Não existe um percentual oficial universal, mas a maioria das universidades brasileiras aceita índices de similaridade de até 15% a 25% no TCC, desde que sejam citações corretamente referenciadas. Acima disso, o trabalho costuma ser revisado pela banca ou pela coordenação. O que importa não é só o número, mas a origem da similaridade.
Existe uma porcentagem oficial de plágio aceitável no Brasil?
Não. Não existe uma lei, portaria do MEC ou norma nacional que defina um percentual único de similaridade aceitável para trabalhos acadêmicos. Cada universidade, e muitas vezes cada programa de pós-graduação ou curso de graduação dentro da mesma instituição, define seu próprio critério em regulamento interno. A Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais da USP (ABCD-USP) é direta sobre isso: “determinar um percentual ideal de similaridade de texto não é possível, tendo em vista a necessidade de analisar caso a caso”.
Isso significa que a resposta correta para “quantos por cento de similaridade posso ter?” começa sempre pela mesma pergunta: qual é o regulamento do seu curso ou programa? Na ausência de uma norma clara, o caminho mais seguro é perguntar diretamente à coordenação ou à secretaria acadêmica antes da entrega, de preferência por escrito, para ter um critério documentado caso o índice fique numa faixa intermediária.
Quais faixas de similaridade costumam ser usadas na prática?

Embora não haja um padrão nacional, é possível observar uma convergência de faixas usadas informalmente por muitas instituições brasileiras, com base em como o Turnitin (a ferramenta de detecção de similaridade mais usada nas universidades do país) categoriza visualmente os relatórios.
| Faixa de similaridade | Cor no relatório Turnitin | Interpretação comum |
|---|---|---|
| 0% | Azul | Nenhuma correspondência encontrada — raro em trabalhos acadêmicos reais, já que citações e termos técnicos sempre geram alguma similaridade. |
| 1% a 24% | Verde | Faixa considerada de baixo risco pela maioria das instituições; costuma corresponder a citações diretas bem referenciadas e termos técnicos da área. |
| 25% a 49% | Amarelo | Faixa de atenção: exige que o orientador ou a banca analise a origem da similaridade antes de decidir se há problema. |
| 50% a 74% | Laranja | Normalmente indica revisão necessária — trechos extensos podem estar parafraseados de forma inadequada ou copiados sem citação. |
| 75% a 100% | Vermelho | Alto risco de plágio ou de reaproveitamento indevido de texto; quase sempre implica devolução do trabalho para reescrita. |
Essas cores são apenas uma escala visual do próprio Turnitin — não são um veredito automático de plágio. Um trabalho pode ficar na faixa amarela por citar corretamente um trecho normativo longo (uma lei, por exemplo) e ainda assim ser inteiramente original em sua análise. O inverso também acontece: um índice baixo não garante ausência de plágio, porque paráfrases malfeitas às vezes escapam da detecção por similaridade textual literal.
Similaridade é a mesma coisa que plágio?
Não. Similaridade é uma medida técnica: o quanto do seu texto coincide, palavra por palavra ou em trechos próximos, com outras fontes já indexadas pela ferramenta de detecção. Plágio é um conceito ético e acadêmico: apresentar ideias ou palavras de outra pessoa como se fossem suas, sem dar o crédito devido. Um trabalho pode ter similaridade alta e zero plágio — por exemplo, quando cita corretamente trechos longos de uma lei, de uma entrevista transcrita ou da metodologia padrão de uma área. E pode ter similaridade baixa e ainda assim conter plágio, quando o autor reescreve a ideia de outra pessoa com poucas trocas de palavras e não cita a fonte original.
Por isso, quem analisa o relatório de similaridade — orientador, banca ou coordenação — precisa sempre abrir os trechos destacados e verificar a origem: são citações com aspas e referência? É uma paráfrase sem crédito? É uma frase de uso comum na área que não exige citação? Essa análise qualitativa é o que realmente determina se há um problema, não o número isolado.
O que fazer se o índice do meu TCC ficar acima do esperado?

Primeiro, não entre em pânico com o número sozinho: abra o relatório e leia trecho por trecho o que está sendo sinalizado. Na maioria dos casos, um índice alto se resolve com ajustes legítimos, não com tentativas de enganar o sistema — o que, além de arriscado, é antiético e pode configurar fraude acadêmica caso descoberto depois.
- Verifique se os trechos destacados são citações diretas sem aspas — se forem, adicione as aspas e a citação conforme a ABNT.
