O Brasil investiu cerca de 1,23% do seu Produto Interno Bruto em pesquisa e desenvolvimento em 2024, somando aproximadamente R$ 166,4 bilhões entre fontes públicas e privadas, segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil vem em recuperação desde 2021, mas ainda está distante dos patamares de países mais industrializados.
- Brasil investiu ~1,23% do PIB em P&D em 2024 (MCTI)
- Valor total: R$ 166,4 bilhões, alta de 18% frente a 2021
- Divisão quase equilibrada: 0,62% governo e 0,61% setor privado
- Empresas industriais inovadoras (100+ funcionários) investiram R$ 39,9 bilhões em P&D em 2024 (IBGE/PINTEC Semestral)
- Brasil ainda investe menos, proporcionalmente, que Israel, Coreia do Sul, Japão, EUA e Alemanha
Quanto o Brasil Investe em P&D em Relação ao PIB?
Segundo o indicador consolidado do MCTI sobre dispêndio nacional em pesquisa e desenvolvimento, o Brasil destinou cerca de 1,23% do PIB a P&D em 2024, o equivalente a aproximadamente R$ 166,4 bilhões somando recursos públicos e privados. Esse percentual é composto por duas fatias de tamanho parecido: 0,62 ponto percentual vindo de fontes governamentais e 0,61 ponto percentual do setor empresarial privado.
| Indicador | Valor | Fonte / Ano |
|---|---|---|
| Dispêndio nacional em P&D (% do PIB) | ~1,23% | MCTI, 2024 |
| Fonte governamental | 0,62% do PIB | MCTI, 2024 |
| Fonte privada | 0,61% do PIB | MCTI, 2024 |
| Valor total investido | R$ 166,4 bilhões | MCTI, 2024 |
Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), indicador 1.1.3 — Dispêndio nacional em P&D em relação ao PIB, por setor institucional.
O Investimento em P&D no Brasil Está Crescendo ou Caindo?
Está em trajetória de recuperação. Depois de recuar de 1,22% do PIB em 2020 para 1,13% em 2021 — o menor patamar recente —, o percentual voltou a subir para 1,19% em 2022 e se manteve estável em 1,19% em 2023, antes de alcançar cerca de 1,23% em 2024. Em valores absolutos, o montante de 2024 representa crescimento de 18% frente a 2021, segundo o MCTI.
| Ano | Dispêndio em P&D (% do PIB) |
|---|---|
| 2020 | 1,22% |
| 2021 | 1,13% |
| 2022 | 1,19% |
| 2023 | 1,19% |
| 2024 | ~1,23% |
Fonte: MCTI, série histórica do indicador de dispêndio nacional em P&D em relação ao PIB.
A queda de 2021 coincide com o período de maior impacto econômico da pandemia sobre o orçamento público e os investimentos privados em inovação. A retomada gradual observada a partir de 2022 acompanha, em parte, o aumento do volume de bolsas de pós-graduação concedidas pela CAPES, detalhado no levantamento sobre o número de bolsas CAPES em 2026, já que o financiamento de pesquisadores em formação é um componente relevante do dispêndio público em P&D.

Quem Investe Mais em P&D no Brasil: Governo ou Setor Privado?
Em 2024, a divisão entre fontes públicas e privadas ficou praticamente equilibrada — 0,62% do PIB de origem governamental contra 0,61% de origem privada. Essa proximidade é relativamente atípica: em economias mais industrializadas e com setores de tecnologia mais maduros, o investimento privado costuma superar com folga o investimento público, justamente porque empresas de grande porte financiam laboratórios próprios de P&D em escala que o setor produtivo brasileiro ainda não replica de forma generalizada.
No Brasil, o Estado historicamente carrega uma parcela maior da responsabilidade pelo financiamento da ciência via universidades públicas, institutos de pesquisa, CNPq e CAPES — o que também explica por que o crescimento da produção científica do Brasil está historicamente mais atrelado ao desempenho das instituições públicas de ensino superior do que ao investimento corporativo em inovação.
Como Funciona o Financiamento Público de P&D no Brasil?
O financiamento público de ciência e tecnologia no Brasil passa por um conjunto de instituições e mecanismos que operam de forma complementar. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) é uma das principais fontes de recursos para projetos de pesquisa e inovação, sendo operacionalizado principalmente pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao MCTI. Já o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concentra boa parte do financiamento direto a pesquisadores individuais, por meio de bolsas de produtividade, iniciação científica e apoio a projetos, enquanto a CAPES foca no financiamento da pós-graduação stricto sensu.
Essa arquitetura de múltiplas agências — MCTI, Finep, CNPq e CAPES — é parte da razão pela qual o investimento público em P&D no Brasil segue proporção próxima à do investimento privado: diferentemente de países onde grandes corporações concentram boa parte do gasto em inovação, no Brasil uma fatia relevante do esforço de pesquisa nasce dentro de universidades e institutos financiados por essas agências governamentais, e não em departamentos de P&D corporativos.
O Que as Empresas Industriais Investem em P&D?
