Quem pesquisa “intercâmbio Coreia do Sul faculdade” costuma estar no meio da graduação, com o interesse pela Coreia já despertado por um curso, uma disciplina, a cultura pop ou a tecnologia do país, e uma dúvida prática: dá para ir pela própria universidade brasileira, existe bolsa do governo coreano para brasileiros e o que é preciso fazer antes de comprar a passagem? A resposta curta é que existem caminhos reais, mas cada um tem regras, prazos e públicos diferentes.
Este guia é feito para estudantes de universidades brasileiras. Ele separa o intercâmbio por convênio, que vale por um ou dois semestres da sua graduação, das bolsas Global Korea Scholarship (GKS) para graduação completa e pós-graduação, mostra o que a Embaixada da Coreia no Brasil pede para o visto, organiza os custos e explica como transformar a experiência em créditos, pesquisa e até no tema do seu TCC.
Resposta rápida: o caminho mais direto para um intercâmbio na Coreia do Sul durante a faculdade é o edital de mobilidade da sua universidade, quando ela tem convênio com uma instituição coreana: costuma haver isenção da mensalidade na universidade de destino, e você arca com viagem, moradia e seguro. Para mestrado e doutorado completos, a principal bolsa é a GKS-G, com seleção pela Embaixada da Coreia no Brasil ou direto pela universidade coreana. Comece pelo idioma (inglês ou coreano), confira o calendário do edital e planeje o visto com antecedência.
Os caminhos para estudar na Coreia do Sul sendo brasileiro
Antes de procurar bolsas, identifique em qual situação você está. A tabela resume as quatro rotas mais comuns para estudantes brasileiros:
| Caminho | Para quem | Duração típica | Quem financia | Por onde começar |
|---|---|---|---|---|
| Intercâmbio por convênio | Graduandos matriculados em universidade brasileira com acordo com instituição coreana | Um ou dois semestres | Normalmente isenção de mensalidade no destino; demais custos do estudante, às vezes com auxílio | Escritório de relações internacionais da sua universidade |
| GKS-G (mestrado e doutorado) | Graduados com menos de 40 anos | Um ano de coreano mais dois (mestrado) ou três (doutorado) anos de curso | Governo coreano | Embaixada da Coreia no Brasil ou universidade coreana |
| GKS-U (graduação completa) | Quem concluiu o ensino médio, tem menos de 25 anos e não possui bacharelado | Um ano de coreano mais quatro a seis anos de curso | Governo coreano | Embaixada da Coreia no Brasil |
| Período sanduíche na pós | Doutorandos de programas brasileiros | Alguns meses | Agência brasileira de fomento | Coordenação do seu programa de pós |
A última linha vale para quem já está no doutorado no Brasil e quer passar uma temporada em um laboratório coreano: nesse caso, entenda como funciona o doutorado-sanduíche no exterior (PDSE) e confirme com o seu programa se o destino é aceito. Para a maioria dos leitores deste guia, que estão na graduação, as duas portas principais são o convênio da universidade e, depois de formados, a GKS-G.
Intercâmbio pela faculdade: convênios com universidades da Coreia do Sul
Universidades brasileiras como a Unicamp mantêm acordos de cooperação com instituições coreanas e abrem editais de mobilidade para os seus alunos. A lógica costuma ser a mesma: a universidade brasileira indica o estudante, a universidade coreana dá a palavra final e, enquanto durar o intercâmbio, você segue matriculado no Brasil.
Um exemplo real ajuda a entender o que esses editais pedem. O edital DERI 47/2024 da Unicamp para a Korea University ofereceu uma vaga de um semestre, com início em março de 2025, reservada a estudantes pretos, pardos e indígenas e/ou egressos de escolas públicas. O selecionado ficava isento das mensalidades acadêmicas na universidade coreana e recebia um auxílio de R$ 16.000, custeado por parceria com o Banco Santander, enquanto passaporte, visto, passagem, alojamento, alimentação e seguro saúde ficavam por conta do estudante. O edital também exigia proficiência em coreano ou inglês de, no mínimo, nível B1 e que o aluno ainda tivesse créditos a cursar na Unicamp por pelo menos um semestre depois da volta.
O mesmo documento reproduz restrições da universidade de destino que valem como alerta para qualquer candidato: na Korea University, cursos como Medicina, Enfermagem, Farmácia, Direito e Licenciatura não estavam abertos a intercambistas, e a matrícula em disciplinas era feita por ordem de chegada, sem garantia de vaga. Por isso, antes de se inscrever:
- Confira a lista de convênios ativos no site de relações internacionais da sua universidade e quais instituições coreanas aparecem nela.
