O Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior permite passar de quatro a nove meses pesquisando fora do país sem interromper o doutorado no Brasil. E há um fato de procedimento que decide quem consegue: você não se candidata diretamente à CAPES. A seleção começa dentro da sua própria universidade — e é essa etapa que a maioria descobre tarde demais.
O que é o PDSE
O objetivo declarado do programa é “apoiar a formação de recursos humanos de alto nível por meio da concessão de bolsas de doutorado sanduíche no exterior”, com prioridade para pesquisa em áreas do conhecimento menos consolidadas no Brasil.
O nome “sanduíche” descreve bem o desenho: você continua matriculado e vinculado ao seu programa brasileiro, sai para um período de pesquisa numa instituição estrangeira e volta para concluir e defender aqui. Não é um doutorado no exterior — é um trecho do seu doutorado feito fora, e a tese continua sendo defendida no Brasil.
Essa distinção tem uma consequência prática importante: o período fora precisa servir à sua tese. Um plano de trabalho que descreve um projeto paralelo, sem articulação com o que você já vem fazendo, é frágil — porque contraria a lógica do próprio programa.

Quem pode concorrer
São elegíveis doutorandos matriculados em cursos de doutorado reconhecidos pela CAPES em instituições de ensino superior. É o requisito de base; o edital vigente acrescenta condições específicas a cada seleção.
Na prática, três coisas costumam pesar e vale checar antes de investir tempo:
- O momento do doutorado. Editais costumam delimitar em que fase do curso o candidato pode estar — nem no comecinho, nem tão perto da defesa que o retorno não caiba no prazo.
- O prazo de conclusão. O período no exterior precisa caber dentro do tempo regulamentar do seu curso, e o cálculo é feito para trás a partir da data limite de defesa.
- O aceite da instituição estrangeira, que depende de você ter construído o contato — e isso não se resolve em uma semana.
Se você ainda está antes dessa etapa, o percurso de entrada está em como entrar no doutorado.
A seleção começa na sua universidade

Este é o ponto que muda o seu planejamento inteiro. A Pró-Reitoria de Pós-Graduação, ou órgão equivalente da sua instituição, é quem conduz a seleção interna, homologa as candidaturas aprovadas, publica os resultados, acompanha bolsistas e egressos e zela pelo cumprimento das normas do programa.
Ou seja: existem duas etapas, e a primeira é doméstica. Antes de qualquer coisa acontecer no âmbito nacional, a sua universidade precisa ter aberto o seu edital interno, avaliado as candidaturas e homologado a sua.
Três consequências que decorrem disso:
- O prazo que importa para você é o interno, e ele é anterior — às vezes por meses — ao que você vê divulgado nacionalmente. Perder o edital interno significa perder o ciclo inteiro.
- Os critérios de pontuação são da sua instituição. Produção, desempenho, aderência à área prioritária: o peso de cada item é definido no edital interno, e vale lê-lo antes de montar a documentação.
- Quem informa é a sua Pró-Reitoria, não a CAPES. Acompanhe o site da pós da sua universidade e peça à secretaria do programa para ser avisado quando o edital sair.
O que a bolsa cobre
| Item | Do que se trata |
|---|---|
| Mensalidade | O valor mensal durante o período no exterior |
| Auxílio deslocamento | Apoio ao trajeto de ida e volta |
| Auxílio instalação | Apoio à acomodação inicial |
| Auxílio seguro-saúde | Apoio à cobertura de saúde no período |
| Adicional de localidade | Quando aplicável, conforme o destino |
Sobre a duração: o programa prevê de quatro a nove meses. A janela efetiva de cada seleção, porém, é definida no edital: chamadas recentes trabalharam com períodos distintos por semestre — uma de quatro a seis meses e outra de quatro a nove —, o que muda diretamente o que cabe no seu plano de trabalho.
Como os valores são fixados por edital e sofrem reajustes, este artigo não os reproduz: o número que vale é o do edital em vigor quando você se candidatar. É a mesma disciplina aplicada às bolsas no país, em bolsa CAPES de mestrado e bolsa CNPq.
O que preparar, e quando

