TCC de Publicidade e Propaganda em Formato de Projeto Experimental: Estrutura do Memorial Descritivo (2026)

Muitos cursos de Publicidade e Propaganda no Brasil aceitam o TCC em formato de projeto experimental — uma campanha, peça ou material publicitário desenvolvido pelo próprio estudante, acompanhado de um memorial descritivo que fundamenta e documenta o processo criativo. Este guia explica a estrutura desse formato, quando ele é aceito e como fundamentar teoricamente uma peça publicitária diante da banca.

O que é um TCC em formato de projeto experimental

Diferente da monografia tradicional, que responde a uma pergunta de pesquisa com revisão de literatura e, eventualmente, coleta de dados, o projeto experimental em Publicidade e Propaganda tem como produto final uma peça ou campanha publicitária real — um filme, uma campanha impressa, uma ação de mídias sociais, uma identidade de marca — desenvolvida para um cliente real, fictício ou uma causa social. O trabalho acadêmico em si é o memorial descritivo: o documento escrito que fundamenta teoricamente as escolhas criativas e estratégicas feitas na peça.

Isso não significa menos rigor acadêmico — o memorial precisa justificar cada decisão criativa com base em teoria de comunicação, pesquisa de público e análise de mercado, exatamente como uma monografia tradicional justificaria uma escolha metodológica. Para quem ainda está decidindo entre os formatos, o guia de como fazer TCC de Marketing e Publicidade compara os caminhos possíveis e os erros que a banca mais cobra em cada um.

Quando as faculdades aceitam esse formato

A aceitação do projeto experimental como formato de TCC depende do Projeto Pedagógico de Curso (PPC) de cada instituição — não é uma regra nacional única. A maioria dos cursos de Publicidade e Propaganda no Brasil aceita esse formato como alternativa à monografia, mas alguns exigem que o estudante escolha entre os dois logo no início do último ano, enquanto outros permitem trocar de formato mais tarde, mediante justificativa ao colegiado. Confirme com a coordenação do seu curso o prazo e o processo para optar pelo projeto experimental. Em alguns cursos, essa escolha fica registrada formalmente já na matrícula da disciplina de TCC, e trocar de formato depois exige justificativa por escrito ao colegiado — planejar essa decisão com antecedência evita contratempos burocráticos no semestre final.

Vale lembrar que o formato de artigo científico, cada vez mais comum em outras áreas, raramente substitui a monografia ou o projeto experimental em Publicidade e Propaganda — os dois formatos tradicionais continuam sendo os mais aceitos na maioria dos cursos, embora valha a pena confirmar essa exceção com a coordenação antes de descartar a opção.

Estrutura do memorial descritivo

Um memorial descritivo de projeto experimental costuma seguir esta sequência: introdução (contextualização do problema de comunicação que a peça resolve), referencial teórico (as teorias de comunicação e publicidade que fundamentam as escolhas), briefing (o documento que orienta a criação, com objetivos, público-alvo e restrições), estratégia criativa (o raciocínio que conecta o briefing à peça final), descrição técnica da execução (como a peça foi produzida, com que recursos), e considerações finais (autoavaliação crítica do resultado frente aos objetivos do briefing).

Diferente de uma monografia tradicional, o memorial não tem capítulo de resultados no sentido de dados coletados — o resultado é a própria peça publicitária, anexada ou apresentada junto ao memorial. A análise crítica de como a peça atende (ou não atende completamente) aos objetivos do briefing funciona como a seção de discussão do trabalho.

Assim como numa monografia, o memorial também precisa de um objetivo geral e objetivos específicos bem definidos logo na introdução — o guia de objetivo geral e específicos do TCC explica como alinhar esses objetivos ao problema de comunicação e à metodologia escolhida, uma lógica que se aplica tanto à monografia quanto ao projeto experimental.

Estudante de Publicidade organizando peças de uma campanha publicitária e o memorial descritivo impresso na mesa
O memorial descritivo fundamenta teoricamente as escolhas criativas feitas na peça publicitária.