O IBGE mede o investimento das empresas industriais em P&D por meio de duas pesquisas complementares: a PINTEC tradicional, de periodicidade trienal, relançada em 2026 após oito anos sem nova edição — agora cobrindo o triênio 2023-2025, com resultados ainda não publicados —, e a PINTEC Semestral, uma pesquisa experimental mais recente que já divulga dados anualmente. Segundo a PINTEC Semestral referente a 2024, empresas industriais inovadoras com 100 ou mais pessoas ocupadas investiram R$ 39,9 bilhões em P&D, sendo 85,4% (R$ 34,0 bilhões) provenientes da indústria de transformação e 14,6% (R$ 5,8 bilhões) das indústrias extrativas.
| Segmento industrial | Investimento em P&D | % do total |
|---|---|---|
| Indústria de transformação | R$ 34,0 bilhões | 85,4% |
| Indústrias extrativas | R$ 5,8 bilhões | 14,6% |
| Total (empresas com 100+ funcionários) | R$ 39,9 bilhões | 100% |
Fonte: IBGE, PINTEC Semestral, dados de 2024.
O fato de a indústria de transformação concentrar mais de 85% do investimento privado em P&D mostra que a inovação industrial brasileira ainda está fortemente ligada a setores tradicionais de manufatura, e menos a segmentos de tecnologia de ponta ou serviços intensivos em conhecimento — um padrão distinto do observado em países onde o investimento corporativo em P&D é liderado por setores como software, farmacêutico e semicondutores.

Como o Brasil se Compara a Outros Países em Investimento em P&D?
Mesmo com a recuperação recente, o percentual do PIB brasileiro destinado a P&D permanece muito abaixo do observado em economias mais avançadas em inovação. Segundo comparações internacionais citadas pelo MCTI, os líderes globais investem proporções bem maiores:
- Israel: 6,76% do PIB
- Coreia do Sul: 5,13% do PIB
- Japão: 3,62% do PIB
- Estados Unidos: 3,44% do PIB
- Alemanha: 3,13% do PIB
- Brasil: ~1,23% do PIB
A distância entre o Brasil e os países líderes em investimento em P&D não é apenas proporcional — como o PIB brasileiro é muito maior que o de países como Israel, mesmo um pequeno ganho percentual representaria um salto expressivo em volume de recursos disponíveis para ciência e tecnologia no país. Fechar essa distância de forma sustentável depende tanto de decisões de política pública de longo prazo quanto de uma cultura corporativa de investimento em inovação ainda pouco consolidada fora de poucos setores industriais.
Por Que Esse Investimento Importa Para a Pós-Graduação?
O volume de recursos destinado a P&D tem relação direta com a capacidade do país de formar, empregar e reter pesquisadores qualificados. Um financiamento mais robusto amplia bolsas, projetos e vagas em laboratórios — fatores que ajudam a explicar por que a empregabilidade de mestres e doutores no Brasil cresceu de forma tão acelerada nos últimos anos, mesmo partindo de uma base de investimento proporcionalmente menor que a de outros países.
Essa relação também funciona no sentido inverso: quanto mais mestres e doutores o país forma e emprega em atividades de pesquisa, maior a capacidade instalada para absorver e executar novos investimentos em P&D quando eles chegam. É um ciclo em que financiamento e formação de pessoal qualificado se reforçam mutuamente ao longo do tempo, e que ajuda a contextualizar por que dados como os de quantos mestres e doutores o Brasil forma por ano costumam ser lidos em conjunto com os indicadores de investimento em ciência.
Para os pesquisadores em formação que dependem desses recursos — muitas vezes escrevendo dissertações e teses sob prazos apertados de bolsa —, contar com apoio na organização da escrita acadêmica pode liberar tempo para a pesquisa em si; ferramentas como o Tesify têm sido usadas nesse contexto de otimização do tempo de redação.
Perguntas Frequentes
Quanto o Brasil investe em pesquisa e desenvolvimento em relação ao PIB?
Segundo o MCTI, o Brasil destinou cerca de 1,23% do PIB a pesquisa e desenvolvimento em 2024, sendo 0,62% de fontes governamentais e 0,61% do setor privado, totalizando aproximadamente R$ 166,4 bilhões.
O investimento em P&D no Brasil está crescendo ou caindo?
Está em recuperação. Depois de cair para 1,13% do PIB em 2021, o percentual voltou a subir para 1,19% em 2022 e 2023 e alcançou cerca de 1,23% em 2024, segundo dados do MCTI.
Como o Brasil se compara a outros países em investimento em P&D?
O Brasil investe proporcionalmente menos que países como Israel (6,76% do PIB), Coreia do Sul (5,13%), Japão (3,62%), Estados Unidos (3,44%) e Alemanha (3,13%), segundo comparações internacionais citadas pelo MCTI.
Quem investe mais em P&D no Brasil: governo ou empresas privadas?
Em 2024 a divisão ficou praticamente equilibrada, com 0,62% do PIB vindo de fontes governamentais e 0,61% do setor privado, segundo o MCTI — historicamente o investimento público tem peso maior no Brasil do que em economias mais industrializadas.
O que é a PINTEC e por que ela importa para medir o investimento em P&D das empresas?
A PINTEC é a Pesquisa de Inovação do IBGE, de periodicidade trienal, que mede o investimento das empresas industriais em pesquisa e desenvolvimento; após oito anos sem nova edição, foi relançada em 2026 cobrindo o triênio 2023-2025, com resultados ainda não publicados. O IBGE também produz a PINTEC Semestral, pesquisa complementar mais recente, segundo a qual empresas industriais inovadoras com 100 ou mais funcionários investiram R$ 39,9 bilhões em P&D em 2024.
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