População e Amostra no TCC em 2026: Como Definir, Tipos de Amostragem e Tamanho (com Exemplos)

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População e Amostra no TCC em 2026: Como Definir, Tipos de Amostragem e Tamanho (com Exemplos)

Você chegou ao capítulo de metodologia do seu TCC e precisa descrever com quem vai pesquisar — mas não tem clareza sobre a diferença entre população e amostra no TCC, nem sobre qual tipo de amostragem escolher. A confusão é previsível: muitos estudantes trocam os termos, adotam uma técnica incompatível com sua abordagem metodológica ou não sabem como justificar o tamanho da amostra para a banca. Este artigo resolve essas três questões com definições precisas, exemplos brasileiros e modelos de parágrafo prontos para adaptar.

As referências seguem os autores mais exigidos pelas bancas brasileiras: Antônio Carlos Gil (Métodos e Técnicas de Pesquisa Social, 7. ed., São Paulo: Atlas, 2019) e Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade Marconi (Fundamentos de Metodologia Científica, 9. ed., São Paulo: Atlas, 2021). As fórmulas de cálculo amostral foram verificadas a partir de fontes estatísticas reconhecidas.

Resposta rápida: População é o conjunto completo de elementos que possuem as características de interesse da pesquisa. Amostra é o subconjunto da população efetivamente estudado. A amostragem é o processo de selecionar esse subconjunto — pode ser probabilística (seleção aleatória, permite generalização estatística) ou não-probabilística (seleção intencional ou por conveniência, adequada à pesquisa qualitativa). O tamanho da amostra em estudos quantitativos é determinado pela margem de erro admitida, pelo nível de confiança e pelo tamanho da população, usando a fórmula de Cochran (1985).

O que é população na pesquisa científica

No vocabulário metodológico, população (ou universo da pesquisa) é o conjunto de todos os elementos — pessoas, documentos, eventos, organizações — que compartilham ao menos uma característica relevante para o problema de pesquisa. Para Gil (2019, p. 90), população é “o conjunto definido de elementos que possuem determinadas características”.

A delimitação da população deve ser explícita e operacional: você precisa conseguir descrever quem pertence a ela de forma que qualquer outro pesquisador identificaria os mesmos elementos. Veja exemplos por tipo de abordagem:

  • Pesquisa quantitativa: “Todos os funcionários efetivos de uma rede varejista de São Paulo com mais de dois anos de casa e cargo operacional.” — população finita e delimitada.
  • Pesquisa qualitativa: “Professores da rede pública municipal de Fortaleza que atuam no Ensino Fundamental II há ao menos três anos.” — também finita, com critério temporal.
  • Pesquisa documental: “Acórdãos do Superior Tribunal de Justiça sobre responsabilidade civil médica publicados entre 2020 e 2025.” — população de documentos.

A população pode ser finita (número determinado de elementos) ou infinita (número impossível de determinar, como “todos os consumidores brasileiros de e-commerce”). Essa distinção influencia diretamente a fórmula de cálculo amostral: para populações finitas, o tamanho da amostra pode ser menor porque a fórmula aplica um fator de correção.

O que é amostra e por que ela existe

A amostra é a parcela da população que será efetivamente pesquisada. Lakatos e Marconi (2021, p. 224) a definem como “uma porção ou parcela, convenientemente selecionada do universo (população)”. A pesquisa por amostragem existe porque estudar toda a população é, na maioria dos casos, inviável em termos de tempo, custo e logística.

A exceção é o censo, quando se pesquisa toda a população — estratégia válida quando o universo é muito pequeno (como os 14 gestores de uma única empresa) ou quando a natureza do problema exige dados exaustivos.

Para que a amostra cumpra sua função, ela precisa ter dois atributos centrais:

  • Representatividade: a amostra deve refletir as características essenciais da população para que conclusões extraídas dela possam ser estendidas ao universo.
  • Adequação ao método: pesquisas quantitativas exigem amostras representativas e estatisticamente calculadas; pesquisas qualitativas priorizam a profundidade interpretativa e aceitam amostras menores, selecionadas de forma intencional.

