Sete em cada dez estudantes do Ensino Médio que acessam a Internet no Brasil já recorrem a ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Gemini e Copilot, para pesquisas escolares e trabalhos. Esse é o número central de qualquer levantamento sério sobre adoção de IA na educação: dados da pesquisa TIC Educação, conduzida pelo Cetic.br, centro vinculado ao NIC.br e ao CGI.br, a principal fonte pública sobre tecnologia nas escolas brasileiras.
O dado, porém, só faz sentido acompanhado do restante do quadro. A mesma série de estudos mostra que o uso pelos alunos é intenso, mas a orientação institucional sobre uso ético, crítico e seguro ainda é escassa; que professores e gestores também já incorporaram a IA em suas rotinas; e que a demanda por formação docente é expressiva. Este compilado organiza esses achados por tema, indica o que cada um afirma e o que ele não afirma, e mostra como citá-los em reportagens, aulas e trabalhos acadêmicos.
Seguimos uma regra simples: só aparece aqui o que pode ser atribuído a uma fonte nomeada. Onde o Cetic.br não divulga um percentual específico, descrevemos a tendência em termos qualitativos, sem inventar precisão.
Panorama: os dados em uma tabela
A tabela a seguir resume os seis achados centrais divulgados pelo Cetic.br sobre o tema. A coluna “tipo de dado” indica se a fonte apresenta um número específico ou uma tendência descrita qualitativamente, distinção essencial para quem vai reproduzir a informação.
| Tema | Achado | Tipo de dado | Fonte |
|---|---|---|---|
| Uso pelos alunos | Cerca de 7 em cada 10 estudantes do Ensino Médio que acessam a Internet usam IA generativa em atividades escolares | Quantitativo (≈70%) | Cetic.br, TIC Educação |
| Finalidade do uso | Pesquisar matérias, buscar explicações, resolver questões, redigir textos e estruturar trabalhos | Qualitativo | Cetic.br |
| Orientação escolar | Maioria dos alunos relata ausência de orientação formal sobre uso ético, crítico e seguro | Qualitativo (maioria) | Cetic.br |
| Uso docente | Professores usam IA no planejamento, na criação de conteúdos e de materiais visuais | Qualitativo | Cetic.br |
| Gestão escolar | Gestores usam IA em tarefas administrativas, planejamento e comunicados | Qualitativo | Cetic.br |
| Formação | Discussão sistemática ainda incipiente e forte demanda por capacitação docente | Qualitativo | Cetic.br |
Um ponto de método antes de seguir: o recorte do principal número é “estudantes do Ensino Médio que acessam a Internet”, e não “todos os estudantes brasileiros”. Voltaremos a essa diferença na seção sobre citação.

Adoção de IA na educação: dados sobre estudantes do Ensino Médio
O achado mais citado da série é direto: cerca de 70% dos alunos conectados do Ensino Médio já utilizam ferramentas de IA generativa para pesquisas escolares e trabalhos. Nas palavras da síntese publicada pelo Cetic.br, “uma fatia expressiva dos estudantes — com destaque para cerca de 7 em cada 10 alunos do Ensino Médio — já recorre a ferramentas de Inteligência Artificial generativa”.
Gráfico descrito: o pictograma dos 7 em 10
Para visualizar o dado, imagine uma fileira de dez ícones de estudantes. Sete estão destacados em cor forte, representando quem já usa IA generativa nas tarefas escolares; três aparecem em cinza claro. É a representação mais fiel ao formato em que o Cetic.br comunica o número, e a recomendada para infográficos: um pictograma de proporção, sem casas decimais que a síntese não oferece.
O que o número permite afirmar
- Que o uso de IA generativa entre estudantes conectados do Ensino Médio é majoritário, não marginal.
- Que as ferramentas mais lembradas são de uso geral (ChatGPT, Gemini, Copilot), e não plataformas educacionais específicas.
- Que o uso está associado a atividades escolares concretas: pesquisa e trabalhos.
O que o número não permite afirmar
- Que 70% de todos os estudantes brasileiros usam IA: o recorte é de quem acessa a Internet e cursa o Ensino Médio.
- Que o uso é frequente ou diário: a síntese fala em uso, não em intensidade medida.
- Que o uso substitui o estudo ou configura fraude: a pesquisa descreve finalidades, não avalia a legitimidade de cada uso.
Para estudantes que já usam IA nos trabalhos: se a ferramenta ajudou a redigir ou reorganizar trechos, vale conferir a originalidade antes da entrega. O Tesify Antiplágio faz a autoverificação de similaridade do seu TCC, aponta os trechos que precisam de citação e ensina a parafrasear e citar conforme a ABNT NBR 10520. A proposta não é burlar avaliação, e sim escrever com originalidade. O cadastro é grátis.
Para que os alunos usam a IA generativa
A pesquisa descreve um conjunto de finalidades que vai muito além de “pedir a resposta pronta”. Segundo o Cetic.br, os alunos usam essas tecnologias “sobretudo para buscar explicações sobre matérias complexas, redigir textos, resolver questões e estruturar trabalhos ou apresentações”.
