Relatório de Estágio do TCC de Segurança do Trabalho: Passo a Passo 2026

Em muitos cursos de Tecnologia em Segurança do Trabalho, o relatório de estágio supervisionado é a base direta do TCC: o mesmo diagnóstico de riscos feito na empresa vira o corpo do trabalho final, só que reescrito com metodologia, referencial teórico e estrutura ABNT. Este passo a passo mostra como transformar um estágio real (ou um exemplo ilustrativo, se você ainda não iniciou o seu) num TCC completo — veja também como usar IA no relatório de estágio sem terceirizar a autoria.

Passo 1 — Confirme se o seu curso exige relatório e TCC separados ou um trabalho único

Antes de escrever qualquer linha, confira o regulamento do seu curso: alguns cursos técnicos e tecnólogos exigem o relatório de estágio (Lei n.º 11.788/2008) e o TCC como documentos distintos, entregues em momentos diferentes; outros aceitam que o relatório de estágio, ampliado com referencial teórico e discussão, sirva como o próprio TCC. Essa confirmação muda a estrutura do documento e evita retrabalho na reta final.

Se o seu curso pedir os dois documentos separadamente, vale planejar desde o início do estágio: registre datas, observações e dados brutos num caderno de campo ou planilha à parte, porque o relatório de estágio costuma ter prazo de entrega mais curto e um formato mais descritivo, enquanto o TCC dá tempo para amadurecer a análise e amarrar o referencial teórico com calma.

Antes do primeiro dia: o que já pensar no TCC

Três providências, tomadas antes ou logo no início do estágio, poupam retrabalho depois: primeiro, pergunte à empresa, por escrito, se há restrição para uso dos dados observados em trabalho acadêmico — algumas empresas pedem revisão do texto antes da entrega, outras exigem anonimização total. Segundo, defina desde o início se você vai registrar dados quantitativos (medições, número de ocorrências) ou só observações qualitativas — isso muda o tipo de metodologia que você vai declarar no TCC. Terceiro, guarde cópia de todo documento consultado (PGR, laudos, fichas de treinamento) mesmo que não use tudo no trabalho final — é mais fácil descartar material depois do que voltar à empresa pedindo um documento que você deveria ter copiado durante o estágio.

Passo 2 — Caracterize a empresa e o setor onde o estágio ocorreu

Abra o capítulo de caracterização com: ramo de atividade da empresa (CNAE, se disponível), porte, número aproximado de funcionários do setor observado, e uma descrição do processo produtivo relevante para os riscos que você vai analisar. Não é preciso identificar a empresa pelo nome real se o regulamento do curso pedir sigilo — um nome fictício ou a descrição “empresa de médio porte do setor metalúrgico” resolve, desde que declarado explicitamente que o nome foi alterado por confidencialidade.

Passo 3 — Descreva as atividades realizadas no estágio

Liste as atividades acompanhadas ou executadas durante o estágio de forma cronológica ou temática: inspeções de segurança, elaboração de laudos, acompanhamento de treinamentos, participação em reuniões de CIPA. Essa seção não é uma lista de tarefas administrativas — ela precisa apontar quais atividades geraram o material que vira o diagnóstico do capítulo seguinte.

Um formato que funciona bem é organizar essa seção por semana ou por mês de estágio, com uma frase de resumo por período e uma referência cruzada ao dado que aquele período gerou — por exemplo, “na segunda quinzena de estágio, acompanhei três inspeções na linha de produção 2, cujos registros de ruído embasam o diagnóstico apresentado na seção 4.2.” Esse tipo de referência cruzada facilita a vida de quem lê o trabalho inteiro e mostra que a estrutura do relatório foi pensada, não só encadeada por ordem cronológica.

Técnico em Segurança do Trabalho realizando inspeção de riscos ocupacionais em ambiente industrial para o relatório de estágio
As observações registradas durante as inspeções de campo do estágio viram a base de dados do diagnóstico de riscos do capítulo seguinte.

