O TCC de Farmácia cita tipos de fonte que a maioria dos manuais genéricos de ABNT não cobre: bula de medicamento, registro de ensaio clínico, monografia da Farmacopeia Brasileira. Este guia mostra como formatar cada um deles pela NBR 6023:2025 (referências) e pela NBR 10520:2023 (citação no texto), com exemplos prontos para adaptar ao seu próprio trabalho. Se você ainda não fechou a estrutura do trabalho, veja também como fazer referências ABNT por tipo de fonte para os casos mais gerais, e o que muda na nova edição da NBR 6023:2025 se você ainda usa modelos da versão anterior.
Regras gerais que valem para toda referência de Farmácia
A NBR 6023:2025, terceira edição da norma, separa cada referência da seguinte por uma linha em branco de espaçamento simples — não por espaço duplo entre entradas, como muitos modelos antigos ainda ensinam. As referências entram em ordem alfabética pelo sobrenome do autor (ou pelo nome da instituição, quando não há autor pessoa física, como no caso da Anvisa). Veja a regra completa de ordem alfabética e espaçamento se tiver dúvida sobre casos de nomes compostos ou instituições. No texto, a citação segue a NBR 10520:2023: sistema autor-data, com o ano entre parênteses junto ao sobrenome ou à instituição responsável.

Citação direta e indireta com exemplos de Farmácia
A citação direta (transcrição literal) leva aspas e, até três linhas, segue no corpo do parágrafo: “a adesão terapêutica pressupõe corresponsabilidade do paciente no tratamento” (SOBRENOME, ano, p. 12). Acima de três linhas, o trecho vai em recuo de 4 cm, sem aspas, fonte menor, espaçamento simples. A citação indireta (paráfrase) não leva aspas nem número de página obrigatório, mas ainda exige autor e ano: segundo Sobrenome (ano), a adesão terapêutica pressupõe corresponsabilidade do paciente. Em textos técnicos de Farmácia — descrição de mecanismo de ação, posologia, resultado de ensaio — prefira a paráfrase à citação direta longa; a banca costuma valorizar mais a capacidade de explicar com as próprias palavras do que a colagem de trechos, mesmo quando corretamente citados.
Como citar a Farmacopeia Brasileira
A Farmacopeia Brasileira é uma publicação oficial da Anvisa, então a referência entra pela instituição, não por um autor pessoa físico:
Referência: AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Farmacopeia Brasileira. 8. ed. Brasília, DF: Anvisa, 2026.
Citação no texto: (BRASIL, 2026) ou, em formato narrativo, “conforme a Farmacopeia Brasileira (BRASIL, 2026)…”. Cite sempre a edição vigente — a 8ª edição, aprovada pela Anvisa em 2026, substituiu a edição anterior, e citar uma edição revogada é um dos erros mais fáceis de a banca identificar, porque basta conferir a data no site da Anvisa.
Como citar a bula de um medicamento
A bula não é um artigo científico revisado por pares — cite-a como o que ela é, um documento técnico do fabricante:
Referência: NOME DO LABORATÓRIO. Nome comercial (princípio ativo): bula do medicamento. Cidade: Laboratório, ano da bula.
Como o princípio ativo e o laboratório mudam conforme o exemplo real que você está usando, este é um modelo genérico — preencha com os dados exatos da bula que você abriu, nunca copie uma referência de bula de outro trabalho. Se a bula foi consultada em formato eletrônico (bulário eletrônico da Anvisa), acrescente a URL e a data de acesso, exigida pela NBR 6023:2025 para conteúdo instável na internet.
Como citar registro de ensaio clínico
Um ensaio clínico registrado (por exemplo, na base ClinicalTrials.gov ou no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos, ReBEC) é citado pelo responsável pelo registro, com o identificador do estudo:
Referência: NOME DO RESPONSÁVEL OU INSTITUIÇÃO. Título do ensaio clínico. Identificador do registro. Base de registro, ano.
Nunca cite um ensaio clínico pelo resumo divulgado em site de notícia ou material promocional do laboratório — vá direto à base de registro (ClinicalTrials.gov ou ReBEC) e cite a partir dela, com o número de registro (NCT no caso do ClinicalTrials.gov), que funciona como identificador único e verificável.
Como citar artigo científico da área farmacêutica
Segue o modelo padrão da NBR 6023:2025 para artigo de periódico: SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Nome do Periódico, cidade, volume, número, página inicial-final, ano. Nunca copie essa referência de outro TCC ou de uma citação de segunda mão — abra o artigo original antes de referenciá-lo. Se você encontrou a referência citada dentro de outro texto, mas não abriu o artigo original, use apud no texto (“Autor original apud Autor que você leu, ano”) e cite nas referências apenas a obra que você efetivamente abriu.
Artigo impresso versus artigo consultado on-line
A estrutura básica (autor, título, periódico, volume, número, páginas, ano) é a mesma para os dois casos. A diferença aparece quando o artigo só existe em versão eletrônica ou foi consultado por um repositório: acrescente o DOI, quando existir, como URL completa (por exemplo, https://doi.org/10.xxxx/xxxxx) — nos modelos de artigo eletrônico da NBR 6023:2025, o DOI entra como elemento complementar, e a referência continua trazendo o “Disponível em:” e o “Acesso em:”. Já para páginas sem DOI e com conteúdo que pode mudar (um artigo de acesso aberto hospedado apenas no site da revista, por exemplo), inclua a data de acesso no formato “Acesso em: dia mês abreviado. ano.”.

Como citar teses e dissertações da área farmacêutica
Teses e dissertações seguem o modelo: SOBRENOME, Nome. Título do trabalho. Ano. Número de folhas. Tese (Doutorado em [área]) ou Dissertação (Mestrado em [área]) — Instituição, Cidade, ano de defesa. Esse tipo de fonte é comum no referencial teórico de TCCs de Farmácia que tratam de temas recentes, ainda pouco publicados em periódicos indexados — mas confirme com o orientador se o curso aceita teses e dissertações como fonte primária de peso equivalente a um artigo revisado por pares, porque alguns regulamentos restringem esse uso.
Como citar publicação de órgão internacional (OMS/WHO)
Documentos da Organização Mundial da Saúde seguem o modelo de autoria institucional, com o nome por extenso na primeira menção: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Título do documento. Genebra: OMS, ano. Se o documento só existe em inglês, mantenha o título original em itálico e, se quiser, acrescente uma tradução livre entre colchetes logo depois — mas nunca traduza o título formalmente na referência como se fosse uma edição em português que não existe.
Como citar protocolo clínico ou diretriz terapêutica (PCDT)
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde seguem o modelo de publicação institucional:
Referência: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de [nome da condição]. Brasília, DF: Ministério da Saúde, ano.
Confirme sempre o ano da versão mais recente do protocolo específico antes de citar — PCDTs são revisados periodicamente, e citar uma versão substituída é equivalente a citar uma norma revogada.
Diferença entre citar a bula e citar o registro do medicamento na Anvisa
São documentos diferentes: a bula é o texto informativo voltado ao paciente e ao profissional de saúde; o registro sanitário na Anvisa é o ato administrativo que autoriza a comercialização do medicamento, consultável na Consulta de Produtos da Anvisa. Se o seu TCC discute a bula em si (redação, clareza, informações de segurança), cite a bula. Se discute a situação regulatória do medicamento (registro ativo, suspenso, cancelado), cite o registro da Anvisa, não a bula.
Exemplo de trecho de lista de referências (ilustrativo)
Um pequeno trecho de como essas fontes ficariam juntas na lista final de referências, em ordem alfabética e separadas por linha em branco de espaçamento simples — os dados são apenas ilustrativos, para mostrar o formato:
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Farmacopeia Brasileira. 8. ed. Brasília, DF: Anvisa, 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Hipertensão Arterial. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024 [exemplo ilustrativo de ano].
SOBRENOME, Nome. Título do artigo sobre adesão terapêutica. Nome do Periódico, cidade, v. 10, n. 2, p. 45-58, 2023 [modelo genérico, preencher com o artigo aberto].
Erros mais comuns nas referências de Farmácia
Citar a bula como se fosse artigo científico; usar uma edição desatualizada da Farmacopeia Brasileira ou de um PCDT; copiar referência de artigo sem ter aberto o artigo original; citar um ensaio clínico a partir de material promocional em vez da base de registro oficial; e esquecer a data de acesso em fontes eletrônicas instáveis, como bulários e páginas de registro que podem ser atualizadas a qualquer momento.
Checklist antes de entregar
- Farmacopeia Brasileira citada na edição vigente (8ª edição, 2026).
- Toda bula citada como bula, com laboratório, princípio ativo e ano.
- Todo artigo científico foi de fato aberto e lido — nenhuma citação de segunda mão sem apud.
- Ensaios clínicos citados a partir da base de registro oficial, com identificador.
- Referências separadas por linha em branco de espaçamento simples, em ordem alfabética.
Como a IA do Tesify ajuda nas referências do TCC de Farmácia
Veja também onde a IA ajuda e onde ela para no TCC de Farmácia — formatar referências é justamente uma das tarefas em que a IA acelera mais, desde que você confira cada fonte gerada contra a original antes de aceitar.
Perguntas Frequentes
Como cito a Farmacopeia Brasileira na referência ABNT?
Pela instituição responsável: AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Farmacopeia Brasileira. 8. ed. Brasília, DF: Anvisa, 2026. No texto, cite como (BRASIL, 2026), sempre conferindo se é a edição vigente.
A bula de um medicamento pode ser citada como fonte científica no TCC?
Pode ser citada como fonte técnica do fabricante, mas não como artigo científico revisado por pares. Declare-a claramente como bula na referência, com laboratório, nome comercial, princípio ativo e ano.
Como encontro o identificador correto de um ensaio clínico para citar?
Vá diretamente à base de registro — ClinicalTrials.gov (identificador NCT) ou o Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos, ReBEC — e use o número de registro exibido na própria página do estudo, nunca um número mencionado em material de divulgação.
O que fazer se eu só tiver acesso ao resumo de um artigo, não ao texto completo?
Prefira buscar o texto completo antes de citar. Se isso não for possível e você usar apenas informações do resumo, isso deve estar claro para o seu orientador — muitas bancas consideram citar apenas o resumo insuficiente para sustentar uma afirmação central do trabalho.
PCDTs do Ministério da Saúde são atualizados com que frequência?
Não existe uma periodicidade fixa única para todos os protocolos — cada PCDT é revisado conforme a evidência disponível. Por isso, confirme sempre no site do Ministério da Saúde se a versão que você está citando é a vigente antes de fechar a referência.
Teses e dissertações contam como fonte primária no referencial teórico?
Podem contar, mas confirme com o orientador: alguns cursos preferem que o referencial teórico se apoie majoritariamente em artigos revisados por pares, usando teses e dissertações como complemento para temas ainda pouco publicados em periódicos indexados.
Quando devo usar citação direta em vez de paráfrase num TCC de Farmácia?
Use citação direta quando a formulação exata do autor importa (uma definição consagrada, um trecho de norma). Para descrever mecanismos, resultados ou posologias com suas próprias palavras, prefira a paráfrase com citação indireta — é o que a banca costuma valorizar mais.
Preciso citar a Farmacopeia se só usei um método de análise descrito nela, sem citar um trecho literal?
Sim — usar um método, critério ou monografia da Farmacopeia Brasileira como base da sua metodologia exige citação, mesmo sem transcrição literal, porque a ideia e o procedimento vêm dessa fonte.