Para entender como a escolha da abordagem condiciona a estratégia amostral, consulte o guia completo sobre Pesquisa Qualitativa e Quantitativa: Diferenças, Exemplos e Quando Usar Cada Uma (2026).

Amostragem probabilística: 4 tipos

Diagrama ilustrando os quatro tipos de amostragem probabilística: aleatória simples, estratificada, sistemática e por conglomerados
Os quatro tipos de amostragem probabilística — aleatória simples, estratificada, sistemática e por conglomerados — comparados visualmente

Na amostragem probabilística, cada elemento da população tem uma probabilidade conhecida e diferente de zero de ser selecionado. Isso permite generalizar os resultados para a população com determinada margem de erro — característica essencial em pesquisas quantitativas.

1. Amostragem aleatória simples

Todos os elementos têm a mesma probabilidade de ser escolhidos. O procedimento consiste em sortear os participantes de uma lista completa da população (cadastro, planilha, base de dados). É o método mais simples conceitualmente, mas exige acesso integral a essa lista — o que nem sempre é possível na prática.

Exemplo: Sortear 150 alunos de uma listagem de 800 matriculados em um curso de Administração para responder a um questionário sobre satisfação com o ensino híbrido.

2. Amostragem estratificada

A população é dividida em subgrupos homogêneos (estratos), e sorteia-se uma amostra proporcional — ou igualitária — de cada estrato. Garante que grupos minoritários que poderiam ser sub-representados em um sorteio simples tenham presença adequada na amostra.

Exemplo: Estratificar os 640 colaboradores de uma empresa por setor (administrativo, operacional, comercial) e sortear participantes em proporção ao tamanho de cada grupo.

3. Amostragem sistemática

Os elementos são selecionados a partir de um intervalo fixo (k = N ÷ n) na lista da população, após um ponto de partida aleatório. Simples de operacionalizar quando a lista está ordenada e numerada.

Exemplo: N = 1.000 prontuários; n desejado = 100; k = 10. Sorteia-se o primeiro elemento entre 1 e 10 e seleciona-se o de 10 em 10 (1.º, 11.º, 21.º…) até completar a amostra.

4. Amostragem por conglomerados

A população é dividida em grupos internamente heterogêneos (conglomerados, como escolas, bairros ou municípios) e sorteia-se um número desses grupos para pesquisar todos os seus integrantes. Indicada quando a população está geograficamente dispersa e construir uma lista completa seria inviável.

Exemplo: Sortear 6 das 40 escolas estaduais de um município e pesquisar todos os alunos do 9.º ano nessas 6 unidades.

Amostragem não-probabilística: 4 tipos

Na amostragem não-probabilística, a seleção dos participantes não é aleatória. Isso impede generalizações estatísticas, mas é adequado — e bem aceito pelas bancas — em pesquisas qualitativas, exploratórias ou quando o acesso à população é restrito.

Tipos de amostragem não-probabilística mais usados no TCC
Tipo Critério de seleção Quando usar
Conveniência Participantes mais acessíveis ao pesquisador Estudos exploratórios, questionário aplicado em sala ou contexto de estágio
Intencional (julgamento) Pesquisador escolhe quem tem maior conhecimento sobre o tema Entrevistas com especialistas, estudos de caso com informantes-chave
Bola de neve (snowball) Participantes indicam novos participantes Populações ocultas ou de difícil acesso (ex.: profissionais informais, grupos específicos)
Por cotas Pesquisador define cotas por estrato sem sorteio Pesquisas com controle de perfil demográfico (ex.: 50% homens, 50% mulheres)

A amostragem por conveniência é a mais utilizada em TCCs de graduação porque reflete a realidade operacional do estudante: acesso aos colegas de curso, aos funcionários da empresa onde realiza estágio ou aos clientes de um estabelecimento parceiro. Desde que justificada e com suas limitações reconhecidas no texto, a banca a aceita sem ressalvas.