Contando para trás a partir do edital interno:
- Com bastante antecedência — o contato no exterior. Identificar o grupo de pesquisa, escrever ao supervisor estrangeiro, sustentar uma conversa e obter a carta de aceite. É o item mais demorado e o único que não depende só de você. Comece por quem já cita ou é citado no seu referencial.
- Plano de pesquisa para o período. Precisa mostrar o que só é possível fazer ali — o acervo, o laboratório, o grupo, os dados. “Ampliar meus horizontes” não é justificativa; acesso a algo indisponível no Brasil é.
- Anuência do orientador brasileiro e a articulação com o cronograma da tese, cuja lógica está em cronograma de dissertação e tese.
- Proficiência no idioma, conforme exigido — o panorama está em prova de proficiência em inglês.
- Currículo Lattes atualizado, que é a base da pontuação em quase toda seleção brasileira: como fazer o currículo Lattes.
- Documentação institucional exigida pelo edital interno.
Um ponto administrativo que muitos esquecem: se você já é bolsista no país, a transição entre as bolsas precisa ser resolvida com a coordenação — e as regras de acúmulo entre agências públicas estão em posso trabalhar recebendo bolsa.
Se você não for selecionado
A seleção interna é competitiva e o número de bolsas é limitado, então vale ter claro que não ser selecionado não encerra a possibilidade de um período no exterior. O que se perde é o financiamento por essa via, não o vínculo internacional.
Os caminhos que continuam abertos:
- Acordos e convênios da sua instituição. Muitas universidades brasileiras mantêm parcerias bilaterais com instituições estrangeiras, com fluxos próprios de mobilidade que não passam pelo mesmo edital. A assessoria de relações internacionais do seu campus é quem conhece essa lista — e ela raramente é divulgada com destaque.
- Chamadas de outras fontes, incluindo agências estaduais de fomento, programas da própria instituição estrangeira e chamadas temáticas.
- Colaboração remota. Menos glamourosa e frequentemente subestimada: reuniões periódicas com o grupo estrangeiro, acesso a dados, coautoria. Boa parte do valor científico de um sanduíche é a relação, e a relação pode começar sem passagem aérea.
- Recandidatar-se no ciclo seguinte, agora com a carta de aceite já em mãos e o plano amadurecido — que é exatamente o que faltava a muita gente na primeira tentativa.
E, se o período acontecer, ele precisa aparecer no trabalho: o vínculo com a instituição estrangeira e a eventual cossupervisão são informação de método e de identificação da pesquisa, não apenas assunto para os agradecimentos.
A regra que muda a cada edital
A regulamentação mais recente indicada pela CAPES para o programa é a Portaria nº 77/2024, ao lado do edital vigente, o Edital nº 22/2026. Mas a lição prática é maior do que os números:
Em programa de bolsa, o documento que decide o seu caso é sempre o edital sob o qual você se candidata. Ele fixa prazos, duração, exigências de proficiência, momento do curso e valores — e todos podem mudar de uma seleção para a outra. Informação de blog, vídeo ou colega que passou há dois anos descreve um edital que não é o seu.
A rotina segura tem três passos: leia o edital interno da sua instituição; leia o edital nacional vigente; e leve à coordenação, por escrito, qualquer divergência entre os dois. É o mesmo princípio que vale para as normas técnicas do trabalho, discutido em qual versão da norma ABNT o seu TCC deve seguir — a data e a versão do documento fazem parte da informação.
E, entre a candidatura e a volta, a tese continua a ser escrita. Escreva a sua no Tesify: capítulos estruturados e referências em ABNT geradas automaticamente, com o texto continuando 100% seu.
Perguntas frequentes
O que é o doutorado-sanduíche (PDSE)?
É o Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior da CAPES, que apoia a formação de recursos humanos de alto nível por meio de bolsas de doutorado sanduíche no exterior. O doutorando permanece matriculado no programa brasileiro e realiza parte da pesquisa fora.
Quanto tempo dura a bolsa do PDSE?
De no mínimo quatro a no máximo nove meses. A janela efetiva de cada chamada é definida no edital vigente.
Eu me candidato direto à CAPES?
Não. A Pró-Reitoria de Pós-Graduação, ou órgão equivalente, conduz a seleção interna, homologa as candidaturas aprovadas, publica os resultados e acompanha os bolsistas.
O que a bolsa do PDSE cobre?
Mensalidade, auxílio deslocamento, auxílio instalação, auxílio seguro-saúde e, quando aplicável, adicional de localidade. Valores e condições são definidos pelo edital vigente.
Qual norma rege o PDSE?
A regulamentação mais recente indicada pela CAPES é a Portaria nº 77/2024, ao lado do Edital nº 22/2026. Como os editais mudam a cada seleção, leia sempre o edital vigente no momento da candidatura.
Preciso já ter a carta de aceite para me candidatar?
O aceite da instituição estrangeira é peça central da candidatura, e é o item de prazo mais longo porque depende de terceiros. Comece a construir esse contato bem antes do edital interno — quem espera o edital sair para escrever ao supervisor no exterior costuma perder o ciclo.
Posso fazer o sanduíche sem bolsa?
Sim, e acontece com frequência por meio de convênios institucionais ou com financiamento próprio. O que muda é o suporte financeiro, não a possibilidade do vínculo acadêmico — mas a autorização do programa e a compatibilidade com o prazo regulamentar continuam necessárias.