Diferença entre briefing e problema de pesquisa

Em uma monografia tradicional, o trabalho parte de um problema de pesquisa formulado como pergunta. No projeto experimental, o ponto de partida equivalente é o briefing — o documento que define o objetivo de comunicação, o público-alvo, o tom de voz da marca e as restrições práticas (orçamento fictício, prazo, meios de veiculação). O briefing não é opcional nem apenas um detalhe de produção: ele é o objeto que todo o memorial descritivo vai justificar e responder, como o problema de pesquisa faz numa monografia.

Um erro comum é escrever um briefing vago demais (aumentar o engajamento da marca nas redes sociais, por exemplo, sem definir quanto, para quem e em que prazo) — um briefing bem construído delimita o problema de comunicação da mesma forma que um problema de pesquisa bem formulado delimita uma monografia.

Como fundamentar teoricamente uma peça publicitária

O referencial teórico de um memorial descritivo recorre a teorias de comunicação persuasiva (como o modelo AIDA — atenção, interesse, desejo, ação — ou modelos mais recentes de jornada do consumidor), semiótica publicitária (a análise dos signos visuais e verbais usados na peça) e teoria de marca e posicionamento. Autores brasileiros de referência na área de comunicação publicitária, como Gaudêncio Torquato e Sandra Ramalho e Oliveira, aparecem com frequência nesse tipo de trabalho, ao lado de autores internacionais de branding e comunicação persuasiva. Quando o memorial analisa os elementos verbais e visuais da própria peça em profundidade, a análise de discurso oferece um dispositivo analítico mais estruturado do que uma descrição solta das escolhas criativas.

A fundamentação teórica não deve apenas descrever a teoria de forma isolada — ela precisa se conectar diretamente a uma decisão concreta tomada na peça: por que essa cor, essa mensagem, esse formato de mídia foram escolhidos, à luz de qual conceito teórico. Um memorial que apresenta teoria num capítulo e a peça em outro, sem essa costura explícita entre os dois, deixa a fundamentação incompleta aos olhos da banca.

Moodboard e paleta de cores de uma campanha publicitária ao lado de anotações sobre teoria de comunicação
Cada escolha criativa da peça — cor, mensagem, formato — precisa se conectar explicitamente a um conceito do referencial teórico.

Ética publicitária: o papel do CONAR

Peças publicitárias desenvolvidas para o TCC, mesmo sendo exercício acadêmico, costumam ser avaliadas também à luz do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, fiscalizado pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR). Um memorial descritivo que demonstra consciência sobre os limites éticos da publicidade — evitando apelos enganosos, comparações desleais ou representações discriminatórias — fortalece a fundamentação do trabalho, especialmente em peças voltadas a públicos sensíveis, como crianças, ou em categorias reguladas, como bebidas alcoólicas.

Incluir uma breve seção sobre conformidade ética no próprio memorial — mesmo que a peça seja um exercício fictício sem veiculação real — mostra à banca que o estudante entende a publicidade como uma prática regulada, não apenas como um exercício de criatividade livre. Essa seção pode ser curta, mas vale mencionar explicitamente se algum princípio do código de autorregulamentação foi especialmente considerado na estratégia criativa.

Como apresentar o projeto experimental para a banca

A apresentação de um projeto experimental costuma combinar a exposição oral do memorial (como em qualquer defesa de TCC) com a exibição da peça em si — um filme publicitário é reproduzido, uma campanha impressa é exibida em pranchas ou portfólio digital, uma ação de mídias sociais é apresentada com prints e métricas simuladas de alcance. Preparar esse material de apresentação com antecedência, testando a reprodução técnica (formato de vídeo, resolução de imagem) antes do dia da defesa, evita imprevistos que não têm relação com a qualidade do trabalho em si, mas afetam a impressão da banca.