A bola de neve é especialmente indicada para populações de difícil mapeamento. Nesse método, os primeiros participantes recrutados — as sementes — indicam outros com o mesmo perfil, e assim sucessivamente, até atingir a saturação teórica ou o número planejado.

Como calcular o tamanho da amostra

Para pesquisas quantitativas com população finita, a referência mais citada em metodologia brasileira é a fórmula de Cochran (1985):

n = [z² × p × (1 − p) × N] ÷ [e² × (N − 1) + z² × p × (1 − p)]

Onde:

  • n = tamanho da amostra a calcular
  • N = tamanho da população
  • z = valor crítico para o nível de confiança (1,96 para 95%; 2,58 para 99%)
  • p = proporção esperada do atributo na população (use 0,5 quando desconhecida — valor que maximiza o tamanho da amostra e garante margem de segurança)
  • e = margem de erro admissível (ex.: 0,05 para 5%)

A tabela abaixo mostra os tamanhos de amostra resultantes para populações de diferentes dimensões, com nível de confiança de 95%, p = 0,5 e margem de erro de 5% — parâmetros muito comuns em TCCs quantitativos. Todos os valores foram calculados aplicando a fórmula acima:

Tamanho mínimo de amostra por tamanho de população (95% confiança, e = 5%, p = 0,5)
Tamanho da população (N) Amostra mínima necessária (n)
100 80
500 218
1.000 278
5.000 357
10.000 ou mais ~385

Para calcular o tamanho da sua amostra com precisão, use calculadoras como a da QuestionPro ou o recurso detalhado de Análise Estatística de Dados. Se a sua pesquisa exige cálculo de poder estatístico com o software G*Power — abordagem cada vez mais exigida em dissertações de mestrado —, consulte o guia em Como calcular o tamanho da amostra com G*Power.

Para pesquisas qualitativas, não há fórmula estatística. O critério é a saturação teórica: encerra-se a coleta quando novas entrevistas ou observações deixam de acrescentar informações inéditas à análise. TCCs qualitativos costumam trabalhar com 8 a 20 participantes — mas esse intervalo deve ser justificado com base no referencial teórico adotado, não apresentado como uma regra universal.

Critérios de inclusão e exclusão

Antes de apresentar a amostra, o TCC deve definir explicitamente quem entra e quem fica fora da pesquisa. Esses critérios aumentam a precisão metodológica ao homogeneizar a amostra e demonstram à banca que as escolhas foram conscientes e fundamentadas.

  • Critérios de inclusão: características que o participante precisa ter para compor a amostra (ex.: “estar regularmente matriculado”, “exercer cargo de liderança há ao menos um ano”).
  • Critérios de exclusão: características que eliminam o elemento mesmo que ele pertença à população (ex.: “estar em licença médica durante o período de coleta”, “não ter assinado o TCLE”).

Modelo de redação para TCC de Enfermagem:

“Foram incluídos na amostra os discentes regularmente matriculados no curso de Enfermagem da Universidade X, no período letivo de 2025/2, que estivessem cursando ao menos o 5.º semestre. Foram excluídos os estudantes afastados por motivo de saúde, os intercambistas e aqueles que não concordaram em participar da pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).”

A definição de critérios cumpre uma função dupla: torna a amostra mais homogênea (reduzindo a variância indesejada) e demonstra que o pesquisador domina o delineamento do seu estudo.

Como redigir população e amostra no TCC

Comparação visual dos quatro tipos de amostragem não-probabilística: conveniência, intencional, bola de neve e por cotas
Os quatro tipos de amostragem não-probabilística utilizados em TCCs: conveniência, intencional (julgamento), bola de neve e por cotas

No capítulo de metodologia — que você pode estruturar do zero com o guia de Metodologia do TCC em 2026: Como Escrever o Capítulo Passo a Passo — o trecho sobre população e amostra deve responder a quatro perguntas em sequência:

  1. Quem é a população? (definição com características delimitantes e tamanho, se conhecido)
  2. Qual é a amostra? (número de participantes e perfil)
  3. Como foi feita a seleção? (tipo de amostragem e procedimento operacional)
  4. Por que esse tamanho? (critério: fórmula estatística, saturação teórica ou limitação de acesso justificada)

Modelo para pesquisa quantitativa:

“A população desta pesquisa é composta pelos 640 colaboradores de uma empresa do setor alimentício localizada em Belo Horizonte (MG). Adotando nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%, o tamanho mínimo de amostra calculado pela fórmula de Cochran (1985) foi de 241 participantes. A seleção ocorreu por amostragem aleatória simples, mediante sorteio a partir da listagem fornecida pelo setor de Recursos Humanos da organização.”

