuidado na metodologia.
Como o Tesify ajuda a escrever o seu TCC de Economia
O Tesify ajuda você a estruturar cada seção deste modelo com o seu próprio tema — desde a formulação do problema até a formatação das referências em ABNT (NBR 6023/10520) — sempre com você no controle do texto e da interpretação dos seus dados reais. Cadastro gratuito.
Perguntas frequentes
Um TCC de Economia precisa necessariamente de dados quantitativos?
Não. A maioria dos TCCs de Economia de graduação usa dados secundários quantitativos por serem mais acessíveis, mas trabalhos qualitativos — estudo de caso de uma política pública, análise documental de um plano setorial — também são aceitos em muitos cursos, desde que a abordagem seja justificada e coerente com a pergunta de pesquisa.
Quantas páginas costuma ter um TCC de Economia?
Não há um número fixo em norma nacional para a extensão de um TCC — isso varia por curso e por instituição. Consulte o manual de TCC do seu departamento de Economia para a faixa esperada.
Posso usar dados do Banco Central e do IBGE sem autorização?
Sim — as séries do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (BCB) e do SIDRA (IBGE) são de acesso público e livre, bastando citar a fonte institucional e a data de acesso na referência.
Preciso de aprovação de comitê de ética para um TCC de Economia com dados secundários públicos?
Em geral não, quando o trabalho usa apenas dados agregados e públicos já existentes. A exigência de submissão a um Comitê de Ética em Pesquisa passa a valer quando há coleta com pessoas identificáveis — confirme com o seu orientador o enquadramento do seu desenho específico.
Qual a diferença entre um TCC de Economia em formato monografia e em formato artigo?
A monografia segue a estrutura completa da NBR 14724 com capítulos extensos de referencial teórico e metodologia. O formato artigo, cada vez mais aceito em cursos de Economia, é mais enxuto, segue o padrão de uma revista específica indicada pelo curso, e costuma reduzir o referencial teórico a uma seção de revisão de literatura mais direta. Confirme com a coordenação qual formato o seu curso exige.
