Plágio nas Universidades Brasileiras em 2026: Dados e Estatísticas (Índice de Plágio Acadêmico)

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Plágio nas Universidades Brasileiras em 2026: Dados e Estatísticas (Índice de Plágio Acadêmico)

Setenta e dois por cento dos pós-graduandos da USP entrevistados por Marcelo Krokoscz e Sueli Ferreira concordam que estudantes cometem plágio de forma intencional — não por desconhecimento das normas, mas por escolha. É o dado mais citado quando se fala em estatísticas de plágio universidades no Brasil, e também um dos poucos que sobreviveu à revisão por pares e chegou a uma revista científica indexada. Isso já diz muito sobre o problema central deste artigo: o Brasil não tem um índice nacional de plágio acadêmico centralizado, mas tem um punhado de pesquisas sérias, com metodologia publicada, que juntas formam o retrato mais completo disponível hoje.

Diferente dos Estados Unidos, onde a Turnitin publica relatórios anuais agregando bilhões de comparações textuais, o Brasil não possui um órgão que consolide, ano a ano, a taxa de plágio em teses, dissertações, TCCs e artigos. CAPES, INEP e CNPq registram matrículas, titulação e produção científica com granularidade — como mostramos em produção científica do Brasil em dados — mas nenhum desses órgãos publica uma métrica oficial de incidência de plágio. O que existe são estudos acadêmicos independentes, a maioria publicada em periódicos como a Revista Brasileira de Educação, a Anais da Academia Brasileira de Ciências e a Science and Engineering Ethics.

Este artigo reúne esses estudos, com autor, ano de publicação, tamanho de amostra e metodologia sempre explícitos. Nenhum número aqui é estimativa ou arredondamento sem fonte — cada estatística vem de um trabalho revisado por pares e é atribuída a ele.

Resposta rápida: Não existe um índice oficial de plágio nas universidades brasileiras. Os dados mais robustos vêm de três fontes: a pesquisa de Krokoscz e Ferreira (2019) na USP, em que 72% dos pós-graduandos reconheceram plágio intencional entre colegas; o levantamento de Almeida e colaboradores (2015/2016), publicado na Science and Engineering Ethics, mostrando que o plágio responde por 86% das retratações com motivo declarado em periódicos SciELO/LILACS fora do JCR (12 de 14) e por 40% nas indexadas pelo JCR (6 de 15); e o acompanhamento da Unesp, que reduziu de 23% (2014) para 13% (2016) a proporção de teses e dissertações com trechos copiados sem crédito, após adotar o Turnitin.

Por que não existe um índice oficial de plágio no Brasil

CAPES emitiu, em janeiro de 2011, uma recomendação para que instituições de ensino públicas e privadas adotassem políticas de conscientização sobre propriedade intelectual e procedimentos específicos de prevenção ao plágio em teses, monografias e artigos. A recomendação existe — mas não veio acompanhada de um mecanismo de coleta de dados nacional. Cada universidade decide, isoladamente, se adquire um software de similaridade textual (como Turnitin), como o audita e se publica os resultados.

Marcelo Krokoscz identificou esse vácuo institucional já em 2011, em um estudo publicado na Revista Brasileira de Educação. Ele comparou as três universidades mais bem posicionadas em cada um dos cinco continentes, segundo o Ranking Webometrics de 2009 (que avaliava cerca de 6.000 instituições), com as principais universidades brasileiras, buscando nos sites institucionais o tratamento dado ao tema “plágio”. A conclusão foi direta: as universidades brasileiras, à época, “praticamente não tratavam do assunto institucionalmente”, em contraste com abordagens estruturadas de instituições da Oceania, Europa e Américas, que já publicavam políticas, materiais preventivos e procedimentos corretivos específicos.

É esse ponto de partida — instituições sem políticas publicadas, sem auditoria centralizada e sem obrigação de divulgar números — que explica por que, mais de uma década depois, o Brasil ainda depende de pesquisas acadêmicas pontuais para entender a escala do problema, em vez de um painel de dados abertos como existe para evasão no ensino superior.

Vídeo: TV UFMG — o que é plágio acadêmico e quais são suas consequências.

A pesquisa da USP: 72% veem plágio intencional entre colegas

O estudo mais citado sobre percepção de plágio na pós-graduação brasileira é de Marcelo Krokoscz e Sueli M. S. P. Ferreira, publicado em 2019 na Anais da Academia Brasileira de Ciências (DOI 10.1590/0001-3765201920180196). A coleta ocorreu entre 21 de novembro de 2012 e 30 de janeiro de 2013 — um período de 71 dias — junto à população de 22.438 pós-graduandos da USP. Responderam 3.623 estudantes, uma taxa de retorno de 16,14%, amostra não probabilística mas com representatividade relevante para uma única universidade.

