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Produção Científica do Brasil em 2026: Quantos Artigos o País Publica (Dados SciELO/Scopus)

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Produção Científica do Brasil em 2026: Quantos Artigos o País Publica (Dados SciELO/Scopus)

Em 2024, o Brasil publicou 73.220 artigos científicos indexados na base Scopus — uma recuperação de 4,5% em relação ao ano anterior, revertendo dois anos consecutivos de queda. Esses números, compilados pelo relatório The Changing Research Landscape produzido pela Elsevier em parceria com a agência Bori (dados coletados em julho de 2025), colocam o país na 14ª posição entre 54 nações que publicaram mais de 10.000 artigos naquele ano. Para pesquisadores, gestores de programas de pós-graduação e estudantes que precisam contextualizar seu trabalho, entender os dados de produção científica do Brasil é o primeiro passo para posicionar a pesquisa nacional no cenário global.

A trajetória recente, porém, merece atenção: após o pico histórico de 82.440 artigos em 2021 — parcialmente impulsionado pelo esforço de pesquisa durante a pandemia de Covid-19 —, o volume caiu 8,2% em 2022 e mais 7,3% em 2023. A recuperação de 2024 é positiva, mas o país ainda não retomou o patamar do pico anterior. Ao mesmo tempo, o impacto das publicações, medido pela taxa de citação, permanece como o principal gargalo do sistema científico brasileiro.

Este artigo reúne os dados mais recentes e verificados de Scopus, Web of Science e SciELO, cruza com indicadores da pós-graduação avaliada pela CAPES e mapeia as áreas de maior crescimento, para que você tenha um retrato atualizado e referenciado da ciência que o Brasil produz.

Resposta direta

O Brasil publicou 73.220 artigos indexados na Scopus em 2024, crescimento de 4,5% frente a 2023, ocupando a 14ª posição mundial (Elsevier/Bori, 2025). Na Web of Science, o país aparece em 13º lugar com 458.370 publicações no período 2019–2023 (Clarivate/CAPES, 2024). O SciELO Brasil indexa 324 periódicos revisados por pares, com acervo acumulado de 523 mil documentos (FapUnifesp/SciELO, março de 2025).

Volume de Artigos Publicados pelo Brasil em 2024

O relatório The Changing Research Landscape (Elsevier/Bori, 2025) registrou 73.220 artigos com autores vinculados a instituições brasileiras indexados na Scopus em 2024. O crescimento de 4,5% em relação a 2023 é o primeiro sinal positivo após dois anos de retração. A Scopus é a maior base de dados de literatura científica revisada por pares do mundo, cobrindo mais de 100 milhões de publicações de cerca de 7.000 editoras (Elsevier, 2025).

Além do volume de artigos, o número de pesquisadores ativos no Brasil cresceu de forma expressiva ao longo das últimas duas décadas: em 2004 havia 205 pesquisadores por milhão de habitantes; em 2024, essa proporção chegou a 932 por milhão — quase cinco vezes mais em vinte anos (Elsevier/Bori, 2025). Esse crescimento de capital humano é o substrato que explica o potencial de expansão da ciência brasileira.

Tabela 1. Indicadores-chave da produção científica brasileira na Scopus
Indicador Valor Referência
Artigos publicados em 2024 73.220 Elsevier/Bori, 2025 (Scopus)
Variação 2023→2024 +4,5% Elsevier/Bori, 2025 (Scopus)
Pico histórico (Scopus) 82.440 (2021) Elsevier/Bori, 2025 (Scopus)
Posição no ranking mundial 14º Elsevier/Bori, 2025 (Scopus)
Pesquisadores/milhão de hab. (2024) 932 Elsevier/Bori, 2025 (Scopus)
Pesquisadores/milhão de hab. (2004) 205 Elsevier/Bori, 2025 (Scopus)

Posição do Brasil nos Rankings Mundiais de Ciência

A posição do Brasil varia ligeiramente conforme a base consultada, pois Scopus e Web of Science cobrem conjuntos distintos de periódicos — especialmente no que diz respeito a revistas de acesso aberto e publicações latino-americanas.