Passo 4 — Monte o diagnóstico de riscos ocupacionais por Norma Regulamentadora

Este é o capítulo central do trabalho. Organize o diagnóstico por categoria de risco e cite a NR aplicável a cada uma: riscos físicos, químicos e biológicos, hoje mapeados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), previsto no Anexo I da NR-01 (que substituiu o antigo PPRA da NR-9 desde 2022); riscos ergonômicos, avaliados conforme a NR-17; uso e adequação de equipamentos de proteção individual, conforme a NR-6; e, quando aplicável ao setor observado, riscos específicos como trabalho em altura (NR-35), espaços confinados (NR-33) ou máquinas e equipamentos (NR-12).

Comentário: um erro comum é citar a NR errada para o risco descrito — por exemplo, tratar um risco ergonômico como se fosse coberto pela NR-6 (que trata de EPI, não de ergonomia). Confira sempre qual NR realmente regula o risco antes de citá-la no diagnóstico.

Exemplo comentado (ilustrativo): “Na linha de produção observada, identificou-se exposição a ruído acima do limite de tolerância em três postos de trabalho, conforme medição registrada no PGR da empresa. Os trabalhadores desses postos utilizavam protetor auricular tipo plug, mas sem ficha de controle de entrega e troca periódica documentada, em desacordo com a NR-6.”

Vale organizar o diagnóstico numa tabela-síntese ao final do capítulo: uma coluna para o posto de trabalho ou atividade observada, uma para o risco identificado, uma para a NR aplicável e uma para a evidência (medição, observação direta, documento consultado) que sustenta a identificação. Essa tabela facilita muito a leitura da banca e, na prática, já é o rascunho da seção de resultados.

Passo 5 — Escreva o referencial teórico conectado ao diagnóstico

O referencial teórico de um TCC de Segurança do Trabalho não é uma lista de definições de “o que é risco ocupacional” — ele precisa trazer a hierarquia de controle de riscos (eliminação, substituição, controles de engenharia, controles administrativos, EPI, nessa ordem de prioridade) e mostrar como essa hierarquia orienta as recomendações que você vai propor no capítulo seguinte. Cite também a norma regulamentadora de cada risco identificado no diagnóstico — se o diagnóstico menciona ruído, o referencial teórico precisa explicar o que a NR aplicável exige sobre esse risco.

Passo 6 — Proponha um plano de ação com prioridades

Depois do diagnóstico, o trabalho apresenta recomendações organizadas pela hierarquia de controle de riscos, não por ordem de custo ou de facilidade. Um formato que funciona bem é uma tabela com quatro colunas: risco identificado, medida de controle recomendada, nível hierárquico da medida (eliminação, substituição, engenharia, administrativo, EPI) e prazo sugerido. Esse formato deixa claro, para a banca, que você não está apenas listando problemas — está priorizando soluções segundo o critério técnico correto da área.

Plano de ação de segurança do trabalho organizado por hierarquia de controle de riscos em planilha
Organizar o plano de ação pela hierarquia de controle de riscos, não por facilidade de implementação, é o que a banca de Segurança do Trabalho espera ver.

Passo 7 — Formate o trabalho final segundo a ABNT

Depois de escrever os capítulos, revise a estrutura completa contra a NBR 14724:2024 (elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais), as citações conforme a NBR 10520:2023 e a lista de referências conforme a NBR 6023:2025. Anexos comuns em relatório de estágio de Segurança do Trabalho incluem: ficha de entrega de EPI (modelo, sem dado real do trabalhador), plano de ação completo e, quando autorizado pela empresa, fotos genéricas do ambiente (nunca de rostos de funcionários, sem autorização de uso de imagem).

O que muda entre relatório de estágio e um TCC investigativo

Um relatório de estágio descreve o que foi observado e recomenda melhorias pontuais para aquela empresa específica. Um TCC investigativo, mesmo partindo do mesmo material de campo, costuma ir além: compara o caso observado com a literatura da área, discute por que certos riscos aparecem com frequência naquele tipo de processo produtivo (não só naquela empresa) e propõe uma reflexão que serviria para outros casos semelhantes, não apenas para o local do estágio. Se o seu curso pede essa camada adicional, planeje um parágrafo de discussão ao final do diagnóstico que responda: “o que este caso ensina sobre gestão de risco além desta empresa específica?”

Erros mais comuns nesse tipo de trabalho

  • Descrever o risco sem citar a NR aplicável — todo risco levantado no diagnóstico precisa vir amarrado à norma regulamentadora correspondente.
  • Recomendações fora da hierarquia de controle — propor apenas EPI quando uma medida de engenharia (isolamento da fonte de ruído, por exemplo) seria a prioridade tecnicamente correta.
  • Identificar a empresa ou funcionários sem autorização — nome real da empresa, fotos de rostos ou dados que permitam identificar trabalhadores exigem autorização explícita; sem ela, use nomes fictícios e descrições genéricas.
  • Confundir CIPA com PGR — a CIPA (NR-5) é a comissão que acompanha a prevenção; o PGR (NR-01, Anexo I) é o programa técnico de gerenciamento de riscos. São coisas diferentes que se relacionam, não sinônimos.
  • Copiar trechos do PGR ou de laudos da empresa sem citação — mesmo sendo documento interno da empresa, qualquer trecho reproduzido literalmente do PGR, de laudos ou de normas precisa de citação conforme a NBR 10520, com indicação da fonte.

Como o Tesify ajuda a redigir o relatório

O Tesify Editor IA ajuda a transformar as anotações de campo do estágio em texto corrido, seção por seção, mantendo a estrutura ABNT e sugerindo melhorias de clareza sem reescrever o trabalho por você — você mantém o controle sobre o que foi observado e recomendado. Cadastro gratuito.

Perguntas frequentes

O relatório de estágio e o TCC de Segurança do Trabalho são sempre o mesmo documento?

Não necessariamente — depende do regulamento do curso. Alguns cursos pedem os dois separadamente; outros aceitam que o relatório de estágio, ampliado com referencial teórico e discussão, sirva como TCC. Confirme com a coordenação antes de estruturar o trabalho.

Preciso identificar a empresa real no trabalho?

Não. A maioria dos cursos aceita nome fictício ou descrição genérica do setor, desde que isso esteja declarado no trabalho. Consulte também se a empresa exige um termo de confidencialidade antes de você usar qualquer dado do local do estágio.

O que é a hierarquia de controle de riscos?

É a ordem de prioridade das medidas de prevenção: eliminação do risco, substituição por algo menos perigoso, controles de engenharia, controles administrativos e, por último, uso de equipamento de proteção individual (EPI). Um plano de ação bem construído prioriza as primeiras opções antes de recorrer ao EPI como única medida.

O PPRA da NR-9 ainda existe?

Não como documento isolado. Desde 2022, o antigo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA, previsto na NR-9) foi substituído pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), previsto no Anexo I da NR-01. Um TCC que ainda cita “PPRA conforme NR-9” como documento vigente está usando uma referência desatualizada.

Quantas Normas Regulamentadoras preciso citar no diagnóstico?

Não existe um número fixo — cite apenas as NRs efetivamente aplicáveis aos riscos que você identificou no estágio. Um diagnóstico enxuto com três ou quatro NRs bem fundamentadas vale mais do que uma lista extensa de normas pouco conectadas ao caso observado.

Quantas páginas costuma ter esse tipo de trabalho?

A ABNT não fixa um número de páginas; a extensão varia conforme o regulamento do curso. Relatórios de estágio ampliados a TCC costumam ser mais longos que um relatório simples, porque incorporam referencial teórico e discussão que o relatório sozinho não teria.

Escreva seu TCC com IA

Estruture, escreva e formate suas referências nas normas ABNT — com integridade acadêmica. Cadastro gratuito, sem cartão.

Comece grátis com o Tesify →

Categorias