Os resultados centrais:

Indicador Percentual
Concordam que alunos cometem plágio intencionalmente 72%
Concordam que há plágio acidental por desconhecimento das normas de citação 65%
Relatam conhecer colegas que plagiaram intencionalmente 22,19%
Não recordam ter recebido orientação institucional específica sobre plágio 67,38%
Consideram ações educativas a forma mais eficaz de prevenção 41,01%

Fonte: Krokoscz, M.; Ferreira, S. M. S. P. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 2019.

O dado que mais chama atenção de gestores educacionais é o de 67,38%: dois terços dos pós-graduandos de uma das universidades mais bem estruturadas do país não recordam ter recebido qualquer orientação formal sobre o que configura plágio. Os próprios autores apontam uma lacuna entre conhecimento teórico e prática — ou seja, treinamento técnico isolado (como só apresentar as normas ABNT) não é suficiente sem reforço contínuo.

Gráfico ilustrativo de barras e percentuais representando estatísticas de plágio acadêmico nas universidades brasileiras
Sem índice nacional único, os dados vêm de estudos independentes com metodologia própria.

O levantamento nacional com doutores brasileiros (CNPq/Lattes)

Em escala nacional, o estudo de referência é de Sonia M. R. Vasconcelos (UFRJ) e colaboradores, incluindo pesquisadores da St. John’s University (Nova York), publicado na revista Accountability in Research (artigo disponibilizado on-line em 11 de janeiro de 2022, com versão impressa em dezembro de 2023). A pesquisa foi enviada a 143.405 doutores com currículo registrado na Plataforma Lattes, mantida pelo CNPq, cobrindo ciências, engenharias, humanidades e artes — uma tentativa de censo, não de amostra por conveniência. A taxa de resposta ficou em torno de 20%.

O achado central do estudo é qualitativo: os princípios fundamentais sobre o que constitui plágio são compartilhados de forma relativamente uniforme entre essa comunidade multidisciplinar, o que os autores associam à ideia de Robert K. Merton de que normas científicas atravessam fronteiras entre áreas de conhecimento. Isso é relevante para instituições brasileiras porque sugere que a definição de plágio não é um problema semântico ou de tradução cultural — o problema está na aplicação e na fiscalização, não na compreensão do conceito em si.

Retratação de artigos por plágio na América Latina

Enquanto os estudos anteriores medem percepção e comportamento declarado, a pesquisa de Renan M. V. R. Almeida, Karina de Albuquerque Rocha, Fernanda Catelani, Aldo J. Fontes-Pereira e Sonia M. R. Vasconcelos, publicada em 2015/2016 na revista Science and Engineering Ethics (Springer, DOI 10.1007/s11948-015-9714-5), mediu consequência concreta: retratação formal de artigos científicos. Os autores analisaram os 31 avisos de retratação identificados nas bases SciELO e LILACS — as duas principais bases de indexação da América Latina e Caribe — no período coberto pelo estudo, até 2014.

O resultado: entre as retratações com motivo declarado, alegações de plágio responderam por 86% (12 de 14) nos periódicos SciELO/LILACS que não constam do Journal Citation Reports (JCR) e por 40% (6 de 15) nos periódicos que constam do JCR. Os próprios autores destacam que esses percentuais são muito mais altos do que os observados em estudos equivalentes sobre a Web of Science e o PubMed, bases dominadas por periódicos de países de língua inglesa. Vale notar que o número absoluto de retratações analisado é pequeno (31 avisos), o que torna esses percentuais indicadores de tendência, não medidas de incidência ampla.

Isso não significa que pesquisadores latino-americanos plagiem mais em termos absolutos — significa que, quando um artigo da região é retratado, a causa mais provável é plágio, enquanto em bases internacionais outras causas (erro experimental, duplicação de dados, fabricação) dividem mais o total de retratações.

O caso Unesp: de 23% para 13% em dois anos

O exemplo mais citado de melhoria mensurável vem da Unesp (Universidade Estadual Paulista), documentado pela Revista Pesquisa FAPESP. Em 2014, uma varredura de aproximadamente 3.000 teses e dissertações da instituição encontrou trechos copiados sem crédito em 23% dos documentos. Após a adoção de verificação sistemática de similaridade textual, o mesmo tipo de checagem em 2016 encontrou o problema em 13% dos documentos — uma queda de 10 pontos percentuais em dois anos.