Base Scopus (Elsevier)

O relatório Elsevier/Bori coloca o Brasil na 14ª posição entre 54 países com mais de 10.000 publicações anuais em 2024, mesma posição ocupada desde a primeira edição do levantamento, em 2022. O ranking mundial é liderado por China, Estados Unidos, Índia, Reino Unido e Alemanha.

Tabela 2. Maiores produtores científicos mundiais em 2024 (Scopus, Elsevier/Bori)
Posição País Fonte
China Elsevier/Bori, 2025
Estados Unidos Elsevier/Bori, 2025
Índia Elsevier/Bori, 2025
Reino Unido Elsevier/Bori, 2025
Alemanha Elsevier/Bori, 2025
14º Brasil Elsevier/Bori, 2025

Base Web of Science (Clarivate)

O relatório Panorama das Mudanças na Pesquisa no Brasil, divulgado pela Clarivate em parceria com a CAPES em agosto de 2024, analisou o quinquênio 2019–2023. Nesse levantamento, o Brasil aparece em 13ª posição global, com 458.370 estudos publicados no período. Para efeito de comparação, os Estados Unidos publicaram mais de 4 milhões de artigos no mesmo quinquênio, e a China ultrapassou 3,6 milhões. O desempenho brasileiro é descrito como “abaixo da média internacional e em queda nos últimos anos” (Clarivate/CAPES, 2024).

Por que Scopus e Web of Science indicam posições diferentes?

A Scopus tem cobertura mais ampla de revistas latino-americanas e de acesso aberto, o que beneficia países como o Brasil. A Web of Science é mais seletiva e referência em rankings de impacto como o Journal Citation Reports (JCR). Ambas são fontes legítimas; a diferença de uma posição (13º vs. 14º) reflete essa divergência metodológica, não uma contradição nos dados.

Ilustração do ranking mundial de produção científica destacando a posição do Brasil entre os maiores produtores científicos globais, com referência a dados da Scopus e Web of Science
O Brasil ocupa posição de destaque entre as 15 maiores nações produtoras de ciência, segundo as bases Scopus (Elsevier) e Web of Science (Clarivate).

Evolução Histórica: de 2019 a 2024

Os dados da Scopus revelam uma curva em formato de V invertido na última meia década. O Brasil atingiu o pico em 2021, com 82.440 artigos — reflexo do volume incomum de pesquisas publicadas sobre Covid-19 e saúde pública. Nos dois anos seguintes, o volume recuou: queda de 8,2% em 2022 e de 7,3% em 2023, possivelmente associada ao esgotamento da onda pandêmica de publicações e às restrições orçamentárias nos orçamentos de ciência e tecnologia (Elsevier/Bori, 2025).

A recuperação de 4,5% em 2024 interrompeu o ciclo de queda, mas o volume atual (73.220) ainda fica abaixo do pico de 2021 (82.440). Esse contexto é relevante para pesquisadores que precisam situar sua área de atuação: a ciência brasileira está em trajetória de recuperação, não de pleno crescimento sustentado.

Em perspectiva de dez anos (2014–2024), o Brasil ocupa a 39ª posição entre 54 países em crescimento relativo de publicações — crescimento comparável ao de economias avançadas como Suíça e Coreia do Sul (Elsevier/Bori, 2025). Isso indica que, apesar das oscilações recentes, o crescimento acumulado de longo prazo coloca o Brasil em companhia de países com sistemas científicos maduros.

Gráfico ilustrativo da tendência de produção científica do Brasil entre 2019 e 2024, mostrando crescimento até o pico em 2021 seguido de queda e recuperação parcial em 2024, conforme dados da base Scopus/Elsevier
Tendência da produção científica brasileira indexada na Scopus: pico em 2021, queda em 2022–2023 e recuperação em 2024. Fonte: Elsevier/Bori, 2025.

Áreas do Conhecimento com Maior Produção

A produção científica brasileira está concentrada em grandes áreas com forte tradição de pós-graduação e financiamento público. Em 2024, as engenharias lideraram o crescimento percentual, enquanto as ciências naturais mantiveram a liderança em volume absoluto.

