A pesquisa de satisfação é um dos formatos mais comuns no TCC de Turismo — medir a percepção de turistas sobre um destino, um evento ou um meio de hospedagem — e a dúvida sobre qual ferramenta usar aparece cedo: Google Forms, Excel ou SPSS? A resposta curta é que raramente se escolhe apenas uma: Google Forms coleta, Excel organiza e faz as análises descritivas básicas, e o SPSS entra quando o desenho exige testes estatísticos que o Excel não faz de forma confiável. Para o panorama de como citar as fontes usadas nessa pesquisa, veja também como citar no TCC de Turismo pelas normas ABNT.

Google Forms: para coletar
O que faz bem: criar e distribuir o questionário é rápido, gratuito e funciona em celular, o que facilita a coleta com turistas no próprio destino. As respostas já saem organizadas numa planilha do Google Sheets, prontas para exportar.
O que não faz: análise estatística. Google Forms mostra gráficos simples de frequência (quantos marcaram cada opção), mas não calcula testes de associação, correlação ou significância — para isso, os dados precisam sair de lá.
Melhor para: a fase de coleta de qualquer levantamento de satisfação, independentemente da ferramenta de análise escolhida depois.
Excel: para organizar e descrever
O que faz bem: tabelas de frequência, médias, gráficos de barras e pizza, e cruzamentos simples entre duas variáveis (tabela dinâmica). Para um TCC que só precisa descrever o perfil dos respondentes e o nível geral de satisfação, o Excel costuma ser suficiente.
O que não faz bem: testes estatísticos inferenciais como qui-quadrado, ANOVA ou correlação com significância — é possível fazer com fórmulas ou complementos, mas o processo é manual, sujeito a erro, e a banca costuma preferir ver o teste rodado em um software estatístico dedicado quando o desenho exige inferência.
Melhor para: a etapa de organização e estatística descritiva, e para TCCs cujo objetivo é puramente descritivo (caracterizar o perfil do turista, por exemplo), sem comparação estatística entre grupos.
SPSS: para testes estatísticos
O que faz bem: testes de associação (qui-quadrado), comparação entre grupos (teste t, ANOVA), correlação e escalas Likert com múltiplos itens — o que a maioria das pesquisas de satisfação turística exige quando quer comparar a satisfação entre perfis diferentes de visitante (por faixa etária, por tipo de viagem, por nacionalidade).
O que considerar: o SPSS é um software pago, mas muitas universidades brasileiras oferecem licença institucional gratuita para estudantes através do laboratório de informática ou de um convênio com a IBM — confirme com a sua instituição antes de considerar um custo próprio. Alternativas gratuitas como o jamovi e o JASP replicam boa parte das funções do SPSS com interface parecida, sem custo, e são aceitas na maioria dos cursos de Turismo.
Melhor para: qualquer TCC que compare grupos estatisticamente ou teste associação entre variáveis — por exemplo, se a satisfação com o atendimento varia conforme o tipo de hospedagem.

Tabela comparativa
| Critério | Google Forms | Excel | SPSS / jamovi |
|---|---|---|---|
| Custo | Gratuito | Pago (ou incluso no Office institucional) | SPSS pago (licença institucional comum); jamovi e JASP gratuitos |
| Coleta de dados | Ótimo | Não é feito para isso | Não é feito para isso |
| Estatística descritiva | Básica | Boa | Excelente |
| Testes estatísticos (qui-quadrado, ANOVA) | Não tem | Limitado e manual | Nativo e confiável |
| Exportação de gráficos prontos para o TCC | Básica | Boa | Boa, com mais opções de customização estatística |
| Curva de aprendizado | Baixa | Baixa a média | Média |
Escala Likert: como cada ferramenta trata os dados
Perguntas de satisfação costumam usar escala Likert (de “muito insatisfeito” a “muito satisfeito”, geralmente com cinco ou sete pontos). No Google Forms, cada resposta sai como texto ou número simples, exigindo recodificação antes da análise. No Excel, é comum tratar a escala como número e calcular a média de cada item — tecnicamente questionável quando os pontos não têm distância clara entre si, mas amplamente aceito quando a média é acompanhada de moda ou mediana, e da distribuição de frequência completa. No SPSS e no jamovi, além da média, é possível calcular o alfa de Cronbach para verificar a consistência interna de uma escala com múltiplos itens somados — um passo que a banca costuma valorizar quando o questionário mede satisfação por meio de vários itens combinados, não de uma única pergunta isolada.
