Como Fazer TCC de Serviço Social Passo a Passo em 2026: Tema, Estrutura e Campo

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Como Fazer TCC de Serviço Social Passo a Passo em 2026: Tema, Estrutura e Campo

Como fazer TCC de Serviço Social é um processo que começa pelo recorte de uma questão social concreta — moradia, violência doméstica, acesso a benefícios socioassistenciais — e segue com a escolha entre pesquisa documental, de campo ou estudo de caso, sempre orientado pelo Código de Ética do/a Assistente Social (CFESS) e pela estrutura ABNT. Esse recorte inicial separa um projeto viável de um tema amplo demais para um semestre de pesquisa.

Diferente de cursos mais experimentais, o TCC de Serviço Social raramente nasce de uma hipótese abstrata de laboratório: costuma nascer da vivência de estágio obrigatório, de um serviço da rede socioassistencial ou de uma política pública acompanhada de perto durante a graduação. Esse vínculo com a prática é uma vantagem para a justificativa do trabalho, mas exige cuidado redobrado com o sigilo dos sujeitos e com os limites éticos da profissão regulamentada pela Lei nº 8.662/1993.

Resposta rápida: um TCC de Serviço Social segue, em geral, oito etapas: escolher o tema dentro de uma questão social específica, definir o campo (SUAS, CRAS, CREAS, hospital, ONG), redigir o projeto de pesquisa, revisar a bibliografia da área, escolher entre pesquisa documental, de campo ou estudo de caso, coletar e analisar os dados à luz da teoria social crítica, e formatar o texto segundo a ABNT antes de entregar ao orientador.
Estudantes de Serviço Social conversando com uma família durante entrevista de pesquisa de campo em centro socioassistencial
Assistentes sociais em formação conduzem entrevistas de pesquisa de campo junto à comunidade atendida.

O que caracteriza um TCC de Serviço Social?

O TCC de Serviço Social costuma se organizar em torno de uma expressão da questão social — o conjunto de desigualdades produzidas pela relação entre capital e trabalho, categoria central na formação profissional desde as Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996. Isso significa que o trabalho não é neutro: ele parte de um posicionamento teórico-metodológico, geralmente ancorado no materialismo histórico-dialético, e analisa como uma política, um serviço ou uma prática profissional responde (ou não) a essa desigualdade.

Na prática, isso se traduz em temas como a efetividade das medidas protetivas da Lei Maria da Penha, o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) por famílias em situação de pobreza, o trabalho do assistente social em hospitais frente à judicialização da saúde, ou os desafios do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) na garantia de direitos socioassistenciais.

Passo 1 — Escolha um tema dentro de uma questão social concreta

Comece pelo campo em que você já tem alguma inserção — geralmente o estágio supervisionado. Pergunte-se: qual desigualdade ou barreira de acesso a direitos apareceu com mais força nesse campo? Um tema viável é específico o suficiente para ser respondido em um semestre: não é “a pobreza no Brasil”, mas sim “os entraves de acesso ao Cadastro Único enfrentados por famílias monoparentais atendidas por um CRAS específico”.

Se você ainda está nessa fase, vale revisar como funcionam as etapas de um TCC do tema à defesa antes de fechar o recorte, para calcular se o prazo disponível é compatível com o campo escolhido.

Passo 2 — Defina o campo de pesquisa

O campo determina o tipo de acesso que você vai precisar negociar. Nem todo campo é igualmente viável dentro do prazo do TCC:

  • CRAS/CREAS: geralmente exige autorização da secretaria municipal de assistência social e, dependendo do desenho, aprovação de CEP.
  • Hospital ou unidade de saúde: quase sempre exige submissão à Plataforma Brasil, mesmo para entrevistas com profissionais.
  • ONG ou movimento social: acesso mais ágil, mas depende da disponibilidade da equipe para participar da coleta.
  • Documentos públicos (leis, portarias, relatórios de conferências): não exige autorização de terceiros, sendo a opção mais rápida quando o prazo é curto.

Passo 3 — Escreva o projeto e verifique a necessidade de CEP

Qualquer pesquisa que envolva entrevistas, questionários ou observação direta com seres humanos passa, em regra, pelo Comitê de Ética em Pesquisa via Plataforma Brasil, conforme a Resolução CNS nº 466/2012. Pesquisas puramente documentais — análise de leis, portarias e relatórios já públicos — costumam ser dispensadas, mas a decisão final é sempre do CEP da instituição, não do estudante. Submeta o projeto com antecedência: o parecer pode levar de duas a seis semanas.

Passo 4 — Estruture a revisão bibliográfica

A revisão de literatura em Serviço Social costuma dialogar com autores como Marilda Iamamoto, José Paulo Netto e Potyara Pereira, além da legislação da área — Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS, Lei nº 8.742/1993) e as Normas Operacionais Básicas do SUAS. Organize as fontes por eixo temático (histórico da política, marco legal, dados empíricos) em vez de resumir autor por autor, o que facilita a costura teórica depois. Se esse passo ainda não está claro, o guia de como fazer revisão bibliográfica passo a passo detalha a matriz de síntese que organiza essa etapa.