Tabela 3. Distribuição da produção científica brasileira por grande área (Scopus, 2024)
Grande área Destaque Fonte
Ciências naturais Maior volume total Elsevier/Bori, 2025
Ciências médicas e da saúde 2º em volume Elsevier/Bori, 2025
Engenharias e tecnologias +7,1% (maior crescimento) Elsevier/Bori, 2025
Ciências sociais e humanidades Menor volume; em queda Elsevier/Bori, 2025

O crescimento de 7,1% nas engenharias e tecnologias é o destaque de 2024. Esse resultado pode refletir a expansão de programas de pós-graduação na área, o aumento de parcerias com o setor produtivo e o estímulo de agências como FAPESP e CNPq a projetos aplicados. Nas ciências sociais e humanidades, pesquisadores frequentemente empregam metodologias qualitativas — como a análise de conteúdo de Bardin, amplamente adotada em dissertações e artigos brasileiros — em periódicos nem sempre indexados pela Scopus, o que pode subestimar o real volume de produção dessa área.

SciELO Brasil: Acesso Aberto e Visibilidade Nacional

A Scientific Electronic Library Online (SciELO Brasil) é a principal plataforma de acesso aberto da ciência brasileira e latino-americana. Mantida pela FapUnifesp em parceria com a FAPESP e o CNPq, indexa periódicos revisados por pares com foco em publicações que, de outra forma, teriam menor visibilidade nas grandes bases internacionais.

Os dados mais recentes, de março de 2025, mostram o seguinte acervo (FapUnifesp/SciELO, 2025):

  • 324 periódicos revisados por pares, publicados por mais de 150 universidades e sociedades científicas brasileiras
  • 523 mil documentos acumulados nos periódicos indexados
  • 3.800 preprints no servidor SciELO Preprints
  • 2.130 livros e 18.300 capítulos na coleção SciELO Livros
  • Média de 1,1 milhão de acessos diários em todas as plataformas

A SciELO desempenha papel estratégico no sistema científico brasileiro por garantir acesso gratuito à produção nacional, reduzir a dependência de grandes editoras internacionais e aumentar a citabilidade de periódicos brasileiros. Para pesquisadores em formação, é uma das principais fontes de artigos para revisões de literatura e embasamento teórico.

Como interpretar os números do SciELO vs. Scopus?

Os 523 mil documentos do SciELO representam o acervo acumulado histórico desde 1997. Os 73.220 artigos da Scopus medem a produção anual de 2024. São métricas complementares: a primeira mostra o legado da plataforma nacional de acesso aberto; a segunda, o volume corrente de ciência produzida por instituições brasileiras.

Pós-Graduação: o Motor da Ciência Brasileira

A quase totalidade da produção científica indexada do Brasil emerge dos programas de pós-graduação stricto sensu — mestrado e doutorado — avaliados periodicamente pela CAPES. A Avaliação Quadrienal 2021–2024, com resultados divulgados em 2026, oferece o retrato mais atual do sistema (CAPES, 2026):

  • 4.555 programas de pós-graduação avaliados em 50 áreas do conhecimento
  • 808 programas com notas 6 ou 7 (excelência internacional), ante 667 no quadriênio anterior — crescimento de 21%
  • 28% dos programas subiram de nota; 60% mantiveram estabilidade; 8% recuaram
  • 1.980 membros da comunidade científica participaram do processo avaliativo

O crescimento de 21% nos programas de excelência (notas 6 e 7) é o sinal mais claro de amadurecimento do sistema. Esses programas são os principais responsáveis pela produção indexada em revistas de alto impacto, contribuindo diretamente para a posição do Brasil nas bases Scopus e Web of Science. Para pesquisadores que desejam aprofundar o engajamento com o ecossistema de financiamento, as bolsas de produtividade do CNPq em 2026 são o principal instrumento de reconhecimento e apoio a pesquisadores com trajetória consolidada.

Além da pós-graduação, o ecossistema de pesquisa inclui trabalhos de conclusão de curso (TCC) da graduação: estudantes que aprendem a estruturar uma metodologia de pesquisa rigorosa desde a graduação formam a próxima geração de pesquisadores que alimentará esse sistema.

O Desafio do Impacto: Publicar Mais Não Basta

Apesar do volume expressivo, o relatório Clarivate/CAPES (2024) aponta que o impacto das publicações brasileiras — medido pela taxa de citação — permanece abaixo da média internacional. O Brasil produz uma quantidade considerável de artigos, mas eles são proporcionalmente menos citados por pesquisadores de outros países do que a média global.

