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Como Fazer TCC de Engenharia de Produção em 2026: Tema, Estudo de Caso e Estrutura

O TCC de Engenharia de Produção quase sempre parte de um problema real de uma empresa: um gargalo, um custo, um desperdício ou um indicador fora da meta. O trabalho é avaliado menos pela extensão teórica e mais pela consistência entre o diagnóstico, o método aplicado e o ganho demonstrado com dados.

O que muda no TCC de Engenharia de Produção

As Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Engenharia, definidas pela Resolução CNE/CES nº 2, de 24 de abril de 2019, estabelecem o trabalho de conclusão de curso como componente curricular obrigatório da formação. O formato, porém, é definido pelo regulamento de cada instituição — e é ele que diz se o seu caso será monografia, artigo ou projeto aplicado.

A diferença de fundo em relação a áreas como Administração está no tipo de evidência esperada. Um TCC de Engenharia de Produção precisa medir: tempos, filas, refugo, custo unitário, OEE, nível de serviço. Uma proposta de melhoria sem número antes e depois é o achado mais criticado nas bancas da área.

Fluxograma de processo produtivo com gargalo destacado
Mapear o processo e localizar o gargalo é o que transforma uma queixa da empresa em um problema de pesquisa.

Escolher o tema pelas 10 áreas da ABEPRO

A Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO) organiza a área em dez subáreas de conhecimento. Usá-las como cardápio resolve o bloqueio inicial de tema e já sinaliza à banca onde o trabalho se situa:

Áreas da ABEPRO e o tipo de TCC que costuma sair de cada uma
Área Recorte típico de TCC
Engenharia de Operações e Processos Mapeamento e redução de tempo de ciclo
Logística Roteirização, estoque, nível de serviço
Pesquisa Operacional Modelo de otimização, simulação, filas
Engenharia da Qualidade Controle estatístico, redução de refugo
Engenharia do Produto Desenvolvimento e melhoria de produto
Engenharia Organizacional Estratégia, processos e indicadores
Engenharia Econômica Viabilidade, payback, análise de investimento
Engenharia do Trabalho Ergonomia, segurança, produtividade
Engenharia da Sustentabilidade Resíduos, energia, logística reversa
Educação em Engenharia Ensino e formação na área

Temas que funcionam (e os que travam)

Funcionam bem porque geram dado mensurável em um semestre:

  • Redução do tempo de setup em uma linha específica.
  • Aplicação de controle estatístico de processo em um item de alto refugo.
  • Reorganização de layout com medição de distância percorrida antes e depois.
  • Política de estoque para um grupo de itens de maior giro.
  • Estudo de viabilidade econômica de um investimento já cogitado pela empresa.
  • Análise ergonômica de um posto de trabalho com queixa registrada.

Travam com frequência:

  • “Implantar Indústria 4.0 na empresa X” — escopo grande demais para um semestre.
  • Temas que dependem de investimento que a empresa não vai fazer a tempo de você medir o resultado.
  • Simulações sem dado real de entrada, em que os parâmetros são arbitrados.
  • Diagnóstico sem proposta, ou proposta sem diagnóstico — a banca cobra os dois lados.

Como conseguir e tratar os dados da empresa

Esta é a etapa que mais atrasa o cronograma, porque depende de terceiros. Antecipe-a:

  1. Peça autorização formal por escrito antes de coletar qualquer coisa. Um e-mail de aprovação do responsável já resolve na maioria dos casos.
  2. Combine o nível de sigilo. É comum a empresa autorizar o estudo mas não a divulgação do nome ou dos valores absolutos.
  3. Use índices quando os valores forem sensíveis. Trabalhar com número-índice ou percentual de variação preserva a confidencialidade sem inviabilizar a análise.
  4. Registre a procedência de cada dado — sistema de origem, período, quem forneceu. É isso que sustenta a reprodutibilidade.
  5. Não invente número que faltou. Se um dado não existe, declare a limitação; fabricar dado é infração de integridade, não simplificação metodológica.

Quando o trabalho envolve dados internos, sigilo e LGPD entram na conversa — o enquadramento está em usar dados da empresa onde você trabalha no TCC.

Dados de produção e documentos técnicos usados no estudo de caso do TCC
Sem série de dados antes e depois, a proposta de melhoria vira opinião — é o ponto que a banca ataca primeiro.

