O projeto de pesquisa (ou pré-projeto) é o documento que a coordenação aprova antes de você começar a escrever o TCC de Logística de verdade. Siga estes nove passos, na ordem, e você sai com um projeto completo, formatado pela NBR 15287:2025, pronto para levar ao orientador. Se ainda estiver decidindo o tema, veja também como fazer o TCC de Logística para os formatos e temas por subárea antes de fechar o recorte.
Passo 1: Escolha e delimite o tema
Logística é uma área ampla — estoque, transporte, armazenagem, cadeia de suprimentos, logística reversa. Um tema forte de TCC não é “gestão de estoque”, mas “gestão de estoque por curva ABC numa distribuidora de médio porte”: já diz o subtema, a ferramenta e o tipo de empresa. Delimite por subárea (estoque, transporte, armazenagem, supply chain), pelo tipo de organização (indústria, varejo, e-commerce, operador logístico) e pelo recorte geográfico ou setorial, se fizer sentido para o seu acesso a dados.
Temas por subárea, se a gestão de estoque não for a sua
O passo a passo deste guia usa a curva ABC de estoque como exemplo porque é um dos temas mais acessíveis, mas a mesma estrutura de projeto serve para qualquer subárea de Logística:
- Transporte e roteirização — otimização de rotas de entrega, escolha de modal, redução de custo de frete.
- Armazenagem — layout de armazém, endereçamento, picking, uso de WMS (sistema de gerenciamento de armazém).
- Cadeia de suprimentos (supply chain) — relação com fornecedores, gestão de risco na cadeia, indicadores de desempenho (KPIs) logísticos.
- Logística reversa — retorno de produtos, devoluções, reaproveitamento e descarte de embalagens.
Em qualquer uma dessas subáreas, os nove passos abaixo continuam os mesmos — muda apenas o conteúdo técnico de cada seção.
Passo 2: Formule o problema de pesquisa
Transforme o tema numa pergunta que o TCC vai responder. Para o exemplo deste guia: “como a aplicação da curva ABC de classificação de estoque pode reduzir o capital imobilizado em itens de baixo giro numa distribuidora fictícia?”. Evite perguntas de sim/não — prefira perguntas que peçam uma análise (“como”, “em que medida”, “de que forma”).
Passo 3: Defina objetivo geral e específicos
O objetivo geral resume a pergunta em uma meta: “analisar a aplicação da curva ABC na gestão de estoque de uma distribuidora fictícia”. Os objetivos específicos são os passos para chegar lá — normalmente três: (1) levantar os dados de consumo e valor dos itens do estoque fictício; (2) classificar os itens nas categorias A, B e C conforme os critérios da curva ABC; (3) propor ações de gestão diferenciadas por categoria.
Passo 4: Escreva a justificativa
Ligue o tema a um motivo concreto: itens de baixo giro (categoria C) muitas vezes ocupam espaço e capital de forma desproporcional ao seu peso nas vendas, e a curva ABC é uma das ferramentas mais citadas na literatura de logística para priorizar onde o controle deve ser mais rigoroso. Evite frases genéricas como “a logística é fundamental para as empresas” — aponte a lacuna específica que o seu recorte preenche.
Passo 5: Monte o esboço do referencial teórico
Liste os dois ou três blocos teóricos que vão sustentar a análise: o conceito de gestão de estoque e os custos associados (custo de pedido, custo de manutenção, custo de falta); o método da curva ABC (também chamado de análise de Pareto aplicada a estoques) e seus critérios de classificação; e, se aplicável, os indicadores de giro de estoque e cobertura usados para avaliar o resultado da classificação. No projeto de pesquisa, este passo é só um esboço com os autores e conceitos-chave — o desenvolvimento completo, com citações, fica para o TCC final.
Passo 6: Defina a metodologia
Diga como você vai responder ao problema: um estudo de caso numa empresa real (com autorização formal), um estudo aplicado com dados fictícios de uma empresa hipotética (comum quando o acesso a dados reais é limitado), ou uma pesquisa bibliográfica sobre o tema. Para o exemplo deste guia, a metodologia é um estudo de caso aplicado, com dados de consumo e valor unitário de uma distribuidora fictícia, analisados pela classificação ABC. Declare a abordagem (quantitativa, no caso de análise ABC) e a técnica de coleta (dados de sistema, planilha de controle, entrevista com o responsável pelo estoque).
Passo 7: Liste os recursos necessários
A NBR 15287:2025 pede uma seção de recursos: materiais (planilha eletrônica ou software de gestão de estoque, se disponível), humanos (você e o orientador, mais um contato na empresa se o estudo de caso for real) e, quando aplicável, financeiros (deslocamento até a empresa, impressão). Para um projeto aplicado com dados fictícios, essa seção costuma ser simples — mas não a omita, é elemento textual da norma.

Passo 8: Monte o cronograma
Distribua as etapas ao longo do semestre, sem datas fixas porque cada curso define seu próprio calendário: levantamento e delimitação do tema; redação do referencial teórico; coleta ou construção dos dados de estoque; classificação ABC e análise; redação da proposta de ações por categoria; revisão final e formatação. Veja um modelo de cronograma de TCC em formato de Gantt para adaptar a essas seis etapas.
Passo 9: Formate segundo a NBR 15287:2025
A ordem do projeto de pesquisa, pela NBR 15287:2025, é: capa, folha de rosto, sumário, introdução (tema, problema, objetivos, justificativa), referencial teórico, metodologia, recursos, cronograma e referências. É uma estrutura mais enxuta que a do TCC final — não leva resumo em duas línguas nem elementos pós-textuais como apêndices. Veja a estrutura completa de TCC para comparar com o documento final, que você vai escrever depois que o projeto for aprovado.