- Verifique se o seu curso é aceito pela universidade de destino e quais disciplinas são oferecidas em inglês.
- Leia o calendário do edital: no edital da Unicamp, por exemplo, as inscrições foram em setembro de 2024 para aulas a partir de março de 2025.
- Monte um plano B de disciplinas, já que a vaga em cada matéria não é garantida.
- Consulte a coordenação do curso sobre o aproveitamento das disciplinas antes de viajar.
Bolsa GKS para brasileiros: pós-graduação e graduação
A Global Korea Scholarship é o programa de bolsas do governo coreano, administrado pelo NIIED, para estrangeiros que querem cursar um diploma completo na Coreia. Ela tem editais separados para pós-graduação (GKS-G) e graduação (GKS-U), publicados todos os anos, com avisos no portal Study in Korea e na Embaixada da Coreia no Brasil.
GKS-G: mestrado e doutorado
Segundo as diretrizes oficiais do GKS-G 2026, o programa previa 2.000 bolsistas de pós-graduação: 800 pela via da embaixada (Embassy Track) e 1.200 pela via das universidades (University Track). Na tabela de vagas por país, o Brasil aparecia com 9 vagas gerais pela embaixada e 6 pela via universitária (1 geral e 5 na modalidade regional R-GKS). Os principais requisitos daquele ciclo eram:
- Idade: menos de 40 anos (nascidos depois de 1º de setembro de 1986, no ciclo 2026).
- Notas: desempenho de 80% ou mais em escala de 100 pontos, estar entre os 20% melhores da turma ou ter média equivalente a pelo menos 2,64 em escala de 4,0.
- Duração: um ano de curso de coreano mais dois anos de mestrado ou três de doutorado.
- Idioma: todos os bolsistas precisam atingir o nível 3 do TOPIK para iniciar o curso, e alguns departamentos exigem nível 4.
Os benefícios previstos incluíam passagem aérea em classe econômica, mensalidade de até 5 milhões de wons, curso de coreano de 5,2 milhões de wons e uma mesada de 14.400.000 wons por ano durante o curso de idioma e de 16.560.000 wons por ano durante o mestrado ou doutorado. No ciclo 2026, as inscrições pela via da embaixada foram feitas on-line de 12 a 25 de fevereiro (horário da Coreia), e o resultado final estava previsto para o fim de junho. A Embaixada da Coreia no Brasil, em Brasília, realizou entrevistas com os pré-selecionados em 13 de março de 2026, conforme aviso publicado no seu site. Se o calendário se repetir, o próximo edital deve ser publicado no início de 2027, então este é o momento de juntar histórico, cartas de recomendação e plano de estudos.
GKS-U: graduação completa
A GKS-U não serve para fazer um semestre fora: é uma bolsa para cursar toda a graduação na Coreia. As diretrizes do GKS-U 2027, anexadas ao aviso da Embaixada da Coreia no Brasil de 15 de setembro de 2026, exigiam menos de 25 anos (nascidos depois de 1º de março de 2002) e vetavam quem já tem bacharelado. O bacharelado dura de cinco a sete anos no total, contando um ano de coreano, e a mesada prevista era de 13.560.000 wons por ano no curso de idioma e 14.400.000 wons por ano na graduação, valor descrito como subsídio que cobre custo de vida, moradia e seguro saúde, entre outros itens. Para o Brasil, o aviso listava 3 vagas pela embaixada (1 geral, 1 para descendentes de coreanos e 1 na modalidade R-GKS), e a embaixada publicou, em 17 de outubro de 2026, o aviso de fase finalizada desse ciclo.
As diretrizes do GKS-G também mencionam um programa da GKS para estudantes de intercâmbio sem diploma, e quem já recebeu esse tipo de bolsa pode concorrer depois à pós-graduação. Fique atento aos avisos oficiais, porque a oferta e as regras mudam a cada edição.
Preparação de idioma: TOPIK, hangul e inglês
O idioma é o item que mais demora para ficar pronto e, por isso, deve entrar no plano antes de qualquer edital. Para o intercâmbio por convênio, universidades coreanas como a Korea University oferecem disciplinas em inglês, e editais brasileiros como o da Unicamp aceitam proficiência em inglês ou coreano. Se a sua comprovação for em inglês, vale conhecer os formatos de prova de proficiência em inglês e como se preparar, porque a lógica de preparação é parecida.

Mesmo quando as aulas são em inglês, ler o alfabeto coreano muda a experiência do dia a dia: placas, cardápios, transporte e mensagens da universidade. Para quem está começando do zero, um guia do alfabeto coreano para iniciantes explica vogais, consoantes, a montagem das sílabas e as armadilhas de pronúncia mais comuns para brasileiros. Começar o alfabeto enquanto espera o resultado do edital é uma forma de chegar com o básico já resolvido.