Estrutura capítulo a capítulo

  1. Introdução — contexto do setor, problema, objetivo geral e específicos, justificativa em termos de impacto.
  2. Referencial teórico — apenas os métodos que você vai efetivamente usar. Em Engenharia de Produção, referencial genérico pesa contra.
  3. Metodologia — classificação da pesquisa, empresa estudada, período, instrumentos de coleta, tratamento dos dados.
  4. Diagnóstico — situação atual com números: fluxograma, indicadores, gráficos de Pareto.
  5. Proposta — a intervenção, com justificativa técnica e econômica.
  6. Resultados — o comparativo antes e depois, ou a projeção quando a implantação não coube no prazo (declarada como projeção).
  7. Conclusão — o que foi respondido, limitações e trabalhos futuros.

A ordem geral das partes pré e pós-textuais segue a estrutura padrão do TCC. Se o seu curso pedir formato de estudo de caso formal, o protocolo de Yin está em estudo de caso como metodologia.

Métodos e ferramentas mais aceitos

Ferramentas por tipo de problema
Problema Ferramenta usual O que você precisa medir
Muitas causas, pouca clareza Pareto e Ishikawa Frequência por tipo de ocorrência
Variação fora de controle Cartas de controle (CEP) Amostras seriadas da característica
Desperdício no fluxo Mapeamento de fluxo de valor Tempos de agregação e espera
Falhas potenciais FMEA Severidade, ocorrência, detecção
Decisão de investimento VPL, TIR, payback Fluxo de caixa e taxa mínima
Filas e capacidade Simulação de eventos discretos Taxas de chegada e de atendimento reais

O tratamento estatístico dos dados coletados segue o mesmo caminho de qualquer pesquisa quantitativa — veja análise de dados quantitativos no TCC e, se houver amostragem, população e amostra.

Erros que a banca cobra

  • Proposta sem medição — recomendar melhoria sem baseline nem resultado.
  • Escopo aberto demais — a empresa inteira em vez de uma linha, um setor, uma família de itens.
  • Referencial descolado — capítulo teórico sobre temas que não reaparecem na análise.
  • Dados sem procedência — tabela sem indicação de origem e período.
  • Ganho exagerado — projeção otimista sem sensibilidade nem limitação declarada.
  • Confundir diagnóstico com sintoma — atacar o efeito visível sem investigar a causa raiz.

Ferramentas de apoio podem encurtar a parte de redação e formatação — o comparativo específico da área está em ferramentas de IA para TCC de Engenharia. O que não se terceiriza é a coleta e a interpretação dos dados: é exatamente isso que a banca avalia. Para comparar com o percurso de outra área aplicada, veja como fazer TCC de Administração.

Perguntas frequentes

Preciso de uma empresa para fazer TCC de Engenharia de Produção?

Não obrigatoriamente, mas é o formato mais comum e mais bem avaliado. Alternativas sem empresa incluem modelagem em pesquisa operacional com dados públicos, revisão sistemática e estudos com bases de dados abertas.

Como escolher o tema do TCC de Engenharia de Produção?

Parta de um problema mensurável em um escopo pequeno e use as dez áreas da ABEPRO para se situar. Um recorte estreito com dado real vale mais que um tema amplo sem medição.

O TCC de Engenharia pode ser em formato de artigo?

Depende do regulamento do curso. Muitas instituições aceitam artigo científico em vez de monografia, às vezes com exigência de submissão a um periódico ou evento. Confirme no manual antes de definir a extensão.

E se a empresa não autorizar divulgar os dados?

É uma situação comum e contornável: use nome fictício para a empresa, trabalhe com números-índice ou variações percentuais em vez de valores absolutos, e registre a restrição na seção de limitações.

Posso fazer o TCC sobre a empresa onde trabalho?

Sim, e costuma facilitar o acesso aos dados. Formalize a autorização por escrito e declare o vínculo no trabalho, porque ele é relevante para a leitura dos resultados.

Quanto tempo leva um TCC de Engenharia de Produção?

O prazo formal costuma ser um ou dois semestres, mas o gargalo raramente é a escrita: é a coleta de dados na empresa, que depende de terceiros. Comece a negociar o acesso antes de fechar o tema.

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