- Confira se há paráfrases que ficaram próximas demais da estrutura original da frase — nesse caso, reescreva a ideia com sua própria construção sintática, sempre citando a fonte.
- Cheque a lista de referências: toda citação precisa ter uma referência completa correspondente, e vice-versa.
- Revise a metodologia e o referencial teórico, que costumam concentrar mais correspondências por usarem terminologia técnica padronizada da área.
- Se o índice continuar alto mesmo após esses ajustes, converse com o orientador — pode ser um traço legítimo do seu tipo de pesquisa (revisão sistemática, por exemplo, que cita muitos trechos de outros estudos).
Ferramentas de apoio à escrita como o Tesify ajudam nesse processo ao manter a formatação ABNT das citações consistente desde o rascunho, o que reduz o risco de esquecer uma referência ou de citar de forma incompleta — mas a leitura crítica do relatório de similaridade continua sendo insubstituível. Nenhuma ferramenta, por mais avançada que seja, deve ser usada para tentar mascarar a origem de um trecho copiado.
Como reduzir o índice de similaridade de forma legítima?
A forma correta de baixar o índice nunca é driblar a ferramenta de detecção — é melhorar a qualidade da citação e da paráfrase. Veja como fazer isso na prática ao evitar plágio no TCC: cite com precisão, prefira a paráfrase genuína à citação direta quando possível, e construa um referencial teórico que dialogue com as fontes em vez de apenas resumi-las em sequência. Aprender a parafrasear sem plagiar é a habilidade mais importante aqui: trocar sinônimos mantendo a mesma estrutura de frase não resolve o problema — muitas vezes só disfarça a similaridade textual sem eliminar o problema ético de fundo. Antes de confiar cegamente em qualquer verificador gratuito, vale também ler sobre os erros mais comuns na verificação de plágio online gratuita, já que 20% de similaridade não é o mesmo que 20% de plágio.
Se você usou inteligência artificial em alguma etapa da pesquisa ou da escrita, o uso ético de IA na universidade exige declarar isso conforme a norma do seu programa — omitir o uso de IA para “esconder” a origem de um trecho é uma prática que pode ser interpretada como má-fé, independentemente do índice de similaridade apurado. Programas que já adotam diretrizes específicas costumam exigir uma declaração de autoria assinada junto com o trabalho final.
O que fazer se fui acusado injustamente de plágio ou de uso de IA?
Falsos positivos acontecem, tanto em relatórios de similaridade quanto em detectores de conteúdo gerado por IA. Se você foi acusado injustamente, o primeiro passo é reunir evidências de autoria: histórico de versões do documento, rascunhos anteriores, anotações de pesquisa e, se possível, o histórico de edição no Google Docs ou Word. Apresente esse material à coordenação com calma, focando em provar o processo de escrita, não em contestar a ferramenta de detecção em si.
Vale lembrar que um TCC reprovado por suspeita de plágio geralmente permite recurso e, em muitos regulamentos, reapresentação em prazo definido — não é, na maioria dos casos, uma decisão irreversível sem direito de defesa.
Perguntas frequentes
Qual porcentagem de similaridade é aceitável no Turnitin?
Não há um número oficial nacional, mas a maioria das instituições brasileiras trabalha informalmente com uma faixa de até 15% a 25% como referência de baixo risco, desde que a similaridade venha de citações corretamente referenciadas.
20% de plágio é muito?
Um índice de similaridade de 20% não é necessariamente “muito”, desde que a maior parte venha de citações diretas com aspas e referência, ou de termos técnicos comuns da área. O que importa é a origem dos trechos sinalizados, não apenas o número.
Como reduzir o índice de similaridade do TCC?
Cite com precisão conforme a ABNT, prefira paráfrases genuínas (com estrutura de frase própria) às citações diretas quando possível, e revise o referencial teórico para que dialogue com as fontes em vez de apenas reproduzi-las. Nunca tente burlar o detector — isso pode configurar fraude acadêmica.
Citações contam como plágio no Turnitin?
Citações corretamente formatadas com aspas e referência aparecem no relatório de similaridade, mas não configuram plágio — o Turnitin costuma até permitir excluir citações e referências do cálculo do índice, dependendo da configuração escolhida pela instituição.
Qual a diferença entre similaridade e plágio?
Similaridade é uma medida técnica de correspondência textual com outras fontes. Plágio é apresentar ideias ou palavras de outra pessoa como próprias, sem dar crédito. Um trabalho pode ter similaridade alta sem plágio (citações corretas) ou similaridade baixa com plágio (paráfrase malfeita e sem citação).
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