A mesma reportagem cita um levantamento da Turnitin de 2015, que analisou 1.437 estudantes em diferentes níveis educacionais e encontrou mais de 50% de conteúdo não original em metade dos trabalhos acadêmicos revisados — um indicativo de que o problema não é exclusivo da pós-graduação, mas aparece já na graduação. A USP, que confere mais de 7.000 títulos de mestrado e doutorado por ano (como detalhamos em produção científica do Brasil), adquiriu licença do Turnitin no início de 2017, seguindo PUC-RJ, UFRJ e Unifesp, que já haviam implementado iniciativas semelhantes.

O que os professores enxergam (e os alunos não admitem)

Há uma assimetria conhecida na literatura sobre integridade acadêmica: docentes relatam observar mais plágio do que estudantes admitem cometer. Krokoscz, em seu estudo de 2011 na Revista Brasileira de Educação, cita o levantamento de Garcia (2006), no qual 82,7% dos professores brasileiros entrevistados relataram já ter encontrado trabalho acadêmico plagiado — um número expressivamente mais alto do que os 22,19% de estudantes que, na pesquisa da USP de 2019, admitiram conhecer colegas que plagiaram intencionalmente.

Essa diferença tem duas explicações plausíveis, segundo os próprios autores: primeiro, um professor acumula décadas de observação de múltiplas turmas, enquanto um estudante relata apenas o que percebe no próprio ciclo de colegas; segundo, há um viés de subnotificação — reconhecer que “conheço alguém que plagiou” é socialmente mais custoso do que um docente relatar, de forma agregada e anônima, que “já vi isso acontecer”.

Tabela-resumo: todos os dados, fonte e ano

Dado Fonte / ano Amostra
72% veem plágio intencional entre colegas Krokoscz & Ferreira, 2019 (USP) 3.623 pós-graduandos
67,38% sem orientação institucional lembrada Krokoscz & Ferreira, 2019 (USP) 3.623 pós-graduandos
86% das retratações com motivo (12 de 14) fora do JCR são por plágio (SciELO/LILACS) Almeida et al., 2015/2016 31 avisos de retratação, até 2014
40% das retratações (6 de 15) em periódicos JCR são por plágio Almeida et al., 2015/2016 31 avisos de retratação, até 2014
23% das teses/dissertações com cópia sem crédito (2014) → 13% (2016) Unesp, via Revista Pesquisa FAPESP ~3.000 documentos
82,7% dos professores já encontraram trabalho plagiado Garcia, 2006, citado por Krokoscz, 2011 Docentes brasileiros
143.405 doutores convocados, ~20% responderam Vasconcelos et al., 2022/2023 Base Lattes/CNPq

Como as instituições brasileiras reagiram

Depois da recomendação de CAPES em 2011, o movimento mais visível foi a adoção de software de verificação de similaridade textual por universidades individuais: PUC-RJ, UFRJ e Unifesp implementaram sistemas antes de 2017; a USP seguiu em 2017, o mesmo ano em que passou a conferir mais de 7.000 títulos de mestrado e doutorado anualmente. Isso não elimina o plágio — apenas o torna mais detectável antes da defesa, o que explica a queda de 23% para 13% observada na Unesp.

Casos individuais também moldaram a resposta institucional. Um levantamento sobre a Universidade Federal de Minas Gerais documentou desfechos distintos para acusações de plágio em diferentes programas de pós-graduação: em um caso na Antropologia, o estudante acusado se retratou publicamente e corrigiu o artigo publicado; em um caso na Ciência de Alimentos, a investigação concluiu que a acusação não tinha fundamento e o processo foi arquivado; e em um caso no Direito, mais grave, o estudante foi reprovado pela banca examinadora durante a defesa da dissertação. Esses três desfechos ilustram que, na ausência de um protocolo nacional único, cada programa de pós-graduação constrói sua própria jurisprudência interna caso a caso.

O que esses dados significam para quem escreve um TCC

Os números acima convergem em uma direção: a maior fonte de risco não é o plágio deliberado e grosseiro (cópia literal de um parágrafo inteiro), que qualquer verificador de similaridade capta com facilidade, mas o plágio por desconhecimento das normas de citação — os 65% identificados por Krokoscz e Ferreira. Isso acontece com mais frequência em paráfrases mal executadas, citações indiretas sem indicação de página, e reaproveitamento do próprio texto de trabalhos anteriores sem declarar a origem, tema que já cobrimos em detalhe em o que é autoplágio e como evitá-lo.