Para a bolsa GKS, o coreano deixa de ser opcional: o nível 3 do TOPIK é exigido para começar o curso, e quem chega com nível 5 ou 6 fica dispensado do ano de idioma. Os resultados oficiais ficam no site oficial do TOPIK, que é a referência indicada pelas diretrizes do GKS para comprovar o nível. Para entender o que cada nível significa, como são as provas e como fazer a inscrição no Brasil, consulte este guia dos níveis e da inscrição no TOPIK e planeje em qual edição você pretende fazer o exame.
Visto: o que a Embaixada da Coreia no Brasil pede
Brasileiros podem usar a autorização eletrônica K-ETA para turismo e visitas curtas, mas a página de vistos da Embaixada da Coreia no Brasil é clara: para permanência de mais de 91 dias ou para intercâmbio, é imprescindível obter o visto na representação diplomática antes de viajar. A emissão leva cerca de cinco dias úteis, e a taxa para entrada simples acima de 90 dias é de R$ 330, paga em dinheiro.
O atendimento depende do estado onde você mora. Residentes de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro são atendidos pelo Consulado-Geral em São Paulo; os demais estados e o Distrito Federal, pela Embaixada em Brasília. Para intercambistas de parcerias entre universidades, a embaixada lista estes documentos:
- Formulário de pedido preenchido em coreano ou inglês.
- Uma foto colorida 3,5 x 4,5 cm, tirada nos últimos três meses.
- Passaporte com validade mínima de seis meses e cópia da página de dados.
- RG original e cópia autenticada (a CNH não é aceita) e CPF.
- Cópia do certificado de registro de pessoa jurídica da instituição de ensino.
- Carta de aceitação emitida pela universidade coreana (Certificate of Admission).
- Comprovante de capacidade financeira; se o extrato for de um dos pais, também o documento que comprova o vínculo familiar.
- Carta de recomendação emitida pelo reitor da universidade brasileira.
- Documentos que comprovem o intercâmbio, como o acordo entre as universidades.
- Comprovante de matrícula apostilado e comprovante de que você concluiu pelo menos um semestre.
Os documentos adicionais por tipo de visto são detalhados no portal oficial de vistos da Coreia, o Korea Visa Portal. As diretrizes do GKS mencionam vistos de residência como D-2 e D-4, e a carta de aceitação da universidade é o documento que destrava todo o processo. Por isso, peça a carta assim que for aprovado e não marque a viagem antes de ter o visto no passaporte.
Quanto custa um intercâmbio na Coreia do Sul
O valor de um intercâmbio depende de quanto tempo você fica, da cidade e de quem paga a mensalidade. No intercâmbio por convênio, a mensalidade no destino costuma ser isenta, como no edital da Unicamp, mas o restante é seu. Use esta tabela para montar o orçamento:
| Item | O que considerar | Onde conferir |
|---|---|---|
| Passagem aérea | Ida e volta, remarcação, bagagem | Companhias aéreas, com antecedência |
| Visto e documentos | Taxa consular, apostilamento, traduções, passaporte | Embaixada ou consulado e cartório |
| Moradia | Dormitório da universidade ou quarto fora do campus | Guia do intercambista da universidade coreana |
| Alimentação e transporte | Refeitório universitário, mercado, transporte público | Conversas com ex-intercambistas |
| Seguro saúde | Cobertura médica, hospitalar e de repatriação | Exigência do edital e da universidade de destino |
| Reserva de emergência | Imprevistos e câmbio | Planejamento próprio |

Dois números oficiais ajudam a calibrar o planejamento. O auxílio do edital da Unicamp citado acima, de R$ 16.000, foi descrito como custeio parcial de um semestre. Já a mesada da GKS-U 2027, de 14.400.000 wons por ano na graduação, é apresentada pelo governo coreano como subsídio que inclui moradia, custo de vida e seguro saúde, uma referência útil para estimar o custo de se manter no país. Converta os valores pelo câmbio do dia em que estiver planejando.
Exemplo ilustrativo: uma estudante aprovada para um semestre por convênio lista as despesas únicas (passagem, visto, seguro e primeiro mês de moradia), soma as despesas mensais estimadas com base no guia da universidade de destino e compara com o auxílio que vai receber e com a ajuda da família. Se a conta não fecha, ela procura outros editais de auxílio antes de confirmar a vaga, porque desistir depois da confirmação pode ter consequências, como prevê o edital da Unicamp.