Modelo para pesquisa qualitativa:

“A amostra foi composta por 12 docentes da rede estadual de ensino de Recife (PE), selecionados por amostragem intencional, com o critério de ter ao menos cinco anos de experiência em sala de aula no Ensino Médio e ter participado do programa de formação continuada investigado. O número de participantes foi determinado pelo critério de saturação teórica: a coleta foi encerrada quando as entrevistas passaram a gerar dados recorrentes sem novas contribuições interpretativas (GIL, 2019).”

Conecte a justificativa da amostragem ao delineamento geral da pesquisa. Se você adotou um estudo de caso, leia o guia Estudo de Caso como Metodologia (Yin, 2026) para alinhar o tipo de amostra ao método de Yin. Se ainda está definindo o tipo de pesquisa, o artigo Pesquisa Exploratória, Descritiva e Explicativa em 2026 ajuda a identificar qual delineamento se aplica ao seu problema — o que, por sua vez, orienta a escolha da estratégia amostral.

Perguntas frequentes sobre população e amostra no TCC

Qual a diferença entre população e amostra na pesquisa?

População é o conjunto total de elementos que compartilham as características de interesse do estudo; amostra é a parte desse conjunto efetivamente pesquisada. Gil (2019) define população como “o conjunto definido de elementos que possuem determinadas características”. A pesquisa por amostragem é utilizada porque estudar toda a população costuma ser inviável em termos de tempo, custo e logística.

Quantas pessoas preciso entrevistar no TCC?

Depende da abordagem. Em pesquisas quantitativas, o tamanho é calculado pela fórmula de Cochran (1985), levando em conta o tamanho da população, a margem de erro aceitável e o nível de confiança. Para uma população de 1.000 pessoas com 95% de confiança e 5% de margem de erro, a amostra mínima é de 278 participantes. Em pesquisas qualitativas, não há número mínimo fixo: o critério é a saturação teórica, geralmente atingida com 8 a 20 participantes em TCCs — e o número escolhido deve ser justificado metodologicamente.

Posso usar amostragem por conveniência no TCC?

Sim, desde que devidamente justificada e com suas limitações reconhecidas no texto. A amostragem por conveniência é amplamente utilizada em TCCs de graduação, especialmente em pesquisas exploratórias e descritivas. A banca aceita o método quando o estudante explica por que não foi possível adotar amostragem probabilística e reconhece que os resultados não podem ser generalizados estatisticamente para toda a população.

Qual tipo de amostragem usar em pesquisa qualitativa?

Em pesquisas qualitativas, os tipos mais recomendados são a amostragem intencional (ou por julgamento), quando se quer entrevistar participantes com experiência específica sobre o fenômeno estudado, e a amostragem bola de neve (snowball), quando a população é de difícil acesso ou mapeamento. A amostragem por conveniência também é aceita em contextos qualitativos exploratórios. Em todos os casos, o critério de encerramento da coleta é a saturação teórica, não um número pré-definido de participantes.

O que são critérios de inclusão e exclusão na amostra?

Critérios de inclusão definem quais elementos da população serão aceitos na amostra (ex.: “estar regularmente matriculado no 5.º semestre ou acima”). Critérios de exclusão definem quem fica fora mesmo pertencendo à população (ex.: “discentes em regime de trancamento de matrícula durante o período de coleta”). Esses critérios aumentam a precisão e a homogeneidade da amostra e demonstram à banca que as escolhas foram fundamentadas — não arbitrárias.

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