A regra que resolve quase todos os casos é uma só: imagem gerada por IA pode ilustrar; não pode documentar. Um diagrama conceitual gerado por ferramenta e declarado como tal costuma ser aceitável. Uma figura que represente um resultado, uma amostra ou um registro de campo, não — porque nesse caso ela deixa de ser ilustração e passa a ser evidência inventada.
A linha que separa ilustrar de documentar
Toda figura em um trabalho acadêmico cumpre uma de duas funções, e é a função — não a tecnologia — que define o que é permitido:
| Função | Exemplos | Imagem gerada por IA |
|---|---|---|
| Ilustrar um conceito | Esquema explicativo, metáfora visual, diagrama conceitual | Em geral aceitável, se declarado |
| Documentar evidência | Foto de campo, microscopia, radiografia, tela do sistema estudado | Nunca |
| Apresentar dado | Gráfico de resultados, mapa temático, tabela | Nunca — o dado é seu e o gráfico se gera dele |
| Reproduzir fonte | Figura de outro autor, documento histórico | Não se aplica — é reprodução, com crédito |
A segunda linha é a mais séria: uma imagem sintética apresentada como registro de algo observado é fabricação de dados, na mesma categoria de inventar números — assunto tratado em fabricação e falsificação de dados. Não é uma questão de estilo nem de declaração: nenhuma legenda torna aceitável apresentar como evidência algo que não foi observado.
A terceira linha pega gente desavisada. Pedir a uma ferramenta que “faça um gráfico bonito com esses dados” e aceitar o resultado sem conferir é arriscado, porque o que sai pode não corresponder aos seus números. Gráficos se produzem a partir da sua planilha, com os procedimentos descritos em gráficos no TCC.

Casos concretos, um a um
- Esquema conceitual do seu modelo teórico. Aceitável, se declarado — embora, na prática, uma ferramenta de diagramação costume dar resultado melhor e mais preciso.
- Imagem de abertura de capítulo, decorativa. Aceitável se declarada, e frequentemente desnecessária: trabalho acadêmico raramente ganha com ilustração decorativa.
- Fotografia de área de estudo. Não. A foto documenta um lugar existente; gerar uma é inventar o campo.
- Imagem de microscopia, exame ou amostra. Não, em nenhuma circunstância.
- Rosto de participante ou pessoa fictícia. Evite. Se o objetivo é anonimizar, use tarja ou descrição textual — e os cuidados com dados de participantes estão em LGPD e dados de participantes.
- Reconstituição de algo que não pode ser fotografado — um processo histórico, um cenário hipotético. Pode, desde que a legenda deixe explícito que é reconstituição gerada, e não registro.
- Melhorar a resolução de uma foto sua com IA. Cuidado: ampliar resolução por IA inventa detalhe. Em imagem que serve de evidência, isso a compromete. Ajustes de brilho e contraste são outra coisa; declare qualquer tratamento.
O último caso é o menos óbvio e o mais frequente em trabalhos de campo: a foto ficou escura, a pessoa usa uma ferramenta para “recuperar”, e o resultado tem detalhes que a cena não tinha. Em Geografia, Biologia, Arquitetura e áreas da saúde, isso invalida a figura.
Como declarar na legenda
Se a imagem entra, ela precisa dizer o que é. A declaração vai na fonte, abaixo da figura, no mesmo lugar em que iria qualquer outra atribuição:
Figura 3 — Representação esquemática do modelo proposto
Fonte: elaborada pelo autor com auxílio de [nome da ferramenta] (2026).
Três boas práticas que a banca valoriza: nomeie a ferramenta e a data, porque modelos mudam; registre o comando utilizado em apêndice quando a imagem for relevante ao argumento; e diga o que você editou depois, se editou. As convenções gerais de fonte em figuras estão em como citar fonte de imagem, figura e tabela, e a forma de referenciar a própria ferramenta em como citar ChatGPT e IA pela ABNT.
Além da legenda, muitas instituições pedem uma declaração geral de uso de IA no trabalho, cobrindo texto e imagens — o formato está em como declarar o uso de IA no TCC. Declarar nos dois lugares não é redundância: a legenda informa quem lê a figura, a declaração informa quem avalia o trabalho.

Direitos, licenças e o que a ferramenta não te dá
Há uma suposição comum e frágil: a de que imagem gerada “não tem direitos” e por isso é livre. Dois problemas.
Primeiro, os termos de uso da ferramenta valem. Cada serviço define o que você pode fazer com a saída, e alguns distinguem uso pessoal de uso comercial ou restringem redistribuição. Um TCC depositado em repositório é publicação — leia os termos antes de assumir que pode.
Segundo, a imagem pode reproduzir elementos protegidos. Geradores aprendem de material existente e às vezes produzem marcas, personagens ou estilos identificáveis. Uma figura com uma logomarca reconhecível ou um personagem protegido cria um problema que não é acadêmico, e sim jurídico.
Vale ainda notar que o estatuto autoral da imagem puramente gerada é matéria em discussão em vários países, o que na prática significa: não conte com direitos exclusivos sobre ela. Para o uso de material de terceiros em geral — figuras, trechos, tabelas —, o procedimento está em direitos autorais no TCC.
E a regra que prevalece sobre tudo isto: o regulamento da sua instituição. As universidades brasileiras vêm publicando diretrizes próprias sobre uso de IA, com exigências que variam bastante — o panorama está em política de uso de IA nas universidades brasileiras e a discussão de fundo em uso ético de IA na universidade. Se o seu curso proíbe, a proibição vale, e nenhuma boa prática de declaração a contorna.

O que usar no lugar
Na maioria dos casos em que alguém pensa em gerar uma imagem, existe alternativa melhor e mais defensável:
- Diagramas e esquemas: ferramentas de diagramação dão resultado preciso e editável, ao contrário da imagem gerada, que não se corrige — só se regenera.
- Gráficos: a partir da sua planilha, sempre.
- Fotos de contexto: as suas próprias, tiradas em campo, ou acervos com licença explícita.
- Figuras científicas padronizadas: bancos de ícones acadêmicos com licença de uso.
- Imagem de outro autor: reproduza com crédito completo, o que é acadêmico e correto.
Um argumento prático a favor da alternativa: imagem gerada não se edita. Quando a banca pedir para trocar um rótulo ou corrigir uma seta, um diagrama feito em ferramenta de diagramação se ajusta em minutos; a imagem gerada precisa ser refeita e volta diferente.
Sobre a ferramenta deste site, para não deixar dúvida: o Tesify apoia a escrita — estruturar seções e redigir a partir do seu material. Ele não gera evidência, não produz figuras que representem os seus resultados e não substitui os registros que você precisa ter feito. E não promete driblar verificação de originalidade, porque o problema nunca foi a verificação. Escreva o seu TCC com apoio ético de IA.
Perguntas frequentes
Posso usar imagem gerada por IA no TCC?
Para ilustrar um conceito, em geral sim, desde que declarado na fonte da figura e permitido pelo regulamento do seu curso. Para documentar evidência — foto de campo, amostra, exame, tela do sistema estudado — não, em nenhuma circunstância.
Como declarar que a figura foi gerada por IA?
Na fonte, abaixo da figura, nomeando a ferramenta e o ano: “Fonte: elaborada pelo autor com auxílio de [ferramenta] (2026)”. Quando a imagem for relevante ao argumento, vale registrar o comando utilizado em apêndice e informar qualquer edição posterior.
Usar IA para melhorar a resolução de uma foto minha é permitido?
Tenha cuidado: ampliação por IA inventa detalhe, o que compromete uma imagem usada como evidência. Ajustes de brilho e contraste são diferentes, mas qualquer tratamento deve ser declarado.
Imagem gerada por IA tem direitos autorais?
O estatuto autoral dessas imagens é matéria em discussão, e na prática você não deve contar com direitos exclusivos. Além disso, valem os termos de uso da ferramenta, e a imagem pode reproduzir marcas ou personagens protegidos.
Posso gerar o gráfico dos meus resultados com IA?
Não. Gráfico é apresentação de dado e se produz a partir da sua planilha. Uma figura gerada pode não corresponder aos seus números, e apresentá-la como resultado é fabricação.
E se a minha universidade não tem regra sobre isso?
Na ausência de regra específica, aplique o critério da função — ilustrar pode, documentar não — e declare o uso na fonte da figura e na declaração geral do trabalho. Na dúvida, pergunte ao orientador antes, e não depois da entrega.
