TCC sobre Idosos na Enfermagem: Temas, Desenho e Instrumentos de Pesquisa (2026)

Um TCC sobre idosos na Enfermagem estuda um recorte específico da saúde da pessoa idosa — a Lei nº 10.741/2003, o Estatuto da Pessoa Idosa (nome atual desde a Lei nº 14.423/2022), define como idosa toda pessoa com 60 anos ou mais. Esse critério etário simples já é o primeiro ponto de decisão do projeto: ele delimita a população, mas não o tema, o desenho nem o instrumento — que este guia ajuda você a escolher.

Por que “idosos” não é um tema, é uma população

Um erro comum é tratar “TCC sobre idosos” como se fosse um assunto fechado. Na prática, idosos são a população-alvo de dezenas de temas distintos dentro da Enfermagem: cuidado domiciliar, polifarmácia, quedas, fragilidade, saúde mental, cuidados paliativos, vacinação, autocuidado em doenças crônicas, entre outros. O trabalho do orientando é cruzar essa população com um problema de enfermagem específico e um contexto de cuidado (hospital, atenção primária, instituição de longa permanência, domicílio).

Se você ainda não fechou o recorte, vale revisar a lista de temas de TCC de Enfermagem antes de continuar — muitos deles ganham foco justamente ao serem cruzados com a população idosa. Alguns recortes que costumam gerar pergunta de pesquisa viável em um semestre:

  • Adesão ao tratamento medicamentoso em idosos com hipertensão ou diabetes acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS).
  • Risco de quedas em idosos institucionalizados e o papel da equipe de enfermagem na prevenção.
  • Autocuidado de idosos com feridas crônicas ou estomias em acompanhamento ambulatorial.
  • Sobrecarga do cuidador familiar de idosos com dependência funcional ou demência.
  • Conhecimento e prática de idosos sobre imunização (influenza, pneumocócica, herpes-zóster) na APS.
  • Percepção de idosos sobre a própria fragilidade e o papel da consulta de enfermagem gerontológica.

Desenhos de pesquisa mais usados com essa população

A escolha do desenho depende do que você quer responder, não do que parece mais simples de escrever:

  • Estudo transversal (survey): aplica um questionário ou escala em um único momento a um grupo de idosos — é o desenho mais comum em TCC de graduação por exigir menos tempo de campo. Serve para descrever prevalência de um problema (por exemplo, risco de queda) ou associar variáveis (escolaridade e adesão ao tratamento).
  • Estudo descritivo-exploratório qualitativo: entrevista semiestruturada com um número menor de idosos, analisada por análise de conteúdo (Bardin) ou temática. Indicado quando a pergunta é sobre percepção, experiência ou significado (como o idoso vivencia a doença crônica, por exemplo).
  • Estudo de coorte ou longitudinal: acompanha o mesmo grupo ao longo do tempo — mais raro em TCC pela limitação de prazo, mas possível quando o orientador já tem um banco de dados de um projeto maior em andamento.
  • Revisão integrativa ou revisão de escopo: quando o acesso à população idosa em campo não é viável no prazo do TCC, a revisão da literatura sobre o tema é uma alternativa legítima e reconhecida pela banca, desde que siga um protocolo declarado (pergunta PICO/PICOT, bases consultadas, critérios de inclusão/exclusão).

Onde e como coletar dados com idosos

O acesso ao campo é, na prática, o que mais atrasa um TCC com essa população. Os cenários mais usados no Brasil são:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS) e grupos de convivência da Atenção Primária: exigem autorização da coordenação da UBS ou da Secretaria Municipal de Saúde, além da aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), via Plataforma Brasil.
  • Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs): exigem anuência formal da direção da instituição, cuidado redobrado com idosos que têm déficit cognitivo (nesses casos, o consentimento pode precisar passar pelo responsável legal, com assentimento do idoso sempre que ele for capaz de compreender a pesquisa) e atenção à rotina da instituição para não prejudicar os residentes.
  • Ambulatórios e hospitais: exigem anuência do serviço, muitas vezes um segundo parecer do CEP da própria instituição além do CEP do curso, e coordenação de horário com a equipe assistencial.
  • Domicílio: usado em estudos sobre cuidador familiar; exige planejamento de visita, segurança do pesquisador e, com frequência, é o cenário mais lento para atingir a amostra planejada — dimensione o prazo com folga.