Na prática, isso se traduz em três hábitos que reduzem o risco de forma mensurável: dominar a técnica de paráfrase (não apenas trocar sinônimos, mas reconstruir a ideia com estrutura própria), rodar o texto em um verificador de similaridade antes da entrega — comparamos as opções gratuitas em melhores detectores de plágio grátis em 2026 — e manter um registro organizado de cada fonte consultada desde o início da pesquisa, não apenas no momento de montar as referências finais. Ferramentas como o Tesify ajudam nesse último ponto ao gerar rascunhos com citação ABNT vinculada a cada fonte desde a primeira versão, reduzindo a chance de um trecho parafraseado perder o rastro do texto original — mas nenhuma ferramenta substitui o hábito de verificar cada parágrafo antes de entregar, especialmente à luz do dado de que 65% dos casos identificados pelos pesquisadores da USP têm origem em desconhecimento técnico, não em má-fé.

Para orientadores e coordenadores de curso, o dado mais acionável é o dos 67,38% de pós-graduandos sem lembrança de orientação institucional formal: programas que investem em uma aula ou material específico sobre normas de citação — não apenas um regulamento distribuído sem explicação — atacam diretamente a causa mais frequente identificada nos estudos revisados aqui. Para uma perspectiva comparada com outro contexto lusófono — Portugal, onde a subnotificação institucional segue um padrão semelhante — veja os dados reunidos em quantas teses são reprovadas por plágio (dados PT/BR) no Tesify Portugal.

Perguntas frequentes

Existe uma taxa oficial de plágio nas universidades brasileiras?

Não. Não há um órgão federal (CAPES, INEP ou CNPq) que publique uma métrica consolidada e oficial de incidência de plágio. Os números disponíveis vêm de estudos acadêmicos independentes, como os de Krokoscz e Ferreira (USP, 2019) e Almeida et al. (SciELO/LILACS, 2015/2016), cada um com sua própria amostra e metodologia.

Qual universidade brasileira tem o dado mais completo sobre plágio?

A USP tem o levantamento mais robusto em volume amostral, com 3.623 respondentes de uma população de 22.438 pós-graduandos, conduzido por Krokoscz e Ferreira e publicado na Anais da Academia Brasileira de Ciências em 2019. A Unesp tem o dado mais claro de evolução ao longo do tempo, com queda de 23% (2014) para 13% (2016) na proporção de teses e dissertações com trechos copiados sem crédito.

O plágio é mais comum no Brasil do que em outros países?

Os dados não permitem essa comparação direta, pois metodologias e amostras diferem entre países. O que se sabe é que, na América Latina, o plágio responde por uma proporção maior das retratações científicas com motivo declarado (86% em periódicos SciELO/LILACS fora do JCR, 40% nos indexados pelo JCR) do que a proporção observada em bases dominadas por periódicos de países de língua inglesa, como Web of Science e PubMed, segundo Almeida et al. (2015/2016).

Qual é a diferença entre plágio intencional e plágio por desconhecimento?

Na pesquisa de Krokoscz e Ferreira com pós-graduandos da USP, 72% concordaram que existe plágio intencional (cópia deliberada, sem intenção de creditar) e 65% concordaram que existe plágio acidental, motivado por desconhecimento das normas corretas de citação — como parafrasear de forma insuficiente ou esquecer de indicar a página de uma citação indireta. As duas categorias coexistem e exigem respostas institucionais diferentes: fiscalização para a primeira, formação para a segunda.

Como faço para não plagiar sem perceber no meu TCC?

Os três hábitos com maior respaldo nos estudos revisados aqui são: registrar a fonte no momento em que você lê o material, não depois; reescrever a ideia com sua própria estrutura de frase em vez de trocar apenas algumas palavras; e rodar o texto final em um verificador de similaridade antes da entrega. Veja o passo a passo completo em como evitar plágio no TCC.

Continue se aprofundando

Se você está escrevendo um TCC ou dissertação agora, o momento mais eficaz para prevenir plágio por desconhecimento é durante a redação, não na revisão final. O Tesify mantém a citação ABNT vinculada a cada fonte desde o primeiro rascunho, o que reduz o risco identificado nos 65% de casos de plágio por desconhecimento técnico apontados pela pesquisa da USP.

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