Uma sequência de apresentação que costuma funcionar bem começa pelo briefing (para situar a banca no problema de comunicação), passa pela fundamentação teórica resumida (só os pontos que sustentam diretamente as escolhas feitas), exibe a peça, e fecha com a autoavaliação crítica — essa ordem espelha a lógica do próprio memorial e evita que a banca precise reconstruir o raciocínio por conta própria durante a apresentação.

O papel da pesquisa de público no memorial

Um briefing bem fundamentado se apoia em pesquisa de público, mesmo que simplificada para os limites de um TCC — entrevistas exploratórias, um pequeno questionário ou a análise de dados secundários sobre o público-alvo pretendido. O memorial descritivo precisa mostrar como essa pesquisa (ainda que modesta) informou decisões concretas da peça: o tom de voz escolhido, o canal de veiculação priorizado, a linguagem visual adotada.

Quando o curso não exige pesquisa primária de público para o projeto experimental, use dados secundários (pesquisas setoriais, relatórios de consumo, estudos de comportamento do público-alvo já publicados) para fundamentar as escolhas do briefing — uma peça publicitária sem qualquer base de público, mesmo em contexto fictício, tende a parecer arbitrária diante da banca.

Diferença entre um projeto experimental individual e em grupo

Quando o formato permite trabalho em grupo, a divisão de responsabilidades — quem liderou a estratégia, quem executou o design, quem redigiu o memorial — precisa ficar documentada, geralmente numa seção específica de contribuição de cada integrante. Isso não é apenas uma formalidade: a banca costuma perguntar individualmente sobre decisões específicas da peça durante a defesa, e cada integrante precisa conseguir justificar tecnicamente as partes pelas quais foi responsável, não apenas repetir o que o memorial diz.

Como a peça se conecta com o cronograma de produção

Assim como uma monografia tem um cronograma de coleta e análise de dados, o projeto experimental precisa de um cronograma de produção realista: tempo para desenvolvimento do conceito, aprovação do briefing pelo orientador, produção da peça (que pode envolver filmagem, diagramação, edição), e revisão final antes da entrega. Subestimar o tempo de produção — especialmente em peças audiovisuais, que dependem de terceiros como atores ou locações — é uma causa comum de atraso na entrega final, e vale reservar uma margem de segurança maior do que a estimativa inicial de produção.

Erros comuns no TCC em formato de projeto experimental

O erro mais frequente é entregar uma peça publicitária bem executada tecnicamente, mas com um memorial descritivo fraco, que não justifica as escolhas criativas com teoria — a banca de TCC avalia o raciocínio acadêmico por trás da peça, não apenas a qualidade estética do resultado final. O segundo é um briefing vago ou inconsistente com a peça final entregue. O terceiro é ignorar completamente a autoavaliação crítica nas considerações finais, apresentando a peça como perfeita sem reconhecer limitações reais do processo ou do resultado.

Um quarto erro é deixar a fundamentação teórica solta, sem amarração direta com decisões específicas da peça — um capítulo teórico completo sobre semiótica ou branding que nunca volta a ser mencionado quando o memorial descreve a peça em si perde a força de argumento que deveria ter. A teoria precisa aparecer de novo, ainda que brevemente, no momento em que cada escolha criativa é justificada.

Perguntas frequentes

Posso trabalhar em dupla no projeto experimental?
Depende do regulamento da sua instituição — muitos cursos de Publicidade e Propaganda permitem, dado o caráter naturalmente colaborativo da produção publicitária, mas confirme a regra específica e como a divisão de responsabilidades deve ser documentada no memorial.

O projeto experimental precisa de um cliente real?
Não necessariamente — pode ser desenvolvido para uma marca fictícia ou para uma causa social, desde que o briefing seja construído com rigor equivalente ao de um cliente real, com pesquisa de mercado e público-alvo bem definidos.

Quantas páginas costuma ter o memorial descritivo?
Não há um número fixo em norma nacional — cada curso define a extensão esperada, geralmente menor que uma monografia tradicional, já que parte do trabalho está na peça em si, não apenas no texto escrito. Confirme a faixa esperada no manual de TCC do seu curso.

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