Exemplo ilustrativo de fluxo de trabalho
Um TCC fictício sobre satisfação de turistas com o atendimento em pousadas de um destino litorâneo poderia seguir este fluxo: questionário de doze perguntas criado no Google Forms, aplicado presencialmente com QR code nas próprias pousadas parceiras durante quatro semanas (dado fictício: 150 respostas coletadas); exportação para o Google Sheets, limpeza de respostas incompletas e cálculo das frequências e médias por item no Excel; importação para o jamovi para testar se a satisfação média difere entre hóspedes nacionais e estrangeiros, usando um teste t para amostras independentes. Cada etapa desse fluxo — a ferramenta, a versão e o critério de análise — entra na seção de metodologia, não apenas nos resultados.
Privacidade dos dados coletados
Questionários de satisfação turística costumam coletar dados como faixa etária, nacionalidade, cidade de origem e, às vezes, e-mail para sorteio de brinde — dados pessoais sujeitos à LGPD (Lei nº 13.709/2018). Configure o Google Forms para não coletar automaticamente o e-mail do respondente quando isso não for necessário para a pesquisa, informe no início do questionário a finalidade da coleta e como os dados serão usados, e armazene a planilha exportada em local com acesso restrito, sem compartilhar os dados brutos além da equipe de pesquisa. Anonimizar a planilha antes de anexá-la como apêndice do TCC — removendo e-mails e outros identificadores diretos — é uma prática que qualquer uma das três ferramentas permite fazer rapidamente antes da entrega.
Quando o Excel realmente é suficiente
Nem todo TCC de Turismo com pesquisa de satisfação precisa de teste estatístico inferencial. Se o objetivo é puramente descrever a satisfação geral de um grupo de visitantes — sem comparar subgrupos nem testar uma hipótese de associação —, o Excel entrega tudo que é necessário: médias por item da escala, frequência de respostas, e um gráfico que resume o perfil de satisfação. Complicar a análise com um teste estatístico que o objetivo do trabalho não pede costuma ser visto pela banca como redundante, não como sofisticação.
Amostragem: quantas respostas coletar antes de escolher a ferramenta
A escolha da ferramenta também depende do tamanho da amostra pretendida. Um levantamento com trinta ou quarenta respondentes, comum em TCCs de graduação com prazo curto, raramente sustenta testes inferenciais robustos — o Excel, com estatística descritiva bem apresentada, costuma ser proporcional ao tamanho da amostra. Já uma amostra maior, calculada a partir de uma população conhecida de visitantes de um destino, justifica o investimento em SPSS ou jamovi para extrair conclusões estatisticamente mais sólidas. Definir o tamanho da amostra antes de escolher a ferramenta de análise — e não o contrário — evita o retrabalho de rodar um teste que a amostra não sustenta.
Apresentando os resultados na defesa
Independentemente da ferramenta usada na análise, a apresentação para a banca costuma se beneficiar de gráficos simples e diretos — um gráfico de barras com a satisfação média por grupo comunica mais rápido do que uma tabela densa de saída do SPSS copiada e colada sem edição. Exporte os gráficos gerados na ferramenta de análise para os slides da defesa, mas simplifique: remova casas decimais desnecessárias, destaque apenas o resultado central de cada teste, e tenha a tabela completa disponível como apoio caso a banca peça mais detalhe durante a arguição.