Instrumentos validados usados em pesquisa com idosos no Brasil

Escolher um instrumento já validado — em vez de criar um questionário do zero — poupa tempo de validação e é o que a banca espera ver justificado. Alguns dos mais citados na literatura de Enfermagem gerontológica:

  • Mini Exame do Estado Mental (MEEM): criado por Marshal Folstein, Susan Folstein e Paul McHugh, publicado em 1975, é um instrumento de rastreio cognitivo muito usado internacionalmente; no Brasil circula em versões traduzidas e adaptadas para diferentes níveis de escolaridade.
  • Escala de Depressão Geriátrica (EDG, Geriatric Depression Scale): desenvolvida por J. A. Yesavage e colaboradores em 1982, na versão original com 30 itens (existem versões reduzidas usadas em triagem rápida), rastreia sintomas depressivos em idosos.
  • Índice de Katz: publicado por Sidney Katz e colaboradores em 1963, avalia a independência do idoso em atividades básicas de vida diária — banho, vestir-se, uso do banheiro, transferência, continência e alimentação — e é amplamente usado para classificar grau de dependência funcional.
  • Escala de Braden: usada quando o tema envolve risco de lesão por pressão em idosos acamados ou com mobilidade reduzida.

Sempre cite a versão brasileira validada do instrumento (quando existir) e o autor da adaptação transcultural, não apenas o autor original — a banca costuma perguntar isso na defesa. Uma tabela simples no capítulo de metodologia, relacionando cada variável do objetivo específico ao instrumento que vai medi-la, ajuda a mostrar essa coerência de forma visual: por exemplo, a variável “nível cognitivo” associada ao MEEM, “sintomas depressivos” associada à EDG, e “independência funcional” associada ao Índice de Katz. Bancas costumam elogiar esse tipo de organização porque ela antecipa a pergunta “por que você escolheu esse instrumento e não outro?”

Questionário impresso de instrumento validado usado em pesquisa de Enfermagem com idosos
Um instrumento validado, escolhido e justificado, poupa tempo de coleta e sustenta a banca.

Ética em pesquisa com idosos

Pesquisa com idosos passa pelo mesmo fluxo de qualquer pesquisa com seres humanos no Brasil — cadastro e aprovação via Plataforma Brasil, conforme a Resolução CNS nº 466/2012 — mas exige atenção extra em dois pontos: o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) precisa ser lido em linguagem acessível, respeitando eventual limitação visual ou auditiva do idoso; e, quando há comprometimento cognitivo que impeça a compreensão plena da pesquisa, o consentimento é obtido do responsável legal, sem dispensar a explicação ao próprio idoso sempre que ele conseguir compreendê-la. Projetos em ILPI costumam pedir também a anuência formal da instituição como documento anexo ao protocolo submetido ao CEP. Se você ainda não submeteu o protocolo, veja o guia sobre Comitê de Ética em Pesquisa e Plataforma Brasil para entender o passo a passo completo da submissão.

Documentos de consentimento e protocolo de ética revisados antes da coleta de dados com idosos
O protocolo submetido ao CEP deve incluir a anuência da instituição quando a coleta ocorre em ILPI.

Exemplo ilustrativo: do tema ao objetivo

O exemplo abaixo é fictício, construído apenas para mostrar como o recorte populacional vira um objetivo de pesquisa redigível — não use os números como referência real.

  • Tema amplo: idosos e adesão ao tratamento medicamentoso.
  • Recorte: idosos com hipertensão arterial acompanhados em uma Unidade Básica de Saúde.
  • Problema de pesquisa: qual o nível de adesão ao tratamento anti-hipertensivo entre idosos acompanhados na UBS X e quais fatores se associam a essa adesão?
  • Objetivo geral (ilustrativo): avaliar o nível de adesão ao tratamento medicamentoso em idosos hipertensos acompanhados em uma Unidade Básica de Saúde.
  • Objetivos específicos (ilustrativos): caracterizar o perfil sociodemográfico da amostra; mensurar a adesão por meio de um instrumento validado; verificar associação entre adesão e variáveis como escolaridade, número de comorbidades e polifarmácia.
  • Instrumento sugerido: um questionário estruturado de adesão medicamentosa, aplicado em entrevista individual na sala de espera ou em consulta agendada, junto com uma ficha sociodemográfica.

Repare que cada linha do exemplo decorre da anterior: o recorte nasce do tema, o problema nasce do recorte, o objetivo nasce do problema. Quando a banca aponta que um objetivo não está alinhado à metodologia, quase sempre é porque essa cadeia foi quebrada em algum ponto.

Dimensionando a amostra dentro do prazo do TCC

Um erro frequente é planejar uma amostra grande demais para o tempo disponível. Antes de definir o número de participantes, responda três perguntas: quantos idosos frequentam o cenário escolhido em um mês típico (para saber se a meta é realista); quanto tempo o CEP costuma levar para aprovar protocolos semelhantes no seu curso (para reservar esse tempo no cronograma); e se o instrumento escolhido exige aplicação individual ou pode ser autoaplicado em grupo (o que muda o ritmo de coleta). Amostras por conveniência — todos os idosos que comparecerem ao serviço no período de coleta e aceitarem participar — são a alternativa mais usada em TCC de graduação, e a banca aceita desde que a limitação seja reconhecida explicitamente na seção de limitações do trabalho.