Organizando essas finalidades por tipo de tarefa cognitiva, o retrato fica mais útil para professores e coordenadores:
| Finalidade relatada | Tipo de tarefa | Ponto de atenção pedagógica |
|---|---|---|
| Pesquisar matérias escolares | Busca de informação | Verificação de fontes e de possíveis erros factuais |
| Buscar explicações sobre conteúdos complexos | Compreensão | Conferir a explicação com o material da disciplina |
| Resolver questões | Aplicação | Risco de pular o raciocínio e ficar só com o resultado |
| Redigir textos | Produção | Autoria, paráfrase e citação correta |
| Estruturar trabalhos e apresentações | Organização | Coerência entre estrutura sugerida e argumento próprio |
A leitura qualitativa sugere que a IA ocupa funções antes distribuídas entre buscador, livro didático, colega de estudo e revisor. A síntese não ordena essas finalidades por frequência; por isso, evite escrever que uma delas é “a mais comum” sem consultar os microdados ou as tabelas completas da pesquisa.

A lacuna de orientação: uso alto, mediação baixa
O achado que deveria acompanhar sempre o número dos 70% é o da orientação. De acordo com o Cetic.br, “embora o uso pelos estudantes seja massivo e intenso”, boa parte dos alunos “relata não receber orientação institucional ou instrução aprofundada por parte das escolas e professores sobre o uso ético, crítico e seguro dessas ferramentas”.
Na prática, isso significa que a maioria dos estudantes está aprendendo a usar IA generativa por conta própria. Os temas em que a orientação falta, segundo a pesquisa, são exatamente os que mais pesam na qualidade do trabalho escolar e acadêmico:
- Verificação de fontes: conferir se a informação gerada tem origem rastreável.
- Identificação de erros: reconhecer respostas plausíveis, mas incorretas.
- Vieses: perceber quando o conteúdo reproduz distorções dos dados de treinamento.
- Desinformação: distinguir conteúdo confiável de conteúdo fabricado.
Leitura analítica: a combinação “uso majoritário + orientação minoritária” é o dado de maior valor jornalístico da série. Ela desloca o debate da pergunta “os alunos usam IA?”, já respondida, para “quem está ensinando os alunos a usar IA com critério?”.
Professores e gestores: IA no planejamento e na gestão
A adoção de IA na educação não se restringe aos estudantes. O Cetic.br registra que “os professores têm explorado a IA generativa e plataformas educacionais no planejamento de aulas, na criação de conteúdos pedagógicos, em atividades de suporte à gestão e na customização de materiais visuais ou de comunicação”.
Uso docente
Entre os professores, os usos descritos concentram-se na preparação: montar planos de aula, elaborar conteúdos didáticos e criar materiais visuais de apoio. A pesquisa indica que essa integração aparece principalmente entre docentes do Ensino Médio e em áreas urbanas e redes privadas, o que sinaliza uma possível desigualdade de acesso e de familiaridade com a tecnologia entre redes e territórios.
Uso na gestão escolar
Gestores e equipes de coordenação também adotaram ferramentas de IA, segundo o levantamento, para três frentes: atividades administrativas, planejamento pedagógico e redação de comunicados institucionais. É um uso menos visível no debate público, mas relevante: se a gestão já usa IA, ela tem experiência prática para fundamentar as diretrizes que os alunos dizem não receber.
| Ator | Principais usos descritos | Recorte destacado pela fonte |
|---|---|---|
| Estudantes | Pesquisa, explicações, questões, redação, estrutura de trabalhos | Ensino Médio, com acesso à Internet |
| Professores | Planejamento de aulas, conteúdos didáticos, materiais visuais | Sobretudo Ensino Médio, áreas urbanas e redes privadas |
| Gestores | Tarefas administrativas, planejamento pedagógico, comunicados | Equipes de gestão e coordenação |
Demanda por formação docente e diretrizes
O último eixo da série trata do que falta. Os estudos setoriais do Cetic.br apontam que a discussão sistemática sobre IA em sala de aula ainda é incipiente e que professores e especialistas indicam “uma forte demanda por capacitação docente, letramento em IA e diretrizes institucionais claras para lidar com os potenciais, os riscos (como plágio, desinformação e vieses algorítmicos) e as oportunidades pedagógicas da tecnologia”.
Dessa síntese é possível extrair uma agenda com quatro componentes, todos mencionados pela fonte:
- Formação continuada para docentes, com foco em riscos e oportunidades.
- Letramento em IA para que professores possam, por sua vez, orientar os alunos.
- Diretrizes institucionais claras sobre o que é permitido, o que exige declaração e o que é vedado.
- Atenção a riscos específicos: plágio, proteção de dados, desinformação e vieses algorítmicos.
Vale notar que plágio aparece explicitamente na lista de riscos citados por professores e especialistas. Isso conecta o debate da educação básica ao do ensino superior, onde o TCC, a dissertação e a tese concentram as maiores exigências de autoria.