Erros comuns na escolha da ferramenta
- Rodar um teste de significância no Excel manualmente e reportar o resultado sem citar a fórmula ou o método usado — a banca não consegue verificar o cálculo.
- Escolher o SPSS só porque parece mais “acadêmico”, quando o objetivo do trabalho é puramente descritivo e o Excel já resolveria.
- Não declarar a versão do software usado na metodologia — “os dados foram analisados no SPSS” sem indicar a versão dificulta a reprodutibilidade.
- Ignorar alternativas gratuitas (jamovi, JASP) por achar que só o SPSS pago é aceito — a maioria dos cursos aceita qualquer ferramenta que produza o teste corretamente, não uma marca específica.
- Tratar a escala Likert como número sem verificar a consistência interna da escala, quando o questionário soma vários itens numa mesma dimensão.
- Coletar e-mail ou outros dados identificáveis sem necessidade, e sem informar a finalidade dessa coleta ao respondente.
Verifique a originalidade antes de redigir os resultados
Depois de rodar a análise, a redação do capítulo de resultados é onde muitos estudantes acabam colando trechos de artigos semelhantes para explicar o que um teste “normalmente significa” — um atalho arriscado. O Tesify Antiplágio verifica a originalidade do seu texto antes da entrega, e o Tesify ajuda a redigir a interpretação dos seus próprios resultados, seção por seção, sem depender de trechos copiados de outros trabalhos. Cadastro grátis em ambos.
Perguntas frequentes
Preciso saber programar para usar o SPSS?
Não. O SPSS (assim como o jamovi e o JASP) tem interface gráfica de menus e cliques, sem exigir linguagem de programação — diferente do R, que exige escrever comandos. Para a maioria dos TCCs de Turismo com testes estatísticos padrão, a interface gráfica é suficiente.
Google Forms tem limite de respostas gratuitas?
Não há limite de respostas para uso pessoal gratuito do Google Forms — a limitação prática costuma ser o número de perguntas ou a integração com outras ferramentas do Google Workspace, não a quantidade de respondentes.
Posso usar apenas o WhatsApp para aplicar o questionário, sem Google Forms?
Pode enviar o link do formulário pelo WhatsApp — a ferramenta de coleta continua sendo o Google Forms (ou similar); o WhatsApp é apenas o canal de distribuição. Declare esse canal na metodologia, já que ele pode enviesar a amostra para pessoas com acesso ao aplicativo, algo a mencionar nas limitações do estudo.
O Excel do Office 365 é gratuito para estudantes?
Depende do convênio da sua instituição — muitas universidades brasileiras oferecem Office 365 gratuito para estudantes matriculados através do e-mail institucional. Confirme diretamente com a sua universidade antes de assumir o acesso ou considerar comprar uma licença própria.
O alfa de Cronbach precisa aparecer mesmo em questionários curtos?
Vale calcular sempre que o questionário somar vários itens para medir uma única dimensão de satisfação — mesmo com poucos itens, reportar a consistência interna mostra que a escala usada é confiável. Para uma única pergunta isolada de satisfação geral, esse cálculo não se aplica.
O jamovi substitui completamente o SPSS num TCC de Turismo?
Na prática, sim, para a grande maioria dos testes que um TCC de graduação em Turismo precisa — estatística descritiva, testes de comparação, correlação e escalas. As diferenças ficam mais em análises avançadas, raras em trabalhos de graduação, e na interface, que alguns orientadores conhecem melhor num software do que no outro; vale perguntar a preferência do seu orientador antes de decidir.
Preciso declarar as três ferramentas na metodologia, mesmo usando uma só para a análise final?
Sim. Declare toda ferramenta usada em cada etapa — coleta, organização e análise —, mesmo quando o teste estatístico final saiu de apenas uma delas. Essa transparência sobre o fluxo completo de trabalho faz parte do rigor metodológico esperado e ajuda a banca a entender exatamente como os dados brutos chegaram ao resultado apresentado.