Passo 5 — Escolha entre pesquisa documental, de campo ou estudo de caso

A tabela abaixo resume as três abordagens mais comuns em TCCs de Serviço Social e quando cada uma se aplica melhor.

Abordagem O que envolve Quando usar Exigência de CEP
Pesquisa documental Análise de leis, portarias, relatórios de gestão, prontuários já anonimizados Prazo curto (3–4 meses) ou campo de difícil acesso Geralmente dispensada
Pesquisa de campo Entrevistas, questionários ou observação com usuários/profissionais do serviço Quando o objetivo é captar a percepção dos sujeitos sobre a política Obrigatória via Plataforma Brasil
Estudo de caso Análise aprofundada de uma unidade (um CRAS, um programa, uma família) Quando o interesse é a singularidade de um caso, não a generalização Depende do instrumento utilizado

Para aprofundar a diferença entre pesquisa de campo e outras naturezas de investigação, veja o guia sobre pesquisa de campo, que detalha instrumentos e como estruturar essa seção no capítulo de metodologia.

Passo 6 — Redija a metodologia com base ética

No capítulo de metodologia, declare explicitamente: a natureza da pesquisa (aplicada, já que responde a um problema concreto de intervenção), a abordagem (qualitativa, quantitativa ou mista), os instrumentos de coleta e os cuidados éticos adotados — Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), anonimização dos sujeitos e, quando aplicável, o número do parecer do CEP. O Código de Ética do CFESS reforça que o sigilo profissional se estende à pesquisa acadêmica quando o pesquisador também é assistente social ou estagiário do campo estudado.

Passo 7 — Analise os dados coletados

A análise em Serviço Social raramente se limita a descrever números: ela interpreta os dados à luz da teoria social crítica, conectando o que foi encontrado no campo às categorias discutidas na revisão bibliográfica (questão social, direitos, mínimos sociais). Se a coleta envolveu entrevistas, a análise de conteúdo categorial é a técnica mais usada na área. Se envolveu levantamento de indicadores (número de famílias atendidas, tempo médio de espera), estatística descritiva simples já é suficiente — sem exagerar na sofisticação estatística, que não é o foco do curso.

Passo 8 — Formate segundo a ABNT e feche as referências

Com a análise pronta, revise a formatação: fonte 12, espaçamento 1,5, margens 3-3-2-2 cm, citações no sistema autor-data (NBR 10520) e lista de referências em ordem alfabética (NBR 6023). O guia de como fazer referências ABNT traz o modelo completo por tipo de fonte — livro, lei, relatório institucional, artigo — que é exatamente o mix de fontes típico de um TCC de Serviço Social.

Se você é de outro curso e está buscando um roteiro equivalente, também temos o passo a passo para TCC de Ciências Contábeis, que segue uma lógica de estudo de caso diferente, mais voltada a dados numéricos de uma empresa.

Ferramentas de IA como o Tesify podem ajudar a organizar a estrutura de capítulos e formatar as referências ABNT automaticamente — mas a leitura crítica da questão social pesquisada, a interpretação dos dados de campo e o posicionamento teórico continuam sendo trabalho do estudante, não algo que se terceiriza.

Estudante de Serviço Social revisando documentos e legislação para a fundamentação teórica do TCC
Revisão da legislação e da bibliografia teórica antes de redigir a fundamentação do TCC.

Perguntas frequentes

Preciso de aprovação do CEP para todo TCC de Serviço Social?

Não. Pesquisas puramente documentais, baseadas em leis, portarias e relatórios já públicos, costumam ser dispensadas de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa. Já qualquer coleta direta com usuários, profissionais ou prontuários exige submissão via Plataforma Brasil, conforme a Resolução CNS nº 466/2012.

Posso usar meu campo de estágio como campo do TCC?

Sim, e é a opção mais comum, já que o estudante já tem vínculo e conhecimento prévio do serviço. É preciso, porém, formalizar a autorização institucional e manter o sigilo profissional reforçado pelo Código de Ética do CFESS, especialmente quando se trata de casos que você atendeu diretamente.

Qual a diferença entre pesquisa documental e pesquisa de campo no Serviço Social?

A pesquisa documental analisa fontes já registradas — leis, portarias, relatórios — sem contato direto com sujeitos. A pesquisa de campo envolve coleta direta, por entrevistas, questionários ou observação, com usuários ou profissionais do serviço estudado, e por isso exige aprovação de CEP.

Quais autores são mais cobrados na fundamentação teórica?

Marilda Iamamoto e José Paulo Netto são referências centrais para discutir a relação entre Serviço Social e questão social, enquanto Potyara Pereira é frequentemente citada em temas de política social e proteção social. A escolha exata depende do recorte do tema.

É obrigatório usar o materialismo histórico-dialético como referencial teórico?

Não é uma exigência formal da ABNT nem de todas as universidades, mas é o referencial predominante na formação em Serviço Social desde as Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996, e a maioria das bancas espera que o trabalho dialogue, ao menos criticamente, com essa tradição teórica.

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