Como citar esses dados sem distorcer
Jornalistas e pesquisadores que usam números sobre adoção de IA na educação costumam errar em três pontos: o recorte da população, o ano de referência e a conversão de achados qualitativos em percentuais. Um checklist ajuda:
- Nomeie a pesquisa e a instituição: “pesquisa TIC Educação, do Cetic.br/NIC.br”.
- Preserve o recorte: “estudantes do Ensino Médio que acessam a Internet”, e não “estudantes brasileiros”.
- Informe o ano de referência: consulte na página da pesquisa a edição e o período de coleta antes de publicar; a série é periódica e os números mudam entre edições.
- Não quantifique o qualitativo: “a maioria relata ausência de orientação” não deve virar um percentual inventado.
- Use o formato da fonte: “cerca de 70%” ou “7 em cada 10”, sem casas decimais acrescentadas.
Em trabalhos acadêmicos, a escrita do número também segue convenções próprias. Nosso guia sobre como escrever números no texto do TCC, com vírgula decimal, porcentagem e arredondamento mostra quando usar “70%”, “70 %” ou “setenta por cento” de acordo com a norma adotada pela sua instituição.
Quem pretende cruzar os dados do Cetic.br com indicadores de rede, matrícula ou desempenho pode consultar as fontes de dados para o TCC de Pedagogia, como Censo Escolar, SAEB, Ideb e microdados do INEP. E, se a ideia é construir um indicador próprio, por exemplo “proporção de alunos que receberam orientação sobre IA”, o raciocínio é o mesmo explicado em como o INEP define seus indicadores e como definir os seus: numerador, denominador e recorte explícitos.
Para quem vai replicar a pergunta em uma escola ou turma específica, o cálculo do tamanho da amostra evita conclusões frágeis. O texto sobre amostra e poder estatístico no TCC traz a lógica aplicável a questionários educacionais.
Implicações para a integridade acadêmica
Se a maioria dos estudantes do Ensino Médio já usa IA generativa e poucos recebem orientação formal, é razoável supor que parte dessa geração chegará à graduação com o hábito consolidado e sem repertório sobre autoria, paráfrase e citação. Essa é uma inferência, não um dado medido pela pesquisa, e deve ser apresentada como tal.
Para o estudante universitário, a consequência prática é clara: o uso de IA precisa vir acompanhado de verificação. Plataformas como o Tesify, que ajuda a estruturar o TCC, redigir seções e formatar referências em ABNT (NBR 6023 e NBR 10520), funcionam melhor quando o autor revisa cada trecho, confere as fontes e assume a responsabilidade pelo argumento. A orientação que falta na escola pode ser parcialmente suprida por ferramentas que explicam o porquê de cada citação.
A paráfrase é o ponto mais sensível. Reescrever trocando sinônimos não basta; é preciso reformular a ideia e indicar a fonte. O guia sobre como parafrasear autores sem plagiar no TCC mostra exemplos aplicáveis a qualquer área, ainda que os casos sejam de Contabilidade.
Verifique a originalidade antes de entregar. O Tesify Antiplágio faz a autoverificação de similaridade do seu TCC, sinaliza os trechos que precisam de citação e orienta a paráfrase correta segundo a ABNT NBR 10520. É uma ferramenta de integridade acadêmica e uso responsável da IA, não de burla. Crie sua conta grátis e revise seu texto com segurança.
Perguntas frequentes
Qual é a principal fonte de dados sobre adoção de IA na educação no Brasil?
A principal fonte pública é a pesquisa TIC Educação, conduzida pelo Cetic.br, centro vinculado ao NIC.br e ao CGI.br. Ela investiga o uso de tecnologias por alunos, professores e gestores escolares e inclui questões sobre inteligência artificial generativa.
Quantos alunos do Ensino Médio usam IA generativa?
Segundo o Cetic.br, cerca de 70%, ou 7 em cada 10, dos estudantes do Ensino Médio que acessam a Internet já usam ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, Gemini e Copilot, para pesquisas escolares e trabalhos. O recorte é de alunos conectados, não de todos os estudantes do país.
As escolas orientam os alunos sobre o uso de IA?
De acordo com a pesquisa, a maioria dos estudantes relata não receber orientação formal ou suporte institucional das escolas e dos professores sobre o uso ético, crítico e seguro dessas ferramentas, incluindo verificação de fontes, identificação de erros, vieses e desinformação.
Como os professores estão usando a inteligência artificial?
O Cetic.br indica que professores usam IA generativa no planejamento de aulas, na criação de conteúdos didáticos e na produção de materiais visuais de apoio, com destaque para docentes do Ensino Médio e de áreas urbanas e redes privadas. Gestores também a usam em tarefas administrativas, planejamento e comunicados.
Como citar corretamente esses dados em uma reportagem ou TCC?
Nomeie a pesquisa TIC Educação e o Cetic.br, preserve o recorte (estudantes do Ensino Médio que acessam a Internet), informe o ano da edição consultada e não transforme achados qualitativos, como “a maioria relata”, em percentuais que a fonte não divulga.