Erros comuns nesse tipo de TCC

  • Tratar “idoso” como grupo homogêneo — a diferença entre um idoso de 60 anos independente e um nonagenário com múltiplas comorbidades é enorme, e a banca espera ver essa heterogeneidade reconhecida na justificativa.
  • Escolher um instrumento sem justificar por que ele é adequado à pergunta de pesquisa e à população (nem todo instrumento validado serve para qualquer recorte de idosos).
  • Subestimar o tempo de acesso ao campo em ILPI ou UBS — a autorização institucional e a aprovação do CEP raramente saem em poucos dias.
  • Não diferenciar consentimento (do responsável legal, quando aplicável) de assentimento (do próprio idoso, sempre que ele compreender a pesquisa).
  • Confundir cuidador informal com profissional de saúde no desenho amostral — quando o tema envolve sobrecarga do cuidador, defina com clareza se a amostra é o idoso, o cuidador ou ambos, porque isso muda o instrumento e o cálculo de participantes.
  • Aplicar o instrumento em ambiente barulhento ou sem tempo suficiente — escalas cognitivas como o MEEM exigem ambiente calmo e tempo para o idoso responder sem pressa, e isso deve constar no procedimento de coleta descrito na metodologia.

Para revisar como organizar o trabalho inteiro nessa ordem, veja também a estrutura de um TCC de Enfermagem capítulo por capítulo, e, na hora de citar os estudos que embasam o referencial teórico, o guia de como parafrasear artigos de Enfermagem sem plagiar.

Redigindo o capítulo de metodologia com apoio de IA

Depois que o tema, o desenho e o instrumento estão definidos, transformar essas decisões em um capítulo de metodologia coerente — com a justificativa de cada escolha amarrada ao problema de pesquisa — é a etapa em que muitos estudantes travam. Uma prática cada vez mais comum é usar uma ferramenta de IA como apoio à organização dessa seção, mantendo o estudante como autor das decisões metodológicas e do texto, sempre em conformidade com a política de uso de IA do curso.

Perguntas frequentes

A partir de que idade uma pessoa é considerada idosa para fins de pesquisa no Brasil?

A partir de 60 anos, segundo o artigo 1º da Lei nº 10.741/2003, o Estatuto da Pessoa Idosa (nome dado pela Lei nº 14.423/2022). Esse é o critério etário usado como referência para delimitar a população em estudos brasileiros, embora alguns estudos internacionais usem 65 anos.

Preciso de aprovação do Comitê de Ética mesmo usando apenas um questionário?

Sim. Qualquer pesquisa que envolva seres humanos — inclusive a aplicação de um questionário ou escala — precisa ser submetida à Plataforma Brasil e aprovada por um CEP antes da coleta, conforme a Resolução CNS nº 466/2012.

Posso pesquisar idosos com demência sem consentimento deles?

Não sem mais critério: quando o idoso tem capacidade de compreender a pesquisa, ele deve dar o assentimento, mesmo que o consentimento formal também seja assinado pelo responsável legal. A ausência total de compreensão exige justificativa específica no protocolo submetido ao CEP.

Qual desenho de pesquisa é mais rápido de executar em um TCC de graduação?

O estudo transversal (survey) costuma ser o mais viável dentro do prazo de um semestre, por depender de um único momento de coleta. Revisões integrativas ou de escopo também são rápidas quando o acesso ao campo é limitado.

É obrigatório usar um instrumento validado?

Não é uma exigência legal, mas é o que a maioria das bancas espera, porque um instrumento validado já tem evidência de confiabilidade e validade — criar e validar um instrumento novo dentro do prazo de um TCC de graduação raramente é viável.

Amostra por conveniência é aceita em TCC sobre idosos?

Sim, é a estratégia amostral mais comum nesse tipo de trabalho de graduação, desde que a limitação de representatividade seja reconhecida explicitamente na seção de limitações do TCC.

Como o Tesify ajuda nessa etapa

Depois de delimitar a população, o desenho e o instrumento, o próximo gargalo costuma ser transformar essas escolhas em um projeto de pesquisa coerente — introdução, justificativa, objetivos e metodologia alinhados entre si. O Tesify ajuda você a estruturar e planejar essas seções com apoio de IA, e cada decisão e cada frase do texto continuam sendo suas. Mais de 9.000 estudantes e mais de 15.000 capítulos já foram escritos com o Tesify — 100% escritos por você.

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