Como usar o intercâmbio no TCC e no currículo
Um semestre na Coreia rende mais quando é planejado junto com o curso, e não como uma pausa. Três decisões fazem diferença:
- Escolha o momento certo. Editais como o da Unicamp não aceitam alunos no semestre de colação de grau e pedem que você volte com créditos a cursar, que podem ser de estágio ou de TCC. Em muitos cursos, o penúltimo ano é um bom momento.
- Combine o aproveitamento antes de ir. Na Unicamp, o plano de estudos com as disciplinas a cursar no exterior é validado pela coordenação do curso; confirme o procedimento na sua universidade. Guarde ementas e cargas horárias para pedir o aproveitamento na volta.
- Mantenha o orientador por perto. Se o TCC vai começar durante ou logo depois do intercâmbio, combine reuniões on-line e um cronograma realista.
O intercâmbio também pode virar o tema do trabalho. Alguns recortes ilustrativos, que precisam de delimitação com o orientador:
- Políticas de educação ou de inovação no Brasil e na Coreia do Sul: um estudo comparado.
- Consumo de produtos culturais coreanos entre jovens brasileiros.
- Adaptação acadêmica de estudantes brasileiros em universidades coreanas.
- Gestão, logística ou tecnologia em empresas coreanas com operação no Brasil.
Se a pesquisa envolver entrevistas ou questionários com pessoas, submeta o projeto ao comitê de ética da sua universidade antes da coleta, e não durante a viagem. Boa parte das fontes será em inglês, então aprenda a traduzir e citar fontes em inglês no TCC sem perder o controle do texto.
Por fim, registre a mobilidade, as disciplinas e eventuais atividades de pesquisa no seu currículo. Se você pretende seguir para o mestrado, saber como fazer o currículo Lattes ajuda a mostrar a experiência internacional nos processos seletivos. E quem fizer a graduação completa ou a pós na Coreia deve conhecer, antes de voltar, as regras de revalidação e reconhecimento de diploma estrangeiro no Brasil.
Cronograma de preparação
O cronograma abaixo é ilustrativo e deve ser ajustado ao calendário do edital que você escolher:
| Quando | O que fazer |
|---|---|
| 12 a 9 meses antes | Mapear convênios e bolsas, conversar com a coordenação e começar o idioma (hangul, inglês ou TOPIK) |
| 9 a 6 meses antes | Inscrever-se no edital, reunir histórico, cartas e plano de estudos, fazer a prova de idioma |
| 6 a 3 meses antes | Receber a carta de aceitação, pedir o visto, escolher a moradia e contratar o seguro |
| 3 meses antes até a viagem | Comprar a passagem, validar o plano de estudos, combinar o acompanhamento do TCC |
| Na volta | Pedir o aproveitamento de disciplinas e atualizar o currículo |
Perguntas frequentes
Como fazer intercâmbio na Coreia do Sul pela faculdade?
Procure o escritório de relações internacionais da sua universidade e veja se há convênio com instituições coreanas. Se houver, acompanhe os editais de mobilidade, que definem requisitos de nota, idioma e prazos, e confirme com a coordenação o aproveitamento das disciplinas.
Existe bolsa do governo coreano para brasileiros?
Sim. A Global Korea Scholarship tem editais anuais para pós-graduação (GKS-G) e graduação completa (GKS-U). No GKS-G 2026, o Brasil tinha 9 vagas pela embaixada e 6 pela via universitária; no GKS-U 2027, 3 vagas pela embaixada.
Preciso falar coreano para fazer intercâmbio na Coreia do Sul?
Para um semestre por convênio, há universidades coreanas com disciplinas em inglês, e editais como o da Unicamp aceitam proficiência em inglês. Na bolsa GKS-G, é preciso atingir o nível 3 do TOPIK para começar o curso, depois do ano de idioma.
Quanto custa um intercâmbio na Coreia do Sul?
Depende da duração e de quem paga a mensalidade. No convênio, a mensalidade no destino costuma ser isenta, e o estudante paga passagem, visto, moradia, alimentação e seguro. A taxa do visto de longa duração informada pela embaixada é de R$ 330.
Dá para usar o intercâmbio no TCC?
Sim, tanto como fonte de disciplinas aproveitadas quanto como tema de pesquisa, por exemplo em estudos comparados entre Brasil e Coreia. Planeje com o orientador e submeta ao comitê de ética qualquer pesquisa com pessoas.
Qual visto preciso para estudar na Coreia do Sul?
Para intercâmbio ou estadias acima de 91 dias, é preciso visto emitido pela Embaixada em Brasília ou pelo Consulado-Geral em São Paulo, conforme o estado onde você mora. A K-ETA cobre turismo e visitas curtas e não substitui o visto.