As causas são multifatoriais: predominância de publicações em português (com alcance geográfico mais limitado), menor participação em redes internacionais de colaboração, restrições orçamentárias que afetam equipamentos e insumos, e concentração em periódicos nacionais com menor visibilidade global. O relatório indica que o Brasil tem perdido fôlego em impacto nos anos mais recentes, o que representa o principal obstáculo para ascensão nos rankings de citação.

As estratégias mais discutidas por pesquisadores e instituições para superar esse gargalo incluem:

  • Publicação diretamente em revistas internacionais de alto impacto, preferencialmente nos quartis Q1 e Q2 do SCImago Journal & Country Rank
  • Colaborações internacionais, que historicamente elevam os índices de citação
  • Adoção de práticas de ciência aberta (dados disponíveis publicamente, preprints), que aumentam a visibilidade das pesquisas
  • Escrita diretamente em inglês para ampliar o alcance geográfico das publicações
  • Registro em bases de dados como ORCID e ResearchGate para aumentar a rastreabilidade dos autores

Em perspectiva regional, o Brasil continua sendo o maior produtor científico da América Latina — o que, por si só, é uma posição de liderança relevante. A questão para os próximos anos não é apenas manter o volume, mas elevar o impacto da ciência produzida no país.

Perguntas Frequentes sobre Produção Científica do Brasil

Quantos artigos científicos o Brasil publicou em 2024?

O Brasil publicou 73.220 artigos indexados na Scopus em 2024, crescimento de 4,5% em relação a 2023. Os dados são do relatório The Changing Research Landscape (Elsevier/Bori, 2025), com informações coletadas em julho de 2025 e baseadas na base Scopus da Elsevier.

Em que posição o Brasil está no ranking mundial de produção científica?

O Brasil ocupa a 14ª posição no ranking Scopus de 2024 (Elsevier/Bori, 2025) e a 13ª posição no ranking Web of Science para o período 2019–2023 (Clarivate/CAPES, 2024). A diferença de uma posição reflete a cobertura distinta das bases: a Scopus inclui mais periódicos latino-americanos e de acesso aberto.

Quantos periódicos o SciELO Brasil indexa?

Conforme dados de março de 2025 da FapUnifesp, o SciELO Brasil indexa 324 periódicos revisados por pares, publicados por mais de 150 universidades e sociedades científicas. O acervo total acumulado na plataforma é de 523 mil documentos, com média de 1,1 milhão de acessos diários.

Qual área do conhecimento mais cresceu em publicações no Brasil em 2024?

As engenharias e tecnologias registraram o maior crescimento percentual em 2024: +7,1% em relação a 2023, segundo o relatório Elsevier/Bori (2025). As ciências naturais continuam liderando em volume absoluto, seguidas pelas ciências médicas e da saúde. As humanidades foram a única grande área com queda de publicações.

Quantos programas de pós-graduação existem no Brasil?

A Avaliação Quadrienal CAPES 2021–2024, divulgada em 2026, avaliou 4.555 programas stricto sensu em 50 áreas. Desse total, 808 programas obtiveram notas 6 ou 7, indicando padrão de excelência internacional — 21% a mais do que no quadriênio 2017–2020.

Por que o Brasil tem impacto científico abaixo da média global?

O relatório Clarivate/CAPES (2024) aponta que a taxa de citação das publicações brasileiras fica abaixo da média mundial. Os fatores mais citados são: publicação majoritária em português (alcance geográfico limitado), baixa participação em redes internacionais de colaboração, restrições orçamentárias de pesquisa e concentração em periódicos nacionais com menor visibilidade global. O volume de artigos é expressivo; o desafio é elevar o impacto e a citabilidade.

Qual foi o pico histórico de publicações científicas do Brasil?

O pico histórico foi de 82.440 artigos publicados em 2021, conforme dados da Scopus compilados pelo relatório Elsevier/Bori (2025). Esse volume foi parcialmente impulsionado pela alta demanda de pesquisas sobre Covid-19 e saúde pública naquele período. Após queda em 2022 e 2023, a produção recuperou para 73.220 artigos em 2024 — ainda 11% abaixo do pico.

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