Diferença entre o projeto de pesquisa e o TCC final
O projeto de pesquisa é uma promessa: ele diz o que você vai investigar e como. O TCC final é o cumprimento dessa promessa, com os dados efetivamente coletados ou construídos, a análise completa, a discussão dos resultados e a conclusão. Muita gente confunde os dois e tenta colocar resultados no projeto — mas resultados só existem depois da coleta, que normalmente acontece só depois da aprovação do projeto pela banca ou pelo orientador. Se o seu curso pede um projeto muito próximo da entrega final, pergunte à coordenação se cabe adiantar uma coleta piloto, mas deixe isso explícito na metodologia, não escondido como se já fosse resultado.
Como apresentar o projeto ao orientador
Antes da submissão formal, leve o projeto numa reunião curta e destaque três pontos: por que o problema escolhido é relevante e viável no prazo disponível; que dados você efetivamente tem acesso para responder a ele; e o que o referencial teórico já esboçado diz sobre a ferramenta ou o método escolhido. Orientadores de Logística costumam perguntar primeiro sobre a viabilidade do acesso aos dados — tenha essa resposta pronta antes de qualquer outra parte do projeto.

Exemplo comentado: curva ABC numa distribuidora fictícia
Para fechar a amarração, veja como os passos se conectam num exemplo ilustrativo: a “Distribuidora XPTO” (nome fictício) tem duzentos itens fictícios no estoque. O problema pergunta como a curva ABC pode orientar a gestão desses itens. Os objetivos específicos levantam os dados de consumo, classificam os itens e propõem ações por categoria. A metodologia descreve que os dados fictícios de consumo mensal e valor unitário serão organizados em ordem decrescente de valor total, acumulando o percentual até identificar os cortes de 80% (categoria A), 15% (categoria B) e 5% (categoria C) — os percentuais de corte são convenção comum na literatura, mas cada trabalho deve justificar os limites escolhidos, não apenas copiá-los. O referencial teórico explica por que esses cortes fazem sentido teoricamente, e o cronograma reserva duas semanas só para a etapa de classificação, por ser o núcleo analítico do trabalho.
Erros mais comuns no projeto de pesquisa de Logística
Tema amplo demais (“logística no Brasil”) sem recorte de subárea, empresa ou setor; problema de pesquisa que não corresponde à metodologia (perguntar sobre otimização de rotas e depois metodologicamente só descrever o estoque); objetivos específicos que não decorrem do objetivo geral; cronograma sem tempo reservado para a etapa analítica, que é sempre a mais demorada; e recursos omitidos por parecerem “óbvios demais” — a seção existe na norma e a banca de projeto costuma perguntar por ela.
Checklist antes de entregar o projeto
- Tema delimitado por subárea, tipo de organização e recorte.
- Problema formulado como pergunta analisável, não de sim/não.
- Cada objetivo específico corresponde a uma etapa real da metodologia.
- Seção de recursos presente, mesmo que simples.
- Cronograma reserva tempo suficiente para a etapa de análise.
Como o Tesify Editor IA ajuda a montar o seu projeto
O Tesify Editor IA ajuda a redigir cada seção deste passo a passo — do problema de pesquisa ao cronograma — sugerindo melhorias de clareza e ajustando o texto à NBR 15287:2025, sem escrever o conteúdo técnico por você. Você mantém o controle das decisões da sua distribuidora fictícia (ou real); a IA cuida da forma. Conheça também o Tesify completo para levar o projeto aprovado até o TCC final.
Perguntas Frequentes
O projeto de pesquisa de Logística precisa de uma empresa real?
Não necessariamente. Muitos cursos aceitam um estudo aplicado com dados fictícios de uma empresa hipotética, desde que isso esteja declarado com clareza na metodologia. Se o acesso a uma empresa real for possível, confirme com ela a autorização formal antes de coletar qualquer dado.
Quantos objetivos específicos o projeto de Logística deve ter?
Não existe um número fixo em norma ABNT — o mais comum são três, cada um correspondendo a uma etapa real que a metodologia vai executar. Menos que isso costuma deixar o projeto raso; mais que isso costuma ser difícil de cumprir no prazo de um TCC.
A curva ABC é a única ferramenta aceita num projeto de estoque?
Não — é apenas um exemplo ilustrativo comum na área. Outras ferramentas de gestão de estoque (como o lote econômico de compra, o ponto de pedido ou o giro de estoque) também são temas válidos; a escolha depende do problema de pesquisa que você formular.
Preciso da seção de recursos mesmo se o trabalho for só analítico, sem visita à empresa?
Sim. A NBR 15287:2025 prevê a seção de recursos como elemento do projeto de pesquisa independentemente do tipo de estudo — mesmo um trabalho só de análise de dados fictícios lista os recursos materiais (planilha, software) e humanos envolvidos.
Posso mudar de subárea depois que o projeto for aprovado?
Tecnicamente sim, mas na prática significa refazer boa parte do projeto — problema, objetivos, referencial e metodologia mudam junto com a subárea. Se ainda há dúvida entre, por exemplo, estoque e transporte, resolva isso antes de submeter o projeto à aprovação, não depois.
O que fazer se a empresa autorizar o estudo de caso, mas pedir sigilo sobre os números reais?
É comum: declare no projeto que os dados serão apresentados de forma anonimizada ou com valores relativos (percentuais, índices) em vez de números absolutos, e confirme por escrito com a empresa o que pode ou não aparecer no texto final antes de começar a coleta — isso evita retrabalho